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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

«O futuro a Deus pertence»

«Assisti anteontem, com grande dedicação profissional, e grande paciência à entrevista do sr. primeiro-ministro à TSF e à TVI . E assisti também ao palratório das cabecinhas de serviço, que tentaram extrair um vestígio de sentido ao que tinha sido dito e redito pelo nosso adorado guia. 
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Mas Pedro Passos Coelho, com o seu arzinho de menino que aprendeu bem a lição, não saiu da cartilha do costume  provavelmente para não se meter em mais sarilhos, daqueles que o PS gosta de rilhar no seu covil. 
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Com a maior prudência não prometeu nada, não explicou nada e nem sequer previu fosse o que fosse. Ficou no quarto escuro da banalidade ou da irrelevância e levou o país com ele; nem uma luzinha, bruxuleante ou não, brilhou naquela deprimente melancolia. O PSD retirou deste estado semicomatoso que o homem estava calmo. 
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Às perguntas substanciais Pedro Passos Coelho respondeu sempre que o futuro a Deus pertence. As decisões do Tribunal Constitucional pertencem a Deus, como o défice e a dívida, como o crescimento, como o programa cautelar, como a vida da gente que anda por aí sem vida. 
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O Altíssimo, a seu tempo, resolverá  tudo e ele, um simples primeiro-ministro, não quer exceder as suas competências. Deixou, por exemplo, de “embirrar” com o Tribunal  Constitucional, coisa que sem dúvida o tribunal lhe agradece desvanecido.  


Não comentou a política do dr. Cavaco, ou  a ausência dela, para não tocar em tão alta e veneranda personagem. Até o comportamento errático da sra. Christine Lagarde não lhe mereceu mais do que o adjectivo moderado de “estranho”, como se a sra. aparecesse com um chapéu novo ou o desafiasse para um passeio a Sintra. 
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Nem a pequena intriga partidária em que se criou conseguiu que ele acordasse para a realidade. Acha Rui Rio e o resto dos protestatários do partido um magnífico “activo” a não perder. E acha prematuro que se discutam agora as “listas” para a “Europa”. 


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As relações dele com Paulo Portas são hoje um mar de rosas: nem Portas lhe tenciona criar o mais vago problema; nem ele a Portas. Principalmente, a propósito de algumas sinecuras sem consequência.  
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Quanto ao resto, o primeiro-ministro pensa que este seu mandato consolidou as finanças, modernizou a economia e nos preparou para voos que espantarão o mundo. Existe, é claro, a difícil questão do desemprego e da miséria geral. Mas basta saber somar e subtrair, como assevera o dr. Medina Carreira: onde imaginava a Pátria que ele podia arranjar o dinheiro, senão nos bolsos de quem o tinha? 
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E com certeza um dia destes desaparece: o futuro a Deus pertence.»
Vasco Pulido Valente, Público

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