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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

As capas dos jornais e as principais notícias de Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013.


Capa do Correio da Manhã Correio da Manhã

EN125: Colisão entre três carros
Famalicão: Ladrão em preventiva
Apreendidos 475 615 € em notas falsas
Isabel P. Magalhães: Queda adia sentença
Carlos Beato: Abandona câmara
António Rendas: Reitores criticam
Mangualde: Comboio descarrila


Capa do Público Público

Presidente do Parlamento Europeu critica actuação do FMI em Portugal
Professor evitou tragédia em novo tiroteio nos EUA
Automotora descarrilou na Beira Alta
PSD e CDS vão propor comissão parlamentar para discutir reforma do Estado
Propostas do FMI tiram abono de família a 280 mil portugueses
Pensionistas só recebem duodécimos em Fevereiro
Escolas de Elvas passam a servir jantar a alunos carenciados


Capa do Diário de Notícias Diário de Notícias

Providência cautelar contra encerramento da MAC
No fundo do fundo
Enquanto nos apanham distraídos
Neiva da Cruz é o novo número dois do SIS
Despesa social e com salários abaixo da média europeia
Pescador ferido ao cair nas rochas na Praia da Ingrina
PSD-Madeira expulsa militante por "injúrias" a Jardim


Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

O clássico dos adeptos
Tribunal pondera divulgar 52 fotos do cadáver de Osama bin Laden
Javalis na A25 provocam acidente grave
Ida à urgência pode custar 49 euros
Maior túnel de Braga sem segurança
O melhor ano do calçado português
Milhares usam todos os dias viaduto cheio de buracos


Capa do i i

Comboio descarrilou perto de Mangualde. Acidente provocou dois feridos ligeiros
James Franco goza com Justin Bieber - vídeo
O que colocar nas despesas da empresa? Há quem pense que vale tudo
Presidente do Parlamento Europeu critica actuação do FMI em Portugal
Seguro e Martin Schulz criticam ortodoxia da austeridade sem investimento
Cidadãos entregam providência cautelar contra encerramento da MAC
CGTP reivindica atualização das pensões por acidente de trabalho e doença profissional


Capa do Diário Económico Diário Económico

O sorriso de Carlos Moedas
Cortes são bons mas no quintal do vizinho
Reformar o país com a parceria da oposição
PSD/CDS criam comissão eventual para a reforma do Estado
Redução dos horários para professores vai acabar
BCE aponta retoma económica na zona euro para o final de Janeiro
Teixeira dos Santos diz que nunca viu indícios de má gestão nas PPP


Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

"Se o relatório do FMI for utilizado "deve haver eleições", defende o PS
Novidade do ano pode já ter chegado a Las Vegas pelas mãos da Samsung
Tejo Energia impede Governo de cortar custo da produção a carvão
Promoção do 1 de Maio protege desempenho anual do Pingo Doce
Pensões mínimas explicam aumento dos gastos com reformas
Aforradores regressam aos fundos de acções nacionais
Las Vegas também é para portugueses, mas pouco


Capa do Oje Oje

VW lança oferta para garantir 100% da MAN
BMW prevê acelerar as vendas em 2013
Tablet reduzem portáteis em Taiwan
Nokia supera previsões nos telemóveis
Vale Moçambique aumenta exportações de Moatize
Terrenos da Baía de Luanda recebem primeiros edifícios
Huíla prioriza reabilitação de vias terciárias


Capa do Destak Destak

EUA e Coreia do Sul discutem estratégia militar face a ameaça de Pyongyang
Dois soldados mortos e dois feridos em explosão de bomba no sul da Tailândia
Preços do petróleo com tendência mista na Ásia
Incêndio em hotel nas Filipinas faz seis mortos
Descoberto túnel para tráfico de droga na fronteira do México com EUA
Presidente do Mali pediu ajuda à ONU e a França para combater ofensiva de grupos armados
Bolsa de Tóquio toca o seu máximo em 23 meses face à depreciação do iene


Capa do A Bola A Bola

Van der Meyde assume consumo de drogas
Saviola impediu que clube da infância acabasse
Grécia chama por Pedro Emanuel
Arsenal e Tottenham disputam Álvaro Negredo
Benfica pede um milhão por Nolito
«A mim ninguém me manda recados» - Eduardo Barroso
Maioria dos sócios do Real quer renovação de Ronaldo


Capa do Record Record

Bar Refaeli regressa aos anos 50
Levar a equipa ao colo
Beyoncé já está no espírito Super Bowl
Messi cada vez mais arrojado
João Sousa defronta australiano na estreia
Elias: «Estarei sempre a torcer pelo Sporting»
Grémio anuncia Souza


Capa do O Jogo O Jogo

Elias vai "estar sempre a torcer" pelos leões
Dragões vendem Souza ao Grémio
"Espero um grande jogo"
"Não devem ter medo de ouvir sócios, que não são burros"
Rony Lopes volta a marcar
Barcelona e Bétis em frente na Taça
Rui Nereu reforça Mirandela

JORNAL "O CRÁPULA) DE 11.01.2012




HENRIQUE RAPOSO





PRESIDENTE OBAMA DISSE....


O presidente Obama tem como mascote na Casa Branca um cão de água português!....



VITAL MOREIRA: "O CHULECO DE MERDA".



Vital Moreira não encontra inconstitucionalidades no Orçamento para 2013


Eurodeputado diz que OE 2013 é “bem menos desequilibrado na repartição de sacrifícios” do que o do ano passado.

Vital Moreira DR
O constitucionalista e eurodeputado pelo PS Vital Moreira diz não partilhar dos argumentos que têm sido enunciados para defender a inconstitucionalidade do Orçamento do Estado, e só considera “problemática” a questão da sobretaxa sobre as pensões.

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Em dois textos publicados na terça-feira no seu blogue Causa Nossa, o eurodeputado e jurista também considera “inaceitáveis” as declarações governamentais sobre as “consequências catastróficas de um eventual chumbo do Orçamento” no Tribunal Constitucional. Vital Moreira diz que estes comentários podem ser vistos como uma “pressão, obviamente ilegítima (e além do mais ineficaz, se não contraproducente)” sobre aquele tribunal.

No video abaixo o chuleco (ex-comunista) foi insultado e levou no focinho.

KAOS:A reindustrialização


alvaro santos pereira passos coelho reindustrializacoa
Que esta gente minta porque sente a necessidade de ser eleita ou porque quer implementar as medidas capitalistas e liberais que os seus donos lhes encomendam já estamos habituados e não é nada de novo.
Agora é a ideia passa pela necessidade de reindustrializar o país, ideia já defendida pelo Durão Barroso para toda a Europa. Parece ser uma boa ideia, reconstruir o tecido produtivo que paulatinamente, os mesmos destruíram ao longo das últimas décadas.
A questão é o como? Liberais defendem que o Estado não deve fazer porque não lhe compete e os privados também não parecem interessados até porque a especulação financeira rende muito mais dinheiro e com muito menos investimento, trabalho e riscos.
Claro que há uma solução, a mesma de sempre, o Estado entra com o dinheiro, ou seja nós, e os privados ficam com os lucros.
Nós todos vamos andar a pagar o enriquecimento de alguns, uma vez mais. Mas como é que o Estado vai ter dinheiro se está falido e com uma dívida enorme?
Fácil, pede mais dinheiro emprestado, aumentando a dívida e o endividamento que depois nós teremos de pagar porque somos pessoas de bem,  honestas e cumpridoras dos seus compromissos,  mas que gastou acima das suas possibilidades.
O ciclo repete-se, uma vez mais e uma vez mais os que já têm muito ficarão ainda mais ricos e os que pouco têm ficarão ainda mais pobres e miseráveis. As linhas de crédito para a industrialização devem estar prestes a rebentar por aí.

POR FAVOR, LER E DIVULGAR.

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"Não tenho vergonha do meu país, mas envergonho-me da "cambada" que tem governado Portugal há 39 anos"
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Nós já publicámos este conteúdo, mas bom mais uma vez e saber-se o que "carneirada", nos haja feito
Muito gostava de saber o que é que o Governo e a Oposição têm a dizer sobre o que consta abaixo e sobre a real situação financeira da Segurança Social, se é que se atrevem...

Convém ler e reler para ficar a saber, pois isto é uma coisa que interessa a todos.....
Vale a pena ler, isto a ser verdade (parece que sim) agora sabemos porque não chega para todos....
A INSUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL
A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974.
As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%).
O Estado nunca lá pôs 1 centavo.
Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu.
Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser "mãos largas"!
Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores).
Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos.
Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido) em 1997, hoje chamado RSI.
E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados.
Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades.
Optaram isso sim, pelo "assalto" àqueles Fundos.
Cabe aqui recordar que os Governos do Prof. Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram.
Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou. É a diferença entre o ditador e os democratas?
Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs.Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o "Livro Branco da Segurança Social".
Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos "saques" que foi fazendo desde 1975.
Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões ?.
De 1996 até hoje, os Governos continuaram a "sacar" e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados.
Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o "Livro NEGRO da Segurança Social", para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante actualizado, depois dos "saques" que continuaram de 1997 até hoje.
Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE.
Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS?
Claro que não!...
Outra questão se pode colocar ainda.
Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?
Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões?!
Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!...
Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido.
A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!...
Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos.
Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.

SEM COMENTÁRIOS...mas com muita revolta....


RECEBI E CÁ ESTOU A REENVIAR !!!

Sabem que, na bancarrota do final do Século XIX que se seguiu ao ultimato Inglês de 1890, foram tomadas algumas medidas de redução das despesas que ainda não vi, nesta conjuntura, e que passo a citar:
A Casa Real reduziu as suas despesas em 20%; não vi a Presidência da República fazer algo de semelhante.
Os Deputados ficaram sem vencimentos e tinham apenas direito a utilizar gratuitamente os transportes públicos do Estado (na época comboios e navios); também não vi ainda nada de semelhante na actual conjuntura nem nas anteriores do Século XX.

SEM COMENTÁRIOS.
Aqui vai a razão pela qual os países do norte da Europa estão a ficar cansados de subsidiar os países do Sul.

Governo Português:

3 Governos (continente e ilhas)

333 deputados (continente e ilhas)

308 câmaras

4259 freguesias

1770 vereadores

30.000 carros

40.000(?) fundações e associações

500 assessores em Belém

1284 serviços e institutos públicos

Para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados "per capita" equivalentes à Alemanha, teria de reduzir o seu número em mais de 50%
O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CAPACIDADE PARA CRIAR RIQUEZA SUFICIENTE, PARA ALIMENTAR ESTA CORJA DE GATUNOS!
É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE PORTUGAL É O PAÍS DA EUROPA EM QUE SIMULTÂNEAMENTE SE VERIFICAM OS SALÁRIOS MAIS ALTOS A NÍVEL DE GESTORES/ADMINISTRADORES E O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO PARA OS HABITUAIS ESCRAVIZADOS. ISTO É ABOMINÁVEL!
ACORDA, POVO! ESTAS, SIM, É QUE SÃO AS GORDURAS QUE TÊM DE SER ELIMINADAS.

Faz o que te compete: divulga.

O ASSALTO




A Santa Inquisição e o assado de borrego


Filhos da puta da padralhada
Auto-de-fé promovido pela Inquisição Portuguesa
na Praça do Comércio em Lisboa, antes do terramoto de 1755.Gravura anónima do séc. XVIII.
Poucas coisas igualarão o sublime, aromático e gostoso assado de borrego com que fui regalado neste almoço de domingo.
 
Se fosse o Padre António Delicado (1) e se o Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé me autorizasse a fazer declarações, eu adagiaria: “Pela boca morre o alentejano!”. 
 
Todavia, se Sua Reverência não me autorizasse, das duas uma: ou pagava Bula ou ia dar com os costados ao mais próximo cárcere do Santo Ofício. 
 
Aí, de acordo com os Cânones em uso, permaneceria imerso em vinha de alhos, até ser considerado apto a ser assado em lume mais ou menos brando, conforme superior determinação do Inquisidor-Mor. 
 
Todavia, como não sou muito gordo, ficaria bem passado, enquanto o Diabo esfrega um olho. Terminada a assadura, Sua Reverência proclamaria:
- Está bem passado o herege. Graças a Deus!
.
Nesta altura acordei do pesadelo causado por uma digestão difícil que me conduzira à sonolência pós-repasto. 
 
E acordei no preciso momento em que a minha pele esturricada pelo lume, rejeitava com frontalidade aquele piedoso “Graças a Deus”. Chiça que não ganhei para o susto!

(1)– António Delicado. Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs / pello lecenciado Antonio Delicado, Prior da Parrochial Igreja de Nossa Senhora da charidade, termo da cidade de Euora. Officina de Domingos Lopes Rosa. Lisboa, 1651.

KAOS:Gente que nem é gente



vitor gaspar carlos moedas fazer contas FMI
Carlos Moedas afirmou na AR sobre o relatório encomendado ao FMI que "Estamos a estudar o menu de medidas que nos foi apresentado" por um "relatório muito completo, muito bem feito, muito trabalhado" que "é um contributo quantificado que tem variadíssimas opções", e que para já não descarta nenhuma das medidas apresentadas.
Todos já vimos a brutalidade e a desgraça que seria a aplicação das medidas apresentadas pelo FMI. Seria uma catástrofe social e económica que atiraria para a miséria milhares de portugueses (a somar aos que já vivem na mais profunda pobreza) e destruiria a pouca economia doméstica que ainda existe, mataria o SNS transformando-o num serviço só para alguns e a educação uma miragem para os filhos dos mais desfavorecidos. 
 
O FMI que ainda há pouco tempo arrotava que era necessário ter ponderação na austeridade exigida aos países em dificuldades apresenta um relatório que mais não passa de uma lista de destruição do pais. 
 
O Secretário de Estado Moedas vem dizer que está muito bem feito e que contêm propostas muito válidas. Este sujeito que passa a vida fechado em gabinetes, que não conhece nem quer conhecer a realidade da vida dos cidadãos devia ser privado de todos os seus rendimentos e bens e obrigado a viver com o ordenado mínimo ou no desemprego para aprender o que é a vida. 
 
Ou se calhar nem vale a pena o melhor é corre-lo logo a pontapé que de bandalhos, ladrões e gente sem escrúpulos já estamos fartos

“Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.”



Carta que Eugénio Lisboa escreveu a Passos Coelho. O signatário tem hoje 82 anos e, para além de todas as funções que desempenhou e enuncia no final, foi um ensaísta e crítico literário notável. Peço a vossa atenção, porque fala em nome de todos nós. Trata-se de uma reflexão sobre a saúde da nossa pátria e penso que ninguém, de nenhum quadrante, poderá ficar-lhe indiferente.
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. 
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Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
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Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito – todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! – mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. 
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Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. 
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É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
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Mas tenho, como disse, 82 anos, e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice – da minha e da dos meus amigos e familiares. 
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A velhice é um pouco – ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. 
Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. 
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Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... 
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A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
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A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta – as físicas, as emotivas e as morais – um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. 
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E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” 
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Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... 
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Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos.
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Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. 
~.
Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. 
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Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. 
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Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. 
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É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais – tudo pela borda fora. 
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Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. 
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O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
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Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos , situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. 
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V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. 
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V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. 
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As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças - sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... – têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
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Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. 
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Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida – tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. 
Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. 
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V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. 
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Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. 
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Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher – como o “conservador” Passos Coelho – quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
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Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. 
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Darei a V. Exa. – e com isto termino – uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: ”Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” 
Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. 
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Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
Ex-Director da Total, em Moçambique
Ex-Director da SONAP MOC
Ex-Administrador da SONAPMOC e da SONAREP
Ex-Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres
Prof. Catedrático Especial de Estudos Portugueses (Univ. Nottingham)
Ex-Presidente da Comissão Nacional da UNESCO
Prof. Catedrático Visitante da Univ. de Aveiro
Doutor Honoris Causa pela Univ. de Nottingham
Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro
Medalha de Mérito Cultural (Câmara de Cascais)