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terça-feira, 30 de abril de 2013

As capas dos jornais e as principais notícias de Quarta-feira, 1 de Maio de 2013.




Capa do Correio da Manhã Correio da Manhã

IRS: prazo sem alargamento
Évora: pedófilo vê pena reduzida
Armação: praia privada em causa
Silves: acidente faz cinco feridos
Messines: colisão causa vítimas
Guimarães: assalta minimercado
Serpa: fogo queima pai e filho

Capa do Público Público

Prazo para IRS sem prolongamento, apesar de filas e sobrecarga do site
Circulação dos diários generalistas caiu 10% até Fevereiro
“Quero ir para onde me queiram”, diz Mourinho
É empreendedor social e precisa de apoios? A Santa Casa tem 250 mil euros para distribuir
Sorteio do Euromilhões
Procuradoria ordena “inquérito urgente” aos serviços do MP no Tribunal de Contas da Madeira
Receitas dos casinos vão ajudar a pagar tratamento de jogadores patológicos

Capa do Diário de Notícias Diário de Notícias

Lar de idosos evacuado devido a incêndio
Um discurso
É impossível garantir SNS com corte de 500 milhões
Um traficante preso e outro proibido de estar na cidade
"Jackpot" de 25 milhões no próximo Euromilhões
Tribunal dá 30 dias ao LNEC para concluir perícia
Defesa de Vara não chama Sócrates a depor em tribunal

Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

VMER e profissionais retidos por falta de crédito para pagar combustível
Desfiles da CGTP e UGT marcam Dia do Trabalhador
Leilão de eletricidade da Deco encerra com 587 mil inscrições
8 Maravilhas gastronómicas de Aveiro
Contestação na passagem do hospital para a Misericórdia
Senha para entregar IRS complica vida a idosos acamados
21 falências entram por dia em tribunal

Capa do i i

Passageira retirada de helicóptero de paquete que escalou no Funchal
Mulheres norte-americanas desejam ter os braços iguais aos de Michelle Obama
PR deseja felicidades à rainha da Holanda por ocasião da abdicação do trono
Presidente francês estimula criação e actividade de PME
Mudanças nas direcções do Instituto do Cinema e do Gabinete de Estratégia da SEC
Governo. Reforço policial para o verão de 2013 é o adequado
Governo paga transporte para exames de 4.º ano a três autarquias sem meios

Capa do Diário Económico Diário Económico

Dados imobiliários puxam por Wall Street
Conselho de Finanças Públicas critica "constante utilização de medidas temporárias"
Parlamento cipriota adopta plano de resgate por curta maioria
Moody's reduz nota da Eslovénia para lixo
DEO "é o documento mais aberto que poderia ter sido produzido"
DEO não tem cortes de despesa detalhados
LEIA AQUI NA ÍNTEGRA O DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL

Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

Governo quer cortar 20% das despesas com salários até 2017
Portugal demorará 25 anos a ter dívida abaixo de 60% do PIB
Wall Street inverte e fecha em alta com bons dados da confiança dos consumidores
MFS volta a superar 2% na EDP
DEO: estratégia orçamental não tem ainda os tectos de despesa
DEO: Mudanças contabilísticas vão agravar défice e dívida em Setembro de 2014
DEO: Taxa de desemprego nos 16,7% em 2017

Capa do Oje Oje

Novas infraestruturas de transportes estimulam crescimento económico em Angola
Maputo com oportunidades no imobiliário e nos operadores de retalho, diz a C&W
A reestruturação é inevitável. Qual é o medo?
Audi reduz lucro trimestral em 7,3%
Japonesa ANA aumentou lucro em 53%
Fujitsu regista prejuízos de 570 milhões em 2012
Medidas de consolidação orçamental ascendem a 4.700 milhões entre 2014 e 2016, avança Vítor Gaspar

Capa do Destak Destak

Pelo menos seis deputados da oposição agredidos no parlamento da Venezuela
David Ferrer entra para o primeiro dia de trabalho
Um morto e nove feridos em nova onda de violência religiosa na Birmânia
Fabricante automóvel indiano Tata suspende abertura de nova fábrica no Sudeste Asiático
Pyongyang exorta trabalhadores a promoverem crescimento económico e nuclear
Japão 'elimina' limite de consumo de energia pela primeira vez desde Fukushima
EUA permitem a venda livre da pílula do dia seguinte a jovens a partir dos 15 anos

Capa do A Bola A Bola

Juventus esteve no Bernabéu a ver Higuaín e Benzema
Trio começou período de testes
Jorge Chula quer ficar em Portugal
Gilistas abrem as portas ao regresso de Nunes
Ex-noiva de Jason Collins diz que «não fazia ideia» que o jogador era homossexual
PSG decide avançar para João Moutinho
Vírus trama Carrillo

Capa do Record Record

Kelvin não vai a julgamento
Policiamento obrigatório para todas as competições
Dupla central desfeita
Adriano ameaça lugar de Murta
NHL: Playoff (calendário e resultados)
Luís Silva pode sair bem caro
A força dos guerreiros

Capa do O Jogo O Jogo

FPF arquiva incidentes no V. Guimarães B-Braga B
"Em Espanha há gente que me odeia"
Espinho assume dívidas e culpa autarquia
"Oxalá Mourinho continue"
"Tinha que trocar os pneus depois de tantos quilómetros"
Dez anos de castigo para medalhada olímpica
"Não me importa o futuro de Mourinho"

MÁRIO SOARES: "MAIS COBRAS E LAGARTOS"


Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Algumas Verdades Inconvenientes Sobre Mário Soares...

Tal como António Marinho e Pinto, também eu não tenho quaisquer simpatias, sejam pessoais, sejam políticas, em relação a Mário Soares. Mário Soares para mim representa o pior que há na política portuguesa, pelas razões que passo a explicar. 

Mário Soares define-se a si próprio como socialista, republicano e laico. Ora eu sou precisamente o oposto. Sou conservador/liberal, monárquico e católico. Logo aí estamos em campos opostos. 

Apesar de achar que o meu País se encontra à deriva, mal governado e entregue a uma cáfila de incompetentes que só se sabem governar a si próprios, em amo o meu País, que também é a minha Pátria. Ao invés, Mário Soares, despreza e trai a sua Pátria.

Mário Soares foi um opositor do Estado Novo. Nada a dizer. Só que Mário Soares, enquanto "oposicionista", esteve ligado a grupos subversivos que planearam e executaram atentados terroristas em Portugal, financiando esses mesmos grupos. Mário Soares também financiou os movimentos ditos de libertação das Províncias Ultramarinas de Portugal, que empreendiam uma luta armada contra Portugal. 

Ao financiar e apoiar os movimentos ditos de libertação do Ultramar Português, que estavam em guerra com Portugal, e que mataram para além dos nossos soldados e marinheiros, muitos civis inocentes, incluindo mulheres e crianças, Mário Soares, ao colocar-se ao lado dos inimigos de Portugal e a apoiar esses mesmos inimigos, estava a trair o seu País.

Aquando de uma visita de Marcello Caetano a Londres, em 1973, Mário Soares, liderando um grupo de oposicionistas portugueses que protestavam contra a visita do Presidente do Conselho ao Reino Unido, pisou e cuspiu na Bandeira Nacional. Ora quem comete tão infamante acto, não tem nível, nem perfil, nem prestígio, nem autoridade para desempenhar cargos governativos e de representação do País. Mas Mário Soares foi Ministro, Primeiro-Ministro e Eurodeputado. E mais. Foi também Presidente da República. Por aqui se vê o nível da República.

É também por a República ter representantes pessoas como Mário Soares que sou assumidamente, e cada vez mais Monárquico, pois os nossos Reis e Rainhas não tiveram os comportamentos indignos e infamantes para com o seu País como teve Mário Soares.
 
Francisco Sá Carneiro também foi oposicionista do Estado Novo, e não tomou para com o seu País as atitudes indecorosas que foram tomadas por Mário Soares. 
Mário Soares está também relacionado a um dos mais funestos acontecimentos da História de Portugal, que foi a descolonização do Ultramar, que ele teve a ousadia e o atrevimento de chamar de exemplar.

Os movimentos ditos de libertação surgem em pleno período da Guerra Fria, em que o Mundo era dominado pelos EUA e pela URSS, sendo que as Provinciais Ultramarinas de Portugal despertavam a cobiça e o interesse de americanos e de soviéticos. Foi então que os EUA organizaram e financiaram a UNITA em Angola, a RENAMO em Moçambique e a UDT em Timor Leste, e a URSS o MPLA em Angola, a FRELIMO em Moçambique, o PAIGC na Guiné Bissau e a FRETILIM em Timor Leste.

Mais do que lutarem contra Portugal, os movimentos de libertação lutavam entre si, e contra si, como aconteceu em Angola, em Moçambique e em Timor Leste. Pelo que proceder-se à descolonização imediata das antigas Províncias Ultramarinas de Portugal, conforme pretendia o MFA, seria um erro político gravíssimo, com consequências nefastas.

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, o poder político daí saído, no qual Mário Soares era Ministro dos Negócios Estrangeiros, em vez de preparar os povos das Províncias Ultramarinas para uma autodeterminação e autonomia progressivas, promovendo a paz e criando as condições para que as populações locais se pronunciassem em referendo sobre que tipo de autodeterminação é que pretendiam, entregaram de mão beijada o poder aos movimentos de cariz pró-marxista e pró-soviético.

Os resultados estão à vista. Milhares e milhares de compatriotas nossos que há várias gerações se encontravam radicadas no Ultramar a terem que regressar à pressa à Metrópole apenas com a roupa que tinham no corpo, e perdendo tudo aquilo que amealharam ao longo de toda uma vida de trabalho. Guerras civis em Angola, Moçambique e Timor Leste, com milhares e milhares de mortos e feridos. Instabilidade política na Guiné Bissau, com Golpes de Estado a um ritmo alucinante.
 
 Mário Soares não teve a humildade sequer de pedir perdão ao Povo Português pelos atrocidades que lhes infligiu com a descolonização que ele denominou de exemplar. Pela simples razão que Mário Soares é tudo menos humilde. Se a descolonização foi de exemplar, conforme Mário Soares denomina, então foi-o pela negativa.

Claro que António Marinho e Pinto não faz referência a estes episódios, porque António Marinho e Pinto é um homem de esquerda, e estes temas são caros à esquerda. Mas os mesmos têm que ser falados, para que a caracterização de Mário Soares seja completa, e não apenas pela metade.

Miguel C. Marques,  
Advogado  
3 de Fevereiro de 2010

MUITO GAJO DE VALOR SE CRIOU EM PORTUGAL


O "gajinho" era isto quando um rapazinho progressita e comunista.... O filho da mãe subiu para "caralhos" pela mão do paizinho Cavaco Silva.

O BASTONÁRIO PARTE O BASTÃO NAS COSTAS DE MÁRIO SOARES



Muito embora não me possa considerar um simpatizante de Marinho Pinto, apesar de lhe reconhecer razão em muitas opiniões que emite, discordando no entanto,mesmo quando tem razão, do tipo de linguagem utlizada,tenho que confessar o quanto me agradou o artigo constante do mail que encaminho,até por muito do afirmado coincidir,em absoluto, com o que,desde há dezenas de anos venho proclamando.E há muita gente que poderia testemunhar o que sempre pensei sobre esta personalidade,que me dispenso de qualificar...
Mas certamente que outros terão opiniões diferentes,muito embora grande parte das minhas posições sejam baseadas na realidade e não em opções políticas e muito menos partidárias.
Campos de Barros
O que o actual Bastonário da Ordem dos Advogados António Marinho Pinto escreveu no «Diário do Centro» sobre Mário Soares
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MÁRIO SOARES E ANGOLA.A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos.
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Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares), pensadores profissionais, autarcas, «comendadores» e comentadores de serviço, etc.
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Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel. Sei que Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar detudo) não é nenhum bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares, os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de versão portuguesa da antiga dupla haitiana «Papa Doc» e «Baby Doc».Vejamos então por que é que eu não gosto dele(s).
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A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas sim fins. É-lhe atribuída a célebre frase: «Em política, feio, feio, é perder».São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu(e de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.
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JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL SOCIALISTA.
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Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE NICOLAU CEAUCESCU, FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SERSEGUIDO PELOS COMUNISTAS PORTUGUESES.
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Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem «Partido Socialista, Partido Marxista», mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou delá.
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Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versãobloco central) que foram os salários em atraso.
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INSULTO A UM JUIZ
Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia.
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Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.Soares é arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que dirigiu, perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que cumpria a missão de lhe fazer escolta enquanto presidente da República durante a Presidência aberta em Lisboa: «Ó Sr. Guarda!Desapareça!».
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Nunca, em Portugal, um agente da autoridade terá sido tão humilhado publicamente por um responsável político, como aquele pobre soldado da GNR. Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro democrata. Ou melhor é muito democrata se for ele a mandar. Quando não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele sabe-o;tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem oque ele manda e quando ele manda.
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Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações.Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições pessoais. Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio país. Em 1980, não hesitou em APOIAR OBJECTIVAMENTE O GENERAL SOARES CARNEIRO CONTRA EANES, NÃO POR RAZÕES POLÍTICAS MAS DEVIDO AO ÓDIO PESSOAL QUE NUTRIA PELO GENERAL RAMALHO EANES.
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E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar,a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas ede toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha.
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Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo(onde, lamentavelmente, parece ter-se incluído agora o actual presidente da República (Mário Soares), apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares.
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NA ALTURA TODOS METERAM A CABEÇA NA AREIA, INCLUINDO O PRÓPRIO CLÃ DOS SOARES, E NEM TUGIRAM NEM MUGIRAM, APESAR DE AS ACUSAÇÕES SEREM ENTÃO BEM MAIS GRAVES DO QUE AS DE AGORA. POR QUE É QUE JORGE SAMPAIO SE CALOU CONTRA AS «CALÚNIAS» DE RUI MATEUS?».
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«DINHEIRO DE MACAU»
Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por MÁRIO SOARES, ROSADO CORREIA, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos.
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*A proveniência do** dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, ANTÓNIO**VITORINO, *foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau.
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Para quem era esse dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso EMAUDIO (e o célebre fax de Macau) é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista. MENANO DO AMARAL chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no estrangeiro.
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Não haveria seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadaspelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos,com esta peculiaridade (que não é inédita) judicial: os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos.
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Aliás, no que respeita a Macau só um país sem dignidade e um povo sembrio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa daquele território, comos chineses pura e simplesmente a chamar ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele território.
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Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o casode BETINO CRAXI, o líder do PS italiano, condenado a vários anos deprisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção.
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Soares fez questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia. Veja-se também a amizade com Filipe González, líder do Partido Socialista de Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver oproblema político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os piores mercenários do lumpen e da extrema direita da Europa para assassinar militantes e simpatizantes da ETA.
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Mário Soares utilizou o cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto primeiro-ministro, gastou, como Presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas.
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São muitos desses «viajantes» que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas declarações dos governantes angolanos.Enquanto Presidente da República, Soares abusou como ninguém dasdistinções honoríficas do Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu «reinado».
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Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário, e um dos mais notáveis académicosportugueses, perseguido pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com o antigo regimere ceberam as mais altas distinções.
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Orlando de Carvalho só veio areceber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência daRepública, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma:Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de condecorações. FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS. A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou,
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Soares decidiu fazer uma Fundação com o seunome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal.Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS.
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Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco.
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Se os seus documentos pessoais tinham valor histórico MárioSoares deveria entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não. Não eram preocupações culturais que motivaram Soares.
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O que ele pretendia era outra coisa.Porque as suas ambições não têm limites ele precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida política do país. A FundaçãoMário Soares está a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa.»O livro de Rui Mateus, que foi rapidamente retirado de mercado após aceleuma que causou em 1996 (há quem diga que “alguém” comprou toda a edição), está disponível em:http://www.scribd.com/doc/12699901/Livro-Contos-Proibidosou http://ferrao.org/documentos/Livro_Contos_Proibidos.pdfou aindahttp://rapidshare.com/files/23967307/Livro_Contos_Proibidos.pdf.
Grafismo da responsabilidade de José Martins

25 de Abril - O Despertar Duma Ilusão (Um Testemunho Pessoal)


Terça-feira, 30 de Abril de 2013


 

Geração 68 – Revolução Política e Religiosa
A revolução começa no espírito para só depois ganhar expressão política. Já antes do 25 de Abril andávamos todos à procura de bilhetes para a liberdade.
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Em 1959, João XXIII responde à ânsia do mundo por inovação e emancipação convidando todo o mundo ao “aggiornamento”, à mudança (1). Dos USA surgiam rajadas de ventos anunciadores da ânsia de emancipação expressa na música Pop, Rock, Blues, Rolling Stones, Beatles, etc. no movimento hippie e no desejo de emancipação sexual.
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O mapa do tempo e dos sentimentos públicos era determinado pela baixa pressão soviética e pela alta pressão americana.
Na altura o mundo encontrava-se todo em ebulição. Sob o cenário da “guerra-fria”, proliferavam os cenários das fronteiras ideológicas. As palavras de ordem da altura eram: “Proibido proibir”, “abaixo o Estado”, “seja realista, peça o impossível”, “não confie em ninguém com mais de 30 anos”.
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Este clima, além de fomentar ânsias e aspirações, favorecia a constituição de redes revolucionárias desde Moscovo, Cuba, Ásia, América latina, Argélia até ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e ao Movimento dos Capitães, depois MFA (Movimento da Forças Armadas portuguesas).
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O movimento revolucionário servia-se também da arte para conseguir atingir a juventude e a burguesia do pós-guerra. Fermentavam a massa social de então como os WikiLeaks, os Piratas, o Facebook, mainstream, a Internet e a ofensiva cultural árabe no Ocidente fermentam a de hoje.
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Manifestava-se a reacção a uma hierarquia repressiva adversa a um novo sentimento de vida. Era o espírito proletário contrariador do estilo burguês a afirmar-se; os filhos da segunda grande guerra formam então uma geração contestatária, a geração 68.
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Na sua fuga à culpa e aos ressentimentos provocados pela segunda guerra mundial, a nova geração manifesta-se extremamente sensível à paz, à liberdade e a tudo o que lhe é próprio; inicia uma verdadeira revolução de emancipação que envolve todas as camadas sociais e se manifesta no desenvolvimento tecnológico, na revolução sexual, pílula, droga, etc. Arrumam também com Deus pois não querem reconhecer pai nem mãe.
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Neste ambiente o mundo fervia, subindo ao céu, por todo o lado, um grito fumarento de libertação contra a intolerância dos outros. O Maio quente de 68 em Paris torna-se o símbolo duma autêntica revolução cultural em marcha (apesar disso, nesse ano foi assassinado Martim Luther King e falhou também a revolução checa a favor dum socialismo humano).
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Movimentos jovens de contestação política vão surgindo por todo o lado, enquanto, paralelamente, os activistas iniciavam uma corrida às instituições instalando-se nelas. A ideologização do movimento levou também à criação de movimentos subversivos que viam em Guevara (assassinado em 1967) o símbolo da resistência.
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O movimento dos Capitães de Abril catalisa nele as forças revolucionárias de esquerda, então bem organizadas por todo o mundo, e também o desejo emancipatório febril da juventude num tempo de mudança. A nível político, os espertos da ocasião viam no movimento das forças armadas portuguesas o melhor instrumento para transpor para a Europa (Portugal) a realidade cubana. Na altura, a nossa geração queria mudar o mundo, seguindo ingenuamente os “sinais dos tempos „ propagados e apostando no “efeito borboleta” das pequenas iniciativas. Nesta atmosfera é de compreender os erros cometidos pelos homens de Abril na esperança dum lugar ao Sol e o envolvimento do povo desejoso duma sociedade mais livre e justa.
 
Ventos frescos nos Corações e nas Instituições

Na altura (66-71) encontrava-me no Seminário de Manique do Estoril onde, Hippies, Beatles, Concílio Vaticano II e personalidades pacíficas faziam florir, também nos seus pátios, as melhores rosas e os melhores cravos de esperanças virgens de liberdade e irmandade com todo o mundo. Era o tempo da teologia da libertação, das comunidades de vida, de novas ideias e iniciativas, a era duma nova educação, a germinar por todo o lado. Era um tempo jovem!
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Lembro-me de, então, organizar no seminário de Manique do Estoril cursos de alfabetização para pessoas adultas da região e, nesses cursos, seguir devotamente o método de Paulo Freire. No ar havia uma simpatia pela revolução cultural de Mao Tsé-Tung e por tudo que cheirasse a inovação (Não se imaginava que ele seria um dos maiores ditadores e aniquiladores de povo). Fiquei com a ideia de que Portugal não era tão hermético como se cria, quando em 1969 mandei vir da China “O Livro Vermelho” de Mao, tendo tido a precaução de, ao encomendá-lo, escrever apenas como remetente: Justo, Instituto, Manique do Estoril. Cerca de um ano depois recebi da China vários exemplares com o meu nome e o endereço completos. Então, fiquei estupefacto com o caso.
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O processo revolucionário da geração 68 pensava-o então, numa perspectiva conciliar de religioso, como a continuação genuína da grande revolução iniciada por Cristo (JC) com a diferença que o JC não pretendia como o nazismo, o socialismo, o turbo-capitalismo e o maometanismo impor uma forma de vida à humanidade. O que observava lá fora via-o como consequência do espírito revolucionário pelo bem e pelo bem-comum que se encontrava dentro dos muros do seminário. Este espírito, aliado a um espírito de amor e justiça, impregnava a nossa contestação interna que se expressava em iniciativas teatrais como o “Bom Humor”, o “Festival da Canção” e os “Telejornais”. 
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Na altura rebelavamo-nos contra hábitos e autoridades eclesiásticas legalistas e contra hábitos como a vestidura da batina em iniciativas e teatros engendrados pelo nosso “Grupo do Bom Humor”. O grupo actuava em festas da comunidade e noutras ocasiões com teatros, festivais da canção, telejornais em que a vida do seminário, acontecimentos, atitudes, superiores e personalidades eram passados a pente fino pela crítica humoral.
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A título de exemplo: numa festa pública de vestidura da batina, em Manique do Estoril, onde estavam presentes, também, os familiares dos seminaristas que iam receber a batina, o “Grupo do Bom Humor” actuou e na peça teatral ridicularizou tal acto, o que provocou o desconsolo e a reacção da ordem estabelecida. Esta tinha confiado no “bom senso” do “Bom Humor” para abrilhantar a festa. Depois do espectáculo, o director do Instituto chamou a contas o Padre Conselheiro, que era o ponto de ligação institucional com o “Grupo do Bom Humor”. O sacerdote lá se desenfiou como pôde perante o Reitor e tomou a iniciativa de chamar o grupo a contas. Interessado em descobrir quem era o responsável do grupo e para poder estatuir um castigo exemplar, chamou a si, um a um, cada membro do grupo.
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Mas, como no grupo eram todos por um e um por todos, cada qual declarou ser o responsável do grupo. Deste modo foi conseguido, com humor e responsabilidade, estoirar com um princípio de toda a autoridade institucional que é: castigar um por todo o rebanho, para que o medo açaime a manada. Assim, o superior não pôde castigar nem o grupo nem ninguém. A solidariedade dum grupo arrasa montanhas. Uma instituição que conseguira acordar o sentido da rebeldia bem canalizada e mantida dentro duma ordem conformista, sente-se agora impotente perante o espírito da responsabilidade que ela mesma propagava. 
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O espírito de liberdade e de respeito pela pessoa, transmitido à imagem da pessoa do protótipo JC era o mesmo que questionava as incrustações de regras, autoridades e instituições. A liberdade da experiência do JC dava-nos força e legitimidade para toda a contestação. Era uma contestação vinda de dentro, não de fora. Perante o JC encontrávamo-nos, superiores e subordinados, na mesma plataforma do Seu seguimento. Este espírito, ajudado pelos novos ares, dava-nos força para quebrar com as correntes do hábito e de obediências cegas a que grande parte dos superiores se encostava regaladamente.
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Os mesmos ventos da mudança eram comuns dentro e fora dos muros, embora com diferentes motivos e objectivos. Pessoalmente, mais tarde saltei o muro e na procura de mais liberdade e menos teias de aranha ingressei em partidos diferentes de Portugal e da Alemanha. Uma coisa constatei, o espírito de rebanho e de manada é muitíssimo maior nas instituições seculares do que nas religiosas. Dentro dos muros dos conventos há mais liberdade que fora deles, porque nos conventos, apesar de tudo a pessoa é rei. Quem liberta o espírito e vive dele não conhece o medo da autoridade nem o cálculo da oportunidade!

oportunismo
Os oportunistas da Revolução
Veio depois a enxurrada da “revolução” do 25 de Abril e nela entra a arraia-miúda e a arraia graúda, numa viagem paradisíaca, não atenta ao destino nem aos motivos da viagem. Era querida uma orientação monocolor e pretendia-se meter a liberdade em uniformes ideológicos.
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O autocarro de Abril partiu e o povo continuou na esperança de chegar a melhor. Sentíamo-nos todos passageiros da liberdade, provindos dos mais diferentes meios, mas querendo construir uma sociedade com lugar ao Sol para todos. Portugal estava todo inteiro, a caminho da liberdade, a caminho dum viver por viver. Então, na rua, nas estações, olhos confidentes se trocavam numa atmosfera que se abria para um futuro risonho de espaços abertos e na sequela dum chamamento de libertação.
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Por alguns momentos fomos um povo unido e especial que atraía grupos das esquerdas dos mais diversos países; Portugal era a Roma do turismo político de esquerda tal como era e continuou Cuba depois.
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No horizonte, aqui e acolá, nuvens de estragos se vão acumulando. O espírito que motivava os actores da revolução era apenas político sem contemplar o Homem todo nem Portugal no seu todo. Por isso o que a princípio parecia uma revolução, revelou-se, com o tempo, ter sido apenas um golpe de Estado com os benefícios das mudanças que na altura, noutros Estados europeus, acontecia na normalidade.  
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O egoísmo de grupos e “personalidades” da nossa praça, sem escrúpulos, vai-se servindo da Nação, deixando para o povo o sacrifício da abnegação; mandam os Santos para o deserto para se porem a si no nicho da reputação. Os abrilistas ocuparam o céu português e hoje ainda têm o descaramento de desculparem a crise da Nação na culpa dos outros. E o mesmo povo continua a ir na fita pensando que a culpa está neste ou naquele quando ela é bem nossa que continuamos a dar paleio aos que encurralaram a esperanças para si. 
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Aquela alegria, aquela esperança e liberdade da rua que se julgava pública, passaram a ser reservadas para os cínicos do poder que ocuparam o lugar que pertencia ao povo no dia-a-dia, na TV e noutros meios de comunicação social. Foi um sonho de pouca dura mas que levou o povo inocente e bom a interiorizar uma superficialidade libertina e a abdicar da dignidade, da honra e do respeito que provinham duma ética de cunho responsável.
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O povo confiante acorda agora molhado. Também deixou de ser família universal com o coração no mundo e nos povos ultramarinos para se tornar num canto europeu, num povo de dançarinos de alma na rua saltando ao som de interesses anónimos e ao ritmo da mesma cor. Construiu-se uma liberdade que guarda a oportunidade para o mais forte, uma liberdade amarrada a ideologias e a interesses alheios e não uma liberdade de visão integral e responsável do não só mas também!
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Organizaram-se então campanhas revolucionárias de libertação e de reeducação do povo. Tudo bem-intencionado e preparado para atrair a inocência de crenças nobres. Para se responder ao desejo de inocência procura destruir-se a vergonha. Organizam-se, até em recônditas aldeias, sessões de desflorações virginais em grupo; quer-se o comunismo, tudo maninho, querem-se as meninas, menos as que têm o dono presente; procede-se à queimada de livros de “fachos”, etc. 
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O que não serve a ideologia de alguns deve queimar-se ou arrumar-se. À hora da direita segue-se a da esquerda e vice-versa. Esta é a liberdade confinada aos que agora querem ter razão, como se também esta não fosse processo e só pertencesse a alguns. Agora assistimos ao instinto da inocência a vingar-se na resignação. (A geração de agora tem de reparar os estragos, tem de granjear-se a honra e o respeito que lhe foi roubado).
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A liberdade desencadeada deixa no ar o som de cadeados caídos numa revolução descontrolada de libertinagem bárbara que se satisfaz no andar na vida por ver andar os outros. Não há respeito por si mesmo nem pelos outros. Tudo à própria disposição. Uma liberdade adolescente, irresponsável, que não conhece nada nem ninguém; toda ela em nome duma culpa passada. Egoísmo puro que faz do outro cliente do próprio sentimento. A droga é propagada, desinibe e o sexo ajuda a ideologia. Quem trabalhava e fazia pela vida era designado de “facho”. Professores exigentes eram saneados e organizam-se os exames colectivos. Uma das causas da crise portuguesa de hoje está nesse espírito leviano de então que levou os estudantes formados, com as notas do grupo, a ocupar os lugares de responsabilidade das nossas administrações.
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Uma revolução que prometia tanto, com tão boa música e fanfarra que abria as portas ao progresso desembocou no beco sem saída duma gula de marcha limitada a ritmos de esquerda-direita; meteu assim a terceira República nos caminhos da bancarrota, tal como aconteceu na primeira. Heróis da revolução, que o povo ainda canta, vivem com ordenados mastodônticos e injuriosos, como nunca na História houve, enquanto muito do povo vegeta com ordenados de miséria que não dão para viver nem para morrer. 
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Tudo acontece e se legitima à sombra duma democracia que querem prostituta. Partidos, sindicatos, grupos organizados, etc. instalam-se no aparelho do Estado. Numa guerrilha ímpar de aumentar o próprio lucro e “honra” agregam-se à volta do Estado como chulos à volta do bordel. Por todo o lado se encontram guardiães da revolução, cães de guarda duma liberdade oferecida não conquistada mas em benefício de adeptos e adversários. Privilegiados da revolução agarram-se todos ao vermelho da ideologia ou da parceria perdendo o sentido pela riqueza das cores.
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A consciência da liberdade partidária negligencia a liberdade pessoal e a descoberta da força das próprias possibilidades. Um na ilusão à espera de Godot, outros na letargia, virados para D. Sebastião; tudo se alinha nas ordens de marcha de grupos e de organizações secretas enlaçadas em coutadas de compadrio e na burocracia. Compra-se o indivíduo para se afirmar a hierarquia.
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A caminhada para o futuro viu reduzido o seu horizonte ao 10 de Dezembro de 1910 e aos resquícios liberais napoleónicos. Um tradicionalismo obediente e a fé nas razões do poder não conseguiram quebrar o bolor dum liberalismo mafioso e dum republicanismo ultrapassado, guardado na Nação a sete chaves em gavetas intelectuais seguidoras dos excessos do Marquês de Pombal. A visão ideológica impede o olhar pessoal e regional. Nas pistas dum futuro em liberdade esbarramos connosco, repetindo os erros da primeira República.
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No comboio da história, numa alternância de cor, continuam os mesmos lugares reservados para os da nova oportunidade; o povo continua em bicha e sempre à chuva, sempre à espera nas estações, sempre na ânsia dum comboio com carruagens para ele. Esperar na desesperança é a sua condição independentemente da cor da governação.  
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Para se entrar no comboio dos donos da razão e do arrazoar, é preciso um compartimento, um vagão do partido, do sindicato, do compadre, do mação. A História, sem heróis, deixa-se conduzir pela banalidade do quotidiano e afasta-se cada vez mais da arraia-miúda. Esta, por sua vez, revela-se massa, sem consciência, sempre à espera dum revisor que lhe cobre o bilhete.  
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Uma elite à trela dum Estado dominado pela insuficiência partidária e grupal não gera civis livres nem sequer heróis. Produz acomodados e mercenários, gera políticos da capitulação a ideologias e à subserviência boçal, não tolera heróis nem homens bons. Um povo unido tornou-se num povo humilde sempre vencido. Povo, sempre ao toque de caixa dos oportunos e que então aplaudia e agora lamenta.
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(1) O Concílio Vaticano II foi anunciado pelo Papa João XXIII a 25.01.1959, iniciado em 1962 e concluído em 1965. Com este encontro global queria-se renovar as estruturas incrustadas e fazer-se um aggiornamento de ideias e práticas em todo o mundo. Por todo o mundo se organizaram iniciativas de mudança que as igrejas nacionais através dos padres conciliares levariam a Roma. O movimento de 68 foi uma versão de estilo secular a uma revolução que o Concílio iniciara antes no sentido espiritual da renovação do Homem todo, no sentido de metanoia de corações e instituições, no sentido de o “Homem” se tornar Homem.
António da Cunha Duarte Justo
25 de Abril de 2013

Dito&Feito


29 de Abril, 2013por José António Lima
 
Quando decidirem parar de fazer remodelações, não se esqueçam de avisar – era uma piada que, por estes dias, corria com sucesso nos meios políticos e jornalísticos. .
Na verdade, desde Fevereiro até agora, mês após mês, Passos Coelho já fez entrar no Governo 2 ministros acompanhados por 15 secretários de Estado. E aos bochechos: a 4 de Abril, a 13 de Abril e a 22 de Abril. Com esta cadência de 9 em 9 dias prevê-se nova mexida na próxima 4.ª-feira...
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Mas, para lá das ironias, o facto é que estas remodelações aos soluços e em sessões contínuas não abonam a favor da imagem de coesão do Governo. Nem da capacidade de planeamento do primeiro-ministro. Que, depois de ter manifestamente hesitado entre uma remodelação profunda e alargada do seu Executivo e uma mini-alteração apenas na pasta ocupada por Miguel Relvas, acabou por se deixar arrastar para esta sucessão de tomadas de posse, para acorrer a fogos pontuais e sem fim à vista. O que virá a seguir?
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Acresce que, entre os nomes agora chamados ao Governo, podemos encontrar uma secretária de Estado que ainda há meses pedia que se votasse contra o Orçamento de Vítor Gaspar, um outro que criticou a proposta de aumento da TSU feita por Passos Coelho, ou ainda um ex-jornalista que não disfarçava o seu alinhamento com o santanismo, o menezismo ou o relvismo e agora recebe a sensível pasta da Cooperação no MNE de Paulo Portas. 
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Convenhamos que é, no mínimo, preocupante esta salgalhada no que respeita à coerência política e à unidade estratégica do Governo.
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Não deixa de ser estranho, por fim, que dois secretários de Estado tenham saído por força dos contratos swaps que caucionaram no seu passado de administradores – num processo conduzido no interior do Governo por uma outra secretária de Estado, Maria Luís Albuquerque. Reconhecidamente competente, mas também ela envolvida na celebração de swaps, melhores ou piores, no seu passado recente.
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Há dois pesos e duas medidas? Não seria curial que fosse uma entidade independente a conduzir o processo das swaps? Passos Coelho não percebe o efeito descredibilizador de tudo isto?
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jal@sol.pt