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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"OS MANGUELAS NA LAVANDARIA"


Clique em baixo para assistir à lavagem

Passos martela a tecla do consenso nas contas públicas

Sandra Duarte/ Daniela Santiago/ Paulo Martins/ Sérgio Ramos/ António Nunes
O governo quer um consenso. Pedro Passos Coelho propôs a descida dos impostos, mas pede entendimentos com a oposição. A proposta de Orçamento do Estado para 2014 começou esta quinta-feira a ser discutida no Parlamento e o primeiro-ministro descreveu o documento como o "passaporte" para o pós-troika. António José Seguro respondeu dizendo que se trata apenas de um "plano de cortes para empobrecer o país".

"OS MANGUELAS VENDERAM A EDP A PATACO À CHINA!!!..."


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EDP corta a luz a bairro de pobres no Porto

Filipe Pinto/ Rui Alves Castro/ Sérgio Tomás
A EDP e a polícia cortaram a eletricidade a todos os moradores de um bairro do Porto com dívidas à empresa. Os assistentes sociais dizem que alguns dos moradores do Bairro do Lagarteiro que ficaram sem luz estão em situação de verdadeira emergência social.

Olhem, olhem os portugueses em banda desenhada!



Reenvio este video que foi concebido para os Estados Unidos, mas reproduz o que se passa no nosso país, e na Europa do Sul, reféns do mesmo sistema de exploração de abrangência global, com a colaboração de  cipaios  submissos tipo Van Rompuys, Barrosos, Rajoys, Coelhos, etc. 
“Os 1%” é a designação adoptada pelo prémio Nobel da Economia 2001, Joseph E. Stiglitz, num livro que publicou o ano passado (The Price of Inequality, já traduzido para português: O Preço da Desigualdade, Bertrand Ed.)



A CULPA



A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das 'strippers' que nunca se põem nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados,
A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio, que já não joga a bola,
E daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS, do PS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa.  
Poeta anónimo

"O PAULINHO, BARDAMERDA, DAS REFORMAS FORA DO TEMPO"


A Frase



Este Guião da Reforma do Estado surge fora do tempo e sem resultar de metodologia recomendada. Conhecendo apenas as linhas gerais apresentadas, parece ser positiva a atenção dada às exigências financeiras, às várias medidas visando modernizar o Estado, à progressiva descentralização e à identificação das contrapartidas oferecidas aos cidadãos. Ficam quatro questões: como o Governo pensa desenvolver e aplicar o guião colhendo agora o contributo da sociedade civil?; quais são os calendários da concretização das medidas?; quais os reflexos no equilíbrio das Contas Públicas já em 2014?; qual o contributo para reanimar o país e introduzir alguma coerência nas políticas orçamentais e nos conhecidos e salteados cortes?
Luis Valadares Tavares, Público
- See more at: http://www0.rtp.pt/noticias/index.php#sthash.L0kPAIuW.dpuf

A Frase



Este Guião da Reforma do Estado surge fora do tempo e sem resultar de metodologia recomendada. Conhecendo apenas as linhas gerais apresentadas, parece ser positiva a atenção dada às exigências financeiras, às várias medidas visando modernizar o Estado, à progressiva descentralização e à identificação das contrapartidas oferecidas aos cidadãos. Ficam quatro questões: como o Governo pensa desenvolver e aplicar o guião colhendo agora o contributo da sociedade civil?; quais são os calendários da concretização das medidas?; quais os reflexos no equilíbrio das Contas Públicas já em 2014?; qual o contributo para reanimar o país e introduzir alguma coerência nas políticas orçamentais e nos conhecidos e salteados cortes?
Luis Valadares Tavares, Público
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A Frase



Este Guião da Reforma do Estado surge fora do tempo e sem resultar de metodologia recomendada. Conhecendo apenas as linhas gerais apresentadas, parece ser positiva a atenção dada às exigências financeiras, às várias medidas visando modernizar o Estado, à progressiva descentralização e à identificação das contrapartidas oferecidas aos cidadãos. Ficam quatro questões: como o Governo pensa desenvolver e aplicar o guião colhendo agora o contributo da sociedade civil?; quais são os calendários da concretização das medidas?; quais os reflexos no equilíbrio das Contas Públicas já em 2014?; qual o contributo para reanimar o país e introduzir alguma coerência nas políticas orçamentais e nos conhecidos e salteados cortes?
Luis Valadares Tavares, Público
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A Frase



Este Guião da Reforma do Estado surge fora do tempo e sem resultar de metodologia recomendada. Conhecendo apenas as linhas gerais apresentadas, parece ser positiva a atenção dada às exigências financeiras, às várias medidas visando modernizar o Estado, à progressiva descentralização e à identificação das contrapartidas oferecidas aos cidadãos. Ficam quatro questões: como o Governo pensa desenvolver e aplicar o guião colhendo agora o contributo da sociedade civil?; quais são os calendários da concretização das medidas?; quais os reflexos no equilíbrio das Contas Públicas já em 2014?; qual o contributo para reanimar o país e introduzir alguma coerência nas políticas orçamentais e nos conhecidos e salteados cortes?
Luis Valadares Tavares, Público
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"A LAURINDINHA A REFORMADORA"

A Frase


Este Guião da Reforma do Estado surge fora do tempo e sem resultar de metodologia recomendada. Conhecendo apenas as linhas gerais apresentadas, parece ser positiva a atenção dada às exigências financeiras, às várias medidas visando modernizar o Estado, à progressiva descentralização e à identificação das contrapartidas oferecidas aos cidadãos. Ficam quatro questões: como o Governo pensa desenvolver e aplicar o guião colhendo agora o contributo da sociedade civil?; quais são os calendários da concretização das medidas?; quais os reflexos no equilíbrio das Contas Públicas já em 2014?; qual o contributo para reanimar o país e introduzir alguma coerência nas políticas orçamentais e nos conhecidos e salteados cortes?
Luis Valadares Tavares, Público

POLÍTICA DA CRISTAS: "CÃES E GATOS"

Os canitos da Cristas


Dois porque não podiam ser mais

"O PARAISO, ECONÓMICO, APOSTADO PELO SÓCRATES E PORTAS"


À atenção de Jerónimo de Sousa & Cª. Lª...!

Banco Central da Venezuela confirma que não há farinha, óleo, leite, açúcar, manteiga, sabonete...

Nicolás Maduro não consegue dar a volta à crise e vê-se obrigado à importação. A inflação vai chegar aos 50%
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São 16 os produtos que faltam permanentemente nas prateleiras das lojas venezuelanas e muitos deles são de primeira necessidade. Trata-se de um dado oficial, que consta do relatório do banco central de Caracas divulgado este fim-de-semana.
Os inspectores do banco fizeram uma listagem dos produtos que podem ser comprados nas lojas de Caracas e concluíram que há "sérios problemas de abastecimento", tão sérios que ao problema tem de se chamar "escassez".

Em 98,8 de cada grupo de 100 lojas de Caracas faltava óleo de milho; em 84,3 faltava leite; em 80,8 faltava açúcar; em 73 farinha de milho; em 64,3 farinha de trigo; em 58,4 não havia manteiga. Outros produtos difíceis de encontrar: carne de bovino, queijo, margarina e frango.

No campo dos produtos de higiene os dados oficiais também mostram carência, com falta de papel higiénico (em Setembro não havia este produto em 79 de cada cem lojas de Caracas), de champô, de sabonete e de pasta de dentes. "Esta é uma economia em que a oferta e a procura estão divorciadas", dizia ontem o jornal venezuelano El Universal na sua edição online.

Os analistas explicam que esta escassez se deve a muitos factores, a maior parte deles relacionados com a gestão do país. E, em primeiro lugar, põem a política de controlo dos preços por parte do Governo, que desmotivou os produtores e fez baixar os níveis de produção - um controlo que tem sido mantido e que deverá continuar, porque é a única forma de o Governo lidar com a inflação, que já vai em 48% e deve chegar aos 50% no fim do ano; a previsão para 2013 era de 14-15%.

Muitas empresas optaram por reduzir substancialmente a quantidade de produtos que saem das suas linhas de fabrico, porque fica mais barato do que produzir com prejuízo. Outras (o Presidente, Nicolás Maduro, diz que são a maioria) produzem para exportar (sobretudo para a Colômbia), através de rotas de mercado negro onde conseguem lucros de 500%. 
 
As marcas de fraldas, de champôs, de pastas de dentes, de sabonetes fazem desaparecer os seus produtos, desencantados que estão com o Governo que, em Junho, chegou a anunciar que iria permitir um aumento nos preços de certos produtos, entre os 3% e os 24%, mas que nunca pôs a medida em prática.

Comandos antigolpe
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A produção das empresas estatais também baixou consideravelmente, perante a escassez de matéria-prima (demasiado cara e de exportação) e as falhas constantes de energia.
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Maduro acusa a oposição e países estrangeiros por este estrangulamento económico. E o seu ministro da Alimentação, Féliz Osório, anunciou que entre Novembro e Dezembro entrarão no país todos os produtos em falta. "Estamos a preparar uma operação maciça." 
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O Governo de Caracas prepara a importação de 400 mil toneladas de alimentos e produtos de higiene que, diz o jornal espanhol El País, serão pagos com dólares, com títulos que fazem parte dos porte-fólios das empresas estatais e negociando dívidas (países que devem dinheiro à Venezuela pagarão em géneros).
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A par desta operação de importação de grande escala, Maduro tomou outra decisão para travar o "golpe continuado" contra a Venezuela, a "guerra económica e de sabotagem a instalações estratégicas". Anunciou o regresso dos "comandos antigolpe" cívico-militares, criados por Hugo Chávez quando instituiu a revolução socialista bolivariana na Venezuela

Haverá um em cada capital de distrito para guardar, precisamente, as empresas e os sectores estratégicos.

Dívida, “o elefante na sala”

Álvaro Santos Pereira adverte para risco de ditaduras se "austeridade cega" perdurar

Álvaro Santos Pereira adverte para risco de ditaduras se austeridade cega perdurar
legenda da imagem
José Manuel Ribeiro, Reuters

O advento de novas ditaduras é um risco real numa Europa de “austeridade cega” onde “só há ministro das Finanças” e “toda a gente se preocupa com tesouraria” – é Álvaro Santos Pereira quem emprega a voz neste aviso à navegação. O antecessor de Pires de Lima no Ministério da Economia esteve esta quinta-feira numa conferência organizada em Lisboa pela revista Exame. Deste retorno do ex-ministro aos púlpitos sobra ainda uma sugestão para enfrentar “o elefante na sala” do Velho Continente, ou seja, a dívida: um “reescalonamento a 40, 50 ou 60 anos”.

“Toda a gente na Europa se preocupa com tesouraria. A Europa só tem ministro das Finanças, só tem Ecofin e Eurogrupo, e quando só há ministro das Finanças mais cedo ou mais tarde não vai funcionar”, estimou Álvaro Santos Pereira na conferência da Exame, durante uma intervenção que o ex-ministro principiou com o apontar das “vantagens” de poder “falar abertamente”, agora que já não faz parte do círculo do governo.

Na conferência da Exame, Álvaro Santos Pereira deixou críticas à Autoridade Tributária, afirmando mesmo que “o fisco é um verdadeiro grande inquisidor para as nossas empresas, que está a querer monitorizar todos os passos das empresas”. E que, na sua opinião, “é o contrário do que devia ser”: um facilitador.

Santos Pereira propugna que o IRC em Portugal deve cair para os dez por cento no decurso dos próximos dez anos, dado que reduzir para 23 por cento o imposto sobre os rendimentos das empresas “é interessante mas não chega”.

E foi nessa mesma condição de remodelado que Santos Pereira quis acenar com o espectro de um retorno a regimes ditatoriais, porque a “austeridade cega”, advertiu, é combustível de “extremismos”. “Se não tivermos uma solução europeia, arriscamo-nos a ter novamente ditaduras na Europa”, alvitrou o anterior ministro da Economia.

A alocução de Álvaro Santos Pereira, recolhida pela agência Lusa, incluiu uma nota sobre os indícios de recuperação da economia e até um elogio de “reformas que há estão feitas”. Mas compôs-se, sobretudo, de avisos. Um dos quais para os fatores de risco que pendem sobre as contas públicas portuguesas: a regressão da natalidade e os crescimentos do desemprego e da emigração.

O ex-ministro faria ainda a apologia de uma ação mais interventiva do Banco Central Europeu. Porque “a união monetária não está a funcionar”: “Dizem que as regras têm que ser iguais para todos por razões de concorrência. Onde é que está a concorrência aqui? A união monetária é igual para todos, mas é mais igual para uns do que para outros e é mais igual para umas empresas do que para outras”.
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Dívida, “o elefante na sala”

Outra das passagens mais sonoras da intervenção do antecessor de Pires de Lima incidiu sobre a dívida, que Álvaro Santos Pereira descreveu como “o elefante na sala” da Europa “de que ninguém fala”. “Mas o problema está lá e tem de ser resolvido”, frisou.

Evitando abordar em concreto a situação portuguesa, Santos Pereira carregou na ideia de que “a Europa não vai ter um crescimento duradouro enquanto não resolver o problema da dívida”. A que somou uma outra: “É fundamental que nenhum país renegoceie a sua dívida individualmente”.

A resposta da Europa, advogou o economista, deve igualar a solução latino-americana do final da década de 1980: “Pagar todos os cêntimos da dívida, mas fazer um reescalonamento a 40, 50 ou 60 anos”.

O ex-ministro lembrou que a opção pelo reescalonamento da dívida fez-se também “nos anos de 1950 num país chamado República Federal da Alemanha”. Para concluir: “Na altura, a Europa e os Estados Unidos não viraram as costas à Alemanha e é fundamental que a Alemanha não vire as costas à Europa”.
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"O BARDAMERDA ARTISTA REFORMISTA"

por Daniel Oliveira

Paulo Portas apresentou, com um atraso de nove meses, o seu guião para a reforma do Estado usando expressões doces como "gradualismo", "prudência", "negociação" e "moderação". Expressões interessantes quando se propõe um programa ideológico. Que, diga-se em abono da verdade, não passa disso mesmo: um programa ideológico. Um programa que, se tivesse um conteúdo mais sólido, seria mais radical do que qualquer um que tenha sido apresentado a votos nos últimos 40 anos. Há boas intenções consensuais, há frases ocas, há repetições do que já foi proposto. Mas porque não quero que se trate como inócuo o que tem um conteúdo ideológico bem preciso e radical, que pelo menos nos diz para onde iria, se o deixassem, este governo, concentro-me em alguns princípios gerais apresentados para a segurança social, educação, saúde e constitucionalização de políticas orçamentais.
Sobre a Segurança Social, Paulo Portas propõe o plafonamento das pensões, o que só poderá corresponder à saída de uma parte significativa dos maiores rendimentos do financiamento da segurança social. O que, a prazo, levaria a uma maior insustentabilidade dos sistema. A proposta agradará, seguramente, a quem se tem dedicado à demagogia sobre as pensões mais altas. Cá têm a razão pela qual esse populismo foi sendo alimentado: garantir menores descontos para os maiores rendimentos, libertando esse dinheiro para o sector privado. Depois do plafonamento, falaremos de como se pagarão as reformas mais baixas. Agradecem as instituições financeiras, que verão disponível um mercado interessante que até agora era gerido pelo Estado. 
Sobre a Educação, Paulo Portas dá mais um passo na defesa do cheque ensino (água mole em pedra dura...), que recentemente mereceu um debate profundo e que, no fim, teria como resultado dois sistemas, um com capacidade de seleção dos estudantes e outro a lidar com todos os problemas pedagógicos e sociais. Portas ainda acrescentou a extraordinária proposta de fazer dos professores proprietários de escolas e do Estado mero comprador de serviços. Na Saúde, segue uma linha semelhante: continuação da privatização da gestão dos hospitais, com os desastrosos resultados que se têm conhecido para os cofres do Estado.
Por fim, Portas propõe a constitucionalização da regra de ouro, o que se traduz na constitucionalização da política orçamental. Para quem se tem queixado de uma Constituição demasiado ideológica e programática, temos aqui o ponto máximo da ideologia (proibido o keynesianismo) e do programa (o Orçamento é o instrumento fundamental de todos os governos). Constitucionalizando o absurdo Tratado Orçamental aprovado pela maioria e, coisa estranha, pelo PS, tornam-se definitivamente impossíveis as políticas em contraciclo. As únicas que realmente resultaram em crises de grandes dimensões noutros períodos históricos. Ou seja, Portas quer inscrever na Constituição o ponto de vista, que, neste momento, domina a ortodoxia política da direita e do pensamento económico em que ela se baseia.
Sobre as propostas fiscais de Paulo Portas, lamento não ligar uma pevide. Quem começa por apoiar a descida do IRC e a subida do IRS e do IVA, não pode dizer, sem corar, que pretende deixar de penalizar o trabalho e as famílias. Continuo a achar que os atos ainda valem mais do que as palavras. E os atos são os que conhecemos. Fazer estas promessas no mesmo momento em que se prepara a votação dum orçamento de Estado que se traduz num assalto sem precedentes ao trabalho e às famílias ultrapassa todos os limites da desfaçatez. Mas a data escolhida para esta apresentação serve para isso mesmo: ignorar o que se está a passar agora. Portas até fez propostas para quando Portugal tiver um crescimento de 2%.
Conclusão: Portas propõe a privatização de partes importantes de funções fundamentais do Estado - saúde, educação e segurança social -; defende uma lógica de contratação a privados de serviços públicos, garantindo o aumento do financiamento público a negócios privados; e quer constitucionalizar os cortes brutais no Estado. E pede, em torno disto e da profundíssima revisão constitucional que este processo revolucionário exigiria, um consenso político alargado. No fim, ainda quer que levem a sério este seu documento.
Haverá seguramente quem concorde com esta agenda política. Assim é a democracia. Mas pensar que ela poderia ser uma base séria para o início de um debate alargado sobre a reforma do Estado é achar que o pluralismo político é coisa do passado. O guião que Portas apresentou é, apesar de tosco, o de todas as clivagens fundamentais no debate político de hoje. Da explicação que dá para esta crise até à radicalidade do modelo social (e não apenas de Estado) que nos propõe. A clivagem entre a direita ultraliberal, em que ele agora alinhou o sempre adaptável CDS, e as correntes construíram o Estado Social. É que, apesar do PS ver nesta declaração escancarada uma "agenda escondida" (é preciso fazer um desenho?), não falta lá quase nenhum tema. Moderação? Gradualismo? Prudência? Estamos, definitivamente, no domínio da novilíngua.
Felizmente, e apenas nisso tem razão quem desvalorizou este documento, ele teve como única função desembaraçar Paulo Portas do vexame de andar há nove meses a alinhavar umas ideias sobre este assunto. Hoje, começa a debater-se o orçamento de Estado. Aí sim, está espelhado o verdadeiro estado de desnorte deste governo.
Publicado no Expresso Online

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