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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

"BADALHOQUICES SOCIALISTAS PORTUGUESAS"


Ditadura socialista do coronel Kadafi

Um documentário da BBC Four, citado pelo MailOnline de 25-1-2014, traz a público o horror da ditadura socialista do coronel Muamar al-Kadafi, na Líbia: a sua pedofilia sobre meninas e meninos, o sequestro, a tortura, o assassínio, até a conservação de cadáveres dos opositores em frigoríficos...
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Os políticos portugueses que, ao longe dos anos, mantiveram um relacionamento próximo com Kadafi vão fingir espanto. Mas, como dizia alguém, eles sabem que nós sabíamos que... eles sabiam muito bem do horror líbio e do seu patrocínio do terrorismo internacional. 
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Porque, muito antes, e de modo mais detalhado do que aparece nas notícias dos jornais, o poder político conhece o horror que esconde do povo. Prioridade aos negócios, que de Estado só têm o qualificativo dos estadistas que os aproveitam.
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Está também ainda por fazer a história do apoio líbio aos partidos políticos portugueses, nomeadamente o PS. Veja-se um excerto do livrode Rui Mateus, «Contos de um PS desconhecido», Dom Quixote, 1996, p. 63:
«Mas, Manuel Tito de Morais, nas funções de secretário-geral "interino" ia recebendo alguns donativos e, nesta matéria, "tudo o que vinha à rede era peixe". (...)
(...) Creio que até ao I Congresso, que teria lugar em Dezembro [de 1974], o único contributo significativo recebido pelo Partido Socialista tinha sido angariado no seguimento da visita de Mário Soares a Trípoli, em Novembro de 1974, onde se encontraria com o coronel Kadhafi, tendo, a partir daí, a conta da Associação António Sérgio sido rapidamente transferida para o Nederlandsche Middenstandsbank (Anexo 4) de Hilversum, na Holanda, que, posteriormente, viria a ser titulada por José Neves, também ele fundador do Partido em, Bad Munstereifel. Escrever-lhe-ia [Mário Soares] posteriormente, aproveitando a visita a Trípoli de José Neves e Catanho de Menezes para agradecer e exprimir a sua "admiração pelo interesse e ajuda que (Kadhafy) deu à luta e libertação do Povo Português" assim como para o informar de que o PS estava "de novo em condições de reabrir os nossos contactos com todas as forças que no mundo lutam pela libertação dos povos. Entre essas forças, tanto a Líbia como V. Ex.a jogam um papel fundamental.» 
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O contributo do coronel Kadafi «para a libertação dos povos», mormente do seu, era já então público e notório... E mais se sabia, depois quando José Sócrates, nos seus governos de 2005 a 2011, andou enternecido com o «lídercarismático» (sic) líbio, tendo o ex-primeiro-ministro visitado a Líbia «quatrovezes em seis anos» de poder.

Outros políticos tiveram contactos promíscuos com o regime líbio, e aturaram a loucura do coronel. Mas talvez nenhum tenha chegado ao nível do Partido Socialista. Porém, a indignação selectiva da esquerda negligencia sempre as culpas próprias.

E não apenas nos pragmáticos socialistas. Também está por estudar a questão tabu do financiamento e acolhimento em campos de treino para instrução de atentados e de colocação de bombas, ao terrorismo da extrema-esquerda portuguesa, às FP-25 deAbril e a alguns dos seus embriões (nomeadamente, um grupo do catolicismo militante do tipo montonero).

Publicado por António Balbino Caldeira

Limitação de responsabilidade (disclaimer):
O coronel Muamar Kadafy foi linchado em 20-10-2011, durante a guerra civil na Líbia. As demais entidades referidas nas notícias que comento não, que eu saiba, arguidas pelo cometimento de qualquer crime, nem suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, no caso das relações do Partido Socialista ou do Estado português com o ditador líbio.

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