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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

TRIBUNA DE MACAU: "HELDER FERNANDO ESCREVEU"


Mais destruições em 2014?

Helder Fernando 30 Dec, 2013


Com um pé em 2014, continuam os donos do mundo, de cada continente, de cada país, a dar cabo dele. O homem é realmente o ser mais destruidor entre todos os que conhecemos. O que se passa é o género de “o planeta governado pelas suas gentes”.
Uma cuspidura na via pública ou deitar para o passeio uma pastilha elástica ou uma lata de bebida, um saco de plástico, isoladamente podem não causar uma catástrofe ecológica, mas em conjunto contribuem bastante. Está tudo em cadeia.

Abafar os rios

Vemos, ouvimos e lemos que continentes inteiros estão cada vez mais frequentemente debaixo de chuvas nunca ou raramente sentidas. Vastíssimas áreas são submergidas por rios e mares que alagam cidades e campos levando nas destruições muitas vidas. 
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Fingindo serem cultos e modernaços, na sua balbuciadela habitual, os decisores mostram projectos, maquetas, belos empreendimentos muitas vezes fotocopiados de outros que por sua vez são gémeos de outros tantos, onda consta o desvio de trajecto e estrangulamento de rios, a sofreguidão dos aterros sem fim para neles se erguerem rapidamente torres de betão com milhares de gaiolas, muitas que irão ficar vazias por vários motivos, mas que entretanto encheram os cofres de uns quantos habitualmente beneficiados.
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As estruturas normalmente são péssimas nas habitações, nas estradas, em obras de colocação de condutas no subsolo. Com facilidade se observam situações destas cada vez mais repetidas, na negligência colaborante com o pior lado dos que decidem. Caem chuvas mais fortes e tudo é alagado mais e mais perigosamente. Acorda um rio que resolve enfurecer-se com tanta e sistemática provocação e a tragédia acontece.
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Em outros locais, a mão destruidora do homem ao serviço da ganância que enlouquece, arrasa florestas vivas, dizima espécies animais. Quase não é capaz de construir nada sem querer destruir tudo.

Poluente rico

Sem piedade, sentindo-se total dominador de gente, animais e espaços, o homem poderoso, rico de bens e impune dos males, aposta mais no apoio ao que imagina dar lucro gordo, fácil e rápido, do que em realizações benéficas para a Humanidade. Embora, devemos ter presente, o homem ser capaz de grandes realizações. 
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Quem terão sido os autores das pirâmides no Egipto, ou das pirâmides subaquáticas nos Açores, ou das pirâmides cobertas até agora pelo gelo na Antárctida?
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O homem tem a componente de génio que mostra em todas as artes, que o leva a conceber palácios, erguer arquitecturas notáveis, tecnologias extraordinárias, evoluções constantes na ciência médica, na aeronáutica, nas comunicações, na navegação espacial, nos sistemas de conforto das nossas casas, da climatização ao colchão que nos aconchega, a banheira de hidromassagem; da máquina que nos prepara as refeições, ao ecrã que nos mostra o mundo quase todo em tempo real. A genialidade humana é capaz do melhor. Os ávidos são capazes do pior.
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Petróleo, ferro, urânio, diamantes, ouro, outras preciosidades: palavras mágicas, tentadoras, que levam o homem a extrair do ventre da terra – perfurando-a, rebentando-a em crateras medonhas, invadindo os mares com bombas, matando com estrondo a fauna, poluindo oceanos, manchando tudo.
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Todos os dias temos notícia da revolta da  Natureza sempre com mais violência contra a extrema violência com que é atacada.

O homem inventa guerras, prostitui religiões, provoca doenças de toda a ordem, despudoradamente mascara-se com moralidadezinhas que dão pretexto à vassalagem para o controlo dos que desejam ir na contramão, dominá-los, mover-lhes intrigas, ostracizá-los antes de os aniquilar. Chega a julgar-se divino, o homem.

Nós por cá

A RAEM transformou-se com rapidez – e ainda este transformismo, pois de uma nova espécie de vida e de mentalidades se trata, não chegou a meio – numa megalópole avassaladoramente ocupada por uma população crescendo tão assustadoramente que deveria corresponder a várias áreas metropolitanas com a superfície de Macau ou maior. 
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Com tão imenso espaço neste país, pois é nesta antiga coloniazinha portuguesa que se vai fazendo tudo o que é desnecessário para o colectivo, mas necessário para uns quantos familiares e afins. Por algum motivo há quem olhe, guloso, para Macau, mesmo aqueles que dizem detestar o seu passado histórico e os respectivos descendentes.


* Radialista. Escreve neste espaço às segundas-feiras. 

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