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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

"NAPOLEÃOZECO DE MEIA-TIGELA"


Aguiar-Branco nega ter admitido a Garcia Leandro que nada sabia de Defesa


Aguiar-Branco nega ter admitido a Garcia Leandro que nada sabia de Defesa
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Ueslei Marcelino, Reuters

É com um “esclarecimento” de quatro pontos que o ministro da Defesa reage a duras críticas deixadas por Garcia Leandro numa entrevista emitida esta quinta-feira pela Antena 1. Além de reprovar a “pouca experiência” do atual Governo em matérias de Estado, o antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo assestou baterias a José Pedro Aguiar-Branco, revelando que este lhe teria confessado, ao assumir a pasta, não fazer “a mínima ideia” do que seria o sector. O governante nega-o. E lembra que não tem “a tutela das preferências pessoais” do general.

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Foi em entrevista à editora de Política da rádio pública, Maria Flor Pedroso, que o general Garcia Leandro revelou o teor de uma conversa que disse ter mantido com José Pedro Aguiar-Branco no final de outubro de 2011, quatro meses depois da tomada de posse do XIX Governo Constitucional. Na entrevista à Antena 1, Garcia Leandro estimou que o atual Executivo “não percebe nada do que é o Estado, para que servem as Forças Armadas e as forças de segurança”.
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“São pessoas que têm muito pouca experiência do Estado, são muito jovens na maioria, muitos fizeram a vida nos partidos políticos ou nas juventudes partidárias e, de repente, cai-lhes no colo o Estado que não conhecem”, reforçou.

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“No primeiro contacto, ele disse-me, no dia 28 de outubro de 2011: sabe, isto está muito difícil para mim, porque, se eu fosse ministro da Justiça, era mais fácil. Isto é uma coisa que eu não conheço, não faço a mínima ideia”, relatou o antigo presidente do OSCOT, que atribuiria uma outra afirmação a Aguiar-Branco: “Ao mesmo tempo, é muito bom, porque eu, não percebendo nada disto, tenho mais capacidade para fazer reformas. Isto não merece comentários”.


Numa nota de quatro pontos, o gabinete do ministro da Defesa procura agora desmentir as palavras do general, começando por sublinhar que Garcia Leandro não é “assessor, amigo pessoal ou confidente” de José Pedro Aguiar-Branco.
“Muitas vontades”
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“O ministro da Defesa teve o prazer da sua companhia uma única vez, ao longo do mandato, e em momento algum foi proferida a frase que bombasticamente lhe é imputada ou as restantes considerações relatadas pelo senhor Tenente-General”, lê-se no texto do Ministério.

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A roçar a ironia, o titular da pasta da Defesa admite, em seguida, “não ter sido possível acomodar, no processo de reforma em curso, as muitas vontades do senhor Tenente-General”. Para então assinalar que “não é ministro com a tutela das preferências pessoais do senhor Tenente-General Garcia Leandro”.

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“O ministro da Defesa Nacional reafirma o seu maior e profundo respeito pela liberdade de expressão e lembra que nunca se sentiu incomodado com as múltiplas e repetidas expressões públicas de discordância do senhor Tenente-General Garcia Leandro, ou com as suas aparições em campanhas publicitárias contra a reforma em curso”, conclui o gabinete ministerial.

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