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terça-feira, 4 de março de 2014

A CASA DOS FAVORES



APRESENTAÇÃO:


Os maiores grupos económicos portugueses dominam o Parlamento através das dezenas de parlamentares a quem garantem salários e consultadorias. 
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Estes deputados colocam-se na posição ambígua que decorre duma dupla representação: do povo que os elegeu e das empresas que lhes pagam.
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Discriminando:
Assim, quando o deputado Miguel Frasquilho aparece a defender em público  o Orçamento de 2014 em nome do PSD, fá-lo porque acredita que o Orçamento é bom para o País, ou porque este favorece a Banca, em particular o Grupo Espirito Santo ao qual deve obediência, enquanto funcionário?
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A discriminação continua:
A promiscuidade é, infelizmente, a regra. O presidente da comissão de Segurança Social, José Manuel Canavarro, é consultor do Montepio Geral, banco que atua na área da solidariedade.
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E continua ::
Na saúde, setor tão sensível, o deputado Ricardo Baptista Leite, é consultor da Glintt Healthcare , empresa fornecedora de hospitais.
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Continua:
Na área da defesa, há interesses privados representados pelo atual presidente da Comissão de Defesa, Matos Correia, advogado no mesmo escritório que o seu antecessor na função, José Luis Arnaut, cujo principal sócio é o ex-ministro também da Defesa, Rui Pena.
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E continua:
Na comissão de agricultura, Manuel Issac  tutela, em nome do Parlamento, um ministério que, por sua vez, influencia a atribuição de subsídios a empresas agrícolas em que detém participações.
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CONTINUA:
Também Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola e acionista da Zon, está representada no Parlamento, através do deputado Paulo Mota Pinto, administrador daquela empresa de comunicações.
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Atenção os deputados supra mecionados são todos do PSD, com a excepção do Ministério da Agricultura, que obviamente é do tal Partido Unipessoal (PP/CDS).
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A lista é interminável e assustadora.
Mas, mesmo assim, no debate sobre regime de incompatibilidades que há dias teve lugar no Parlamento, os deputados que transformaram a Assembleia, a casa da democracia, num escritório de negócios e favores, nem se dignaram a aparecer para se justificarem.
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Para restaurar alguma higiene democrática, exige-se que os deputados promíscuos se decidam: abandonem os cargos que ocupam em empresas que recebem benesses do Estado ou saiam do Parlamento cuja dignidade arruínam.
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Se o não fizerem de modo próprio, nem forem censurados pelos seus pares, terá chegado a hora de pedir uma investigação, a toda a Assembleia, pelo crime de tráfico de influências.
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DESTES SENHORES NÃO SE PODE CONFIAR NO QUE DIZEM, MAS, APENAS NAQUILO QUE FAZEM!...
Paulo Morais (ex-membro do PSD)
Professor universitário
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Além disso, vai chegar a hora das eleições para o Parlamento Europeu e todos nós teremos a feliz oportunidade de mostrar um cartão vermelho a estes vendilhões sem vergonha.
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Sejam eles do PSD, do PS, do CDS.
Mais valerá votarmos em toda a esquerda ou anulando o voto do que nestes canalhas que arruinaram e continuam a arruinar o País.
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Com tanto despudor que já têm no orçamento do Estado deste ano um "almofada" de umas centenas de milhões muito largas para nos prometerem o paraíso em 2015, ano de eleições para a casa dos horrores, aliás, Assembleia da República, para cativarem o nosso voto, mas nós não vamos esquecer e com o resultado da votação vamos obrigar o Presidente da República a dissolver a Assembleia e a formar um governo com gen te decente, competente e séria.
Está nas nossas mãos, não esqueçam.

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