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quinta-feira, 27 de março de 2014

"...ancas,rabos das polacas e a diplomacia a funcionar...."


São as portuguesas mais feias do que as outras?


Henrique Raposo

 Quarta feira, 26 de março de 2014


O filme repete-se. Amigos chegam do exílio polaco, brasileiro, italiano ou inglês e derramam a sentença fatal, pá, lá é que é, as mulheres aqui são muito defensivas, lá é que elas são giras, boas e fáceis. Será que é verdade? São as portuguesas mais feias e mais difíceis? 
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Bom, comecemos pela evidência ululante: sim, as portuguesas são as mais difíceis de todo o hemisfério ocidental, incluindo Azerbaijão e Arménia. Confirmo isso sempre que coloco os pés para lá de Badajoz e todos os amigos estrangeiros que passaram tempo em Portugal também assinam por baixo: a portuguesa é a mulher mais difícil de levar para a cama. 
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Não é opinião, é facto. Não é por acaso que os meus amigos julgam que estão no paraíso quando saem à noite na Polónia, Brasil, EUA ou Inglaterra: depois de uma vida a tentarem seduzir portuguesas, tudo aquilo é demasiado fácil. É como treinar com o Bayern e Barcelona para depois jogar com o Águias da Musgueira ou Pinhalnovense..
Quando ando nas ruas de Lisboa com o meu velho, ele tem a tendência para considerar que "aquela e aquela só podem ser brasileiras ou da estranja". Não, pai, não são, são portuguesas. Mas o meu velho tem direito ao equívoco, os meus amigos não têm. Eles sabem perfeitamente que as nossas são tão boas ou melhores do que as outras. 
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Já repararam que as ancas e rabos das polacas parecem a A2 num dia calmo? O problema, parece-me, está no facto de as portugueses serem "menos vistosas", para citar a minha mãe. Não se arranjam tanto, produzem-se menos no dia-a-dia. Mas de quem é a culpa? Delas ou nossa?
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As portuguesas continuam a arriscar pouco na roupa e afins por causa da reacção bárbara do Zé Tuga, olha, olha, a gaja boa. Se vestissem aquilo que as polacas ou checas vestem, as portuguesas seriam consideradas como quengas nos locais de trabalho, na rua, até em casa. Uma mini-saia não coloca dilemas à gestão de reputação da polaca, húngara ou americana
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Mas uma portuguesa tem de fazer essa gestão todos os dias, uma gestão que faz dela a mais difícil. Portanto, a culpa é nossa, do Zé Tuga. Continuamos a ter conversas e a olhar para as mulheres de uma forma controladora. 
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Aliás, olhamos para elas como os mercadores de escravos do Gladiador, sim, senhora, deixe lá ver o dentinho. Há dias, uma amiga linda de morrer que foi morar para a estranja resumiu assim a questão: sabes, aqui não me sinto controlada no trabalho e na rua. António Variações dizia "lá vai o maluco, lá vai o demente, lá vai ele a passar". Se trocarem "maluco" por "galdéria", ficam com o retrato do problema. 
27 Março 2014
A reacção do Sr. Embaixador da Polónia acreditado em Lisboa.
"Como Embaixador da Polónia em Portugal, nos meus esforços no campo da diplomacia pública, tento sempre enfatizar os fortíssimos laços entre as sociedades portuguesa e polaca e tento trabalhar todos os dias a favor da imagem positiva das nossas duas nações. 
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Foi com grande pena e surpresa que reagi ao texto "São as portuguesas mais feias do que as outras?" escrito por Henrique Raposo e publicado na página da internet do semanário Expresso (aqui).
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Nós não contamos que, num jornal tão prestigiado - seja na página oficial ou na edição impressa - haja espaço para comentários tão sexistas e vulgares, prejudiciais para as nossas relações mútuas e a cultura de vínculos cotidianos entre a Polónia e Portugal
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Associamos sempre o Expresso a jornalismo de excelência, com temas importantes e atuais e comentários perspicazes sobre a vida pública - resumindo, com o que de melhor se faz na imprensa portuguesa.
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As relações entre a Embaixada da República da Polónia em Lisboa e o Vosso semanário sempre foram exemplares e muito frutíferas e eu, pessoalmente, com grande satisfação tenha publicado nas Vossas páginas os meus textos, tendo também em conta que, no futuro, o Expresso possa ser nosso grande amigo. Assim, foi com o maior pesar que tomei conhecimento deste texto chocante.
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Recebemos reações de mulheres polacas chocadas que se sentiram profundamente ofendidas por esta publicação sexista. E o Sr. Raposo não só ofende as mulheres polacas, inglesas ou brasileiras, mas também as portuguesas, cujo valor é avaliado apenas em termos de serem " boas" e "fáceis". 
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O "artigo" de Henrique Raposo reforça o estereótipo de que os homens portugueses são sexistas e machistas, vendo as mulheres apenas como objetos sexuais e avaliando-nas só atraves de valores sexuais. No geral, o comentário é portanto também muito desfavorável para Portugal. E esta publicação torna-se, assim, prejudicial para as relações lusopolacas.
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A nossa Embaixada também recebe por diversas vezes indicações de casos de disseminação do estereótipo negativo dos portugueses na Polónia, mas nós esforçam-nos para garantir que este estereótipo não seja duplicado nos meios de comunicação polacos.
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Esperamos, por isso, que os representantes da gestão do Expresso tomem uma posição quanto a este assunto.
Com os meus cumprimentos,
Bronisław Misztal
Embaixador da República da Polónia em
Portugal

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