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quinta-feira, 20 de março de 2014

Mas que raio de democracia é esta?!...

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Razões de natureza vária obrigaram-me a um intervalo no contacto que venho mantendo com os que dedicam alguns minutos à leitura dos comentários que vou publicando, intervalo esse aproveitado para a escolha de algumas situações e ocorrências de âmbito nacional e que constituem a razão de ser do título escolhido.

E são tantos os “eventos” que esta democracia de trazer por casa nos oferece, que a dificuldade está na escolha. Vejamos, então.
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Comecemos pelo estado da “saúde” na Saúde, justificado pelo avolumar de situações que, só por si, poderiam preencher a prosa de hoje. Na verdade, desde o “milagre” de médicos que conseguem estar em estabelecimentos hospitalares diferente em simultâneo ou que se encontram a “fazer pela vida” na actividade privada, quando oficialmente é justificada a sua presença em estabelecimentos de saúde pública, passando pelos sucessivos casos de receitas médicas apenas destinadas a “sacar” ilegalmente avultadas comparticipações do SNS, sem esquecer a falta de determinado tipo de medicamentos, “desviados”, segundo publicitado pela comunicação social para mercados financeiramente mais atraentes, de tudo se encontra, de modo que a expressão “é sacar, vilanagem” poucas vezes terá mais razão de ser para usada ser…
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E como classificar o jogo do “agora empurro eu, a seguir empurras tu”, a que assistimos nas duas manifestações das forças de segurança, muito em especial no que diz respeito à primeira delas, “jogo” com um desenrolar de antemão conhecido, e em que tomaram parte “jogadores” usando “equipamentos” que permitiam admitir, com grande possibilidade de êxito, tratar-se de elementos estranhos às “equipas” que se defrontavam, mas com funções bem definidas?
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E que comentário pode merecer o “Manifesto dos 70”, não pelo seu teor, que não pretendo analisar, até por não ter formação académica adequada, mas pela identidade das personalidades que o assinaram, talvez na esperança de que a fraca memória dos portugueses já tivesse esquecido as responsabilidades da grande maioria daquelas, por acção ou omissão, em muitas situações e comportamentos que conduziram o país à situação de verdadeira calamidade em que se encontra?
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E como classificar a atitude de quem, através de uma posição garantida como “irrevogável” e que pouco depois seria “invertida”, sem mais consequências políticas do que um prejuízo de uma “ninharia” de centenas de milhões de euros para o erário público?
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E que dizer das vergonhosas prescrições de processos envolvendo chorudas maquias, numa prova, já desnecessária, atendendo ao que a “justiça à portuguesa” já nos habituou, da existência de uma justiça, ou melhor, da falta dela, para ricos e de uma outra para os pobres?
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Isto para não falar da possibilidade dada a alguém que se constituiu no principal responsável político pela entrada da troika em Portugal, em semanalmente se apresentar na televisão pública, paga com o dinheiro dos mesmos portugueses que tanto lesou, procurando explicar o que explicação não tem e lançando sobre outros responsabilidades que, na sua maioria, só a si podem ser assacadas…Mas, diga-se em abono da verdade, que os actuais responsáveis, independentemente da situação herdada, frequentemente parecem apostados em seguir os maus exemplos…
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Mais, muito mais, poderia ser referido – e espero voltar a este tipo de comportamentos e situações- mas penso que o exposto justifica plenamente o título escolhido para esta minha intervenção…
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Na verdade, e respondendo à minha própria interrogação, vivemos numa democracia do “faz de conta”, pouco mais do que meramente formal e virtual, numa verdadeira “partidocracia”, numa ditadura de partidos. E estou a referir-me aos representados no Parlamento.
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E é minha convicção que o poder instituído, na defesa dos seus ilegítimos interesses, directamente ou através de terceiros, mesmo que por vezes aparentando    “inimigos” serem, tudo fará para que os que lutam por uma mudança, por via democrática, que altere profundamente o regime vigente, colocando os políticos ao serviço do povo- e nisto consiste a verdadeira democracia-através de um sistema eleitoral em que não haja “eleitos” mesmo antes das eleições, como presentemente sucede, mas em que sejam os eleitores a escolher entre os candidatos os que mais garantia lhes oferecem.
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Por outras palavras: se não existe CIDADANIA e luta pelo BEM COMUM, também democracia não existe!
 cap.barros@hotmail.com

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