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segunda-feira, 7 de abril de 2014

NEGÓCIOS DA LAURINDINHA BORRADA - PORTUGAL É "UMA MÁQUINA DE LAVAR DINHEIRO"


Negócios luso-angolanos criticados no “Le Monde”


Negócios luso-angolanos criticados no “Le Monde”
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Olivier Hoslet, EPA

Na ressaca da Cimeira entre a União Europeia e países do continente africano, os negócios de Lisboa com Angola, Guiné Equatorial e Moçambique traçam o azimute de um artigo do Le Monde fortemente crítico para os dirigentes portugueses, por fazerem negócio com quem quer que lhes estenda uma mão com dinheiro, mas também para com os líderes africanos, acusados neste artigo do jornal francês de suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e, não menos grave, de ignorarem os Direitos Humanos nos seus países.

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O artigo surge na edição de quarta-feira – estando disponibilizado no online do Le Monde – e é um trabalho da jornalista Claire Gatinois, enviada especial a Lisboa. Hoje é precisamente o dia em que termina a cimeira União Europeia/África, um encontro que representa para o Velho Continente o recentrar de atenções sobre os ganhos económicos que poderão advir do outro lado do Mediterrâneo.

No texto “Os recursos de Angola semeiam a confusão em Portugal”, Claire Gatinois afirma que “Portugal já pesou os ganhos que representam as suas ex-colónias para a sua economia, desgastada pela crise e pela austeridade”, acrescentando: “mesmo que às vezes isso choque os defensores dos Direitos Humanos”.

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A jornalista francesa faz ainda o desenho do périplo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho em solo africano, para lembrar os acordos celebrados com Moçambique e com a Guiné Equatorial, futura parceira de Portugal na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

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Sobre este último, lembra o Presidente Teodoro Obiang, um dos chefes de Estado mais ricos de África, mas em cujo país uma em cada dez crianças morre antes dos cinco anos (números da Unicef).
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Recorda ainda que um dos filhos de Obiang está a ser investigado em França por suspeita de lavagem de dinheiro, para acrescentar que “pouco importa. O Governo da Guiné Equatorial assinou um acordo para comprar uma participação no Banif, banco português nacionalizado”.

Portugal é “uma máquina de lavar dinheiro”
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Sobre as relações com Angola - “um dos países mais corruptos do Mundo, segundo a Transparência Internacional” -, a quem Portugal “escancara os braços”, a jornalista cita Celso Filipe, autor de um livro sobre a investigação ao poder financeiro de Angola em Portugal. 
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Refere que Luanda investiu em mais de 20 empresas portuguesas, algumas cotadas na Bolsa, na área do petróleo, na banca, na imprensa e no setor agroalimentar: Galp, os bancos Bic, BCP, BPI, Unitel, Cofina, Impresa ou a Cofaco, são alguns do exemplos apontados no artigo do Le Monde.  
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Segundo Celso Filipe, 10 a 15 milhões de euros foram injetados na economia portuguesa e a maioria dos rostos destes investimentos são de personalidades próximas do Presidente José Eduardo dos Santos, que antes da sua reeleição em 2012 procurou criar uma “boa reputação” para Angola.

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O artigo aponta como grandes investidores Isabel dos Santos, filha do Presidente, Manuel Vicente, o seu vice-Presidente, o general Kopelika, Manuel Hélder Vieira Dias, e preconiza para breve a entrada em cena outro filho de Eduardo dos Santos: José Filomeno dos Santos, quem gere o fundo soberano de angola, avaliado em cinco mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros).
Já o jornalista e ativista angolano Rafael Marques acusa Portugal de ser “uma máquina de lavar dinheiro roubado do povo de Angola”. 
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Para o responsável em Portugal da Transparência Internacional, João Paulo Batalha, com a crise, Portugal “teve a oportunidade de limpar a corrupção no país, mas optou por exportá-la [através da implantação de empresas portuguesas em Angola, em particular na construção civil], e de eliminar as barreiras da integridade [escolhendo] fazer negócios com qualquer um”.
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“Nós temos necessidade do dinheiro de Angola, mas Angola precisa de nós”, considera Celso Filipe, citado no artigo. “Há sem dúvida um pouco de hipocrisia, mas não é só em Portugal. A família dos Santos tem investido noutros lugares na Europa”, lamenta.
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