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segunda-feira, 14 de abril de 2014

"NO TEMPO DA CHACHADA"


Sou um, dos ainda vivos, que assistiu à grande “chachada” do 25 de Abril de 1974. Era então um jovem na casa dos 39 anos e já com 16 anos no lombo, em África, repartidos por Angola, Moçambique e Rodésia do PM, branco, Ian Smith. 
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Não cheguei ao aeroporto da Portela, em Lisboa, com o estatuto de retornado e com a ajuda dos da “puta que os pariu” do IARN  que concediam uns tostões aos desgraçados, dos portugueses abandonados, que tiveram que fugir de Angola e Moçambique com a roupinha do corpo para salvarem a pele. 
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Pois eu cheguei a Lisboa com mil dólares, americanas, e uma caixa de ferramenta de mecânico para ganhar a vida, se necessário, debaixo de uma árvore a reparar carros. 
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Passados 4 dias de regressar ao Porto estava a trabalhar na arte para os lados de Ramalde de Pereiró com o ordenado, estipulado pelo sindicato dos metarlúgicos, de 8 contos.
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Cheguei dois anos, depois, da Revolução do Cravos e no meu país que eu tinha deixado 16 anos antes  estava uma autêntica "merda". 
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Havia comunistas infiltrados em todos os cantos. A companhia que me empregou possuía 24 trabalhadores e deste conteúdo só os dois patrões (pai e filho) e eu não éramos comunistas. 
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Estive, apenas 8 meses em Portugal e parti novamente para agarrar os cornos do mundo porque o mundo, Portugal que fui encontrar já nada havia para agarrar. 
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Passados 40 anos portugal está tal qual (talvez pior...) como o que a imagem acima o transmite.

José Martins

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