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sábado, 12 de abril de 2014

TECLOU: BRASILINO GODINHO

Como diria a Ti Maria dos Canaviais: Pão, pão! Queijo, queijo!
Os cidadãos que se expõem ou são expostos nas montras da praça pública sobressaem do anonimato e, em muitos casos, de tão continuadas presenças e badaladas referências às suas pessoas e às actividades que desenvolvem, passam à categoria de figuras públicas. 
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Sobre tais humanas criaturas se concentram curiosidades, elogios, censuras, invejas, malquerenças – uma amálgama de sentimentos e reacções. 
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Enfim, um rosário de ocorrências agradáveis ou incómodas, conforme a natureza das arremetidas a que vão sendo sujeitas como alvo preferencial da curiosidade que suscitam, do apreço em que são tidas ou da aversão que lhes é devotada. 
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É o ónus que é inerente a tal condição de visibilidade pública. O escriba, aqui escrevendo o presente texto, vê-se hoje no papel de figura colocada num maior espaço público de observação e de julgamento opinativo dos seus semelhantes. 
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É uma posição que envolve muitos aspectos responsabilizadores, mas que ele há muitos anos sente preponderante na sua existência. Logo (anos cinquenta), no início dos tempos da extensa e diversificada actividade profissional. 
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A partir dos anos 80 reforçada com a actividade de cronista de opinião com prestações em periódicos e as edições de três obras literárias; a última, das quais, o ensaio A QUINTA LUSITANA, terá sido a obra sobre a qual mais foi exercida a aberrante censura prevalecente desde a revolução vitoriosa do dia 25 de Abril de 1974 - um procedimento ilustrativo da podridão, falsidade e hipocrisia, reinantes no actual regime pervertido, mascarado de democrático. 
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Desde 14 de Dezembro de 2012 até à actualidade, Brasilino Godinho tem sido mimado, acarinhado, enaltecido, festejado, com motivação nos seus ‘desempenhos académicas’. Jornais, revistas, rádios, todas as televisões portuguesas, transmitiram notícias, reportagens e entrevistas a festejarem a licenciatura do cidadão determinado, estudioso, atento e empenhado nas grandes causas, que sou. 
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Escrita esta introdução, vale trazer à colação aquele dito que ousamos atribuir à Ti Maria dos Canaviais, da grande região saloia: Pão, pão! Queijo, queijo! Ou seja: nada esconder! Isto é: a vida do cidadão em causa, não se compõe só de sucessos e de graças; também de desenganos e de coisas com menos graça e, às vezes, com mistura de maiores ou menores desencantos. 
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O que tudo bem composto e em conformidade de são critério, implica ser tu cá, tu lá, com a realidade nua e crua de uma vivência que, no seu caso pessoal, se tem como norteada por critérios de seriedade e autenticidade. 
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Daí que, se tenho sido contemplado com muita generosidade e certo aparato que põe o indígena que sou nos píncaros da esplendorosa lua cheia, considero essencial ter os pés bem assentes na terra, não vá acontecer perder o equilíbrio e com isso defraudar a confiança e admiração que me foram concedidas neste tempo de efémera glória terrena.   
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A partir deste ponto e em consonância de princípios atinentes à plena afirmação do primado da inteligência, da moral, da dignidade, da igualdade, da fraternidade e da liberdade, naturalmente compaginados em unívoca conjunção e preponderância factual, venho prevenir os leitores quanto a algumas fragilidades tidas como fracas credenciais de um sujeito idoso submetido ao vosso acolhimento e benévola atenção. 
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Pois que ele vem apoiar-se numa recente apreciação de que foi objecto para neste escrito vos denunciar os detectados, preocupantes, sintomas de estar voltando à meninice… 
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Se o mesmo, ora famoso(…) Brasilino Godinho, sempre teve a preocupação de não voltar costas à luta em prol do que foi admitindo como justo, nos últimos anos que leva de escrita e de estudos académicos, tem-se acentuado, nele (imagine-se…) a tendência para aquilo que o próprio vai designando como pegar os touros pelos cornos. 
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Pegas que nunca fez nas praças de touros mas, sim, naquelas arenas dos espaços político/sociais de que já, no século XIX, falava o inesquecível poeta micaelense Antero de Quental. 
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Porém, acontece que há muito boa gente, recomendada por parte de grandes famílias da sociedade lisboeta, que não vai à bola com estas histórias de pegar os touros pelos cornos nas arenas da brava luta pelos grandes valores da cidadania e do bem-estar das populações. 
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Preferem deixar os bois a pastarem, sem entraves, nas amplas lezírias pantanosas indicadas pelo Engenheiro António Oliveira Guterres. Nem, sequer, os querem pegados de cernelha. Gostos… Feitios… Interesses de produção pecuária (ou pecuniária?)… Pelo que decidi informar que nem tudo é um mar de rosas na vida do cidadão em causa. 
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E se já bastava, como sobrecarga insuportável, viver angustiado num asfixiante pomar de imensas laranjas amargas, paredes meias com um doentio Olimpo, fantasioso, perverso, superlotado de assembleias, de plenários, de mesas redondas e quadradas e dos incríveis mercados, feiras, lotas de todas as obscenidades beijoqueiras, há que dar a notícia de que - segundo a avaliação feita por uma conhecida personalidade, altamente colocada no seio da sociedade lisbonense (e que hoje me deu a conhecer, por mensagem através da Internet) - o Brasilino Godinho estará irremediavelmente possuído de uma importante deficiência: faltar-lhe-á “um pouco de bom senso” – seja lá isso o que for e em que medida traduzível numa perceptível e convincente quantidade; também,  necessariamente, pesquisada face aos contrastes limitativos entre o pouco senso, um pouco de bom senso, o simples bom senso, o regular senso , o vulgar bom senso, o maior bom senso, o menor ou menos bom senso e o mau senso… 
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Mas dado indiciador da clarificadora avaliação parece ser o de que em matéria de bom senso e sendo este tão residual na minha pessoa, em tão diminuta quantidade (somente um pouco), estarei numa situação de pobreza franciscana.  
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Aliás, estádio de penúria condizente com a pobreza generalizada promovida por Passos Coelho, guia supremo do governo nacional – o que, anote-se, pela força das circunstâncias, patenteia um convincente quadro/testemunho da situação vigente. Mais quero transmitir, com origem de informação na mesma atenciosa fonte, outra terrível opinião: terei caído desastradamente no ridículo… 
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Falta, tiro e queda, quais acidentes mostrados no meu recentíssimo apontamento - sobre o morticínio reconhecido pelo vice-presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. João Cunha e Silva - que vos enderecei ontem. Assim, presumo que, logo após a leitura deste texto, os meus leitores ficarão numa desconfortável e cansativa expectativa derivada da interrogação: irá o Brasilino Godinho encontrar algures, numa terra não prometida e por demais ignorada, o perdido bom senso 
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Pior, ainda: Será que ele conseguirá levantar-se do horrendo ridículo?... Qual de vós arriscará uma tripla, num hipotético concurso de prognósticos? Mas dando de barato e mui ciente de que me falta o famigerado bom senso… (que, pelo visto, lido e respigado, será apanágio do meu ilustre avaliador) afirmarei que melhor seria que não faltasse o autêntico a quem daquele faz descabida alusão. 
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Porque desse tal, específico bom senso, prescindo resolutamente!... Entretanto – e não obstante -  com este texto pretendi executar um salutar exercício de higiene mental e trazer os leitores à realidade de que tenho fragilidades e que estou longe de ser um super-homem… 
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Finalmente, aqui fica expresso um pedido endereçado aos leitores que já conhecem o Brasilino Godinho há muitos anos: não tenham pena dequem, afinal, vê consagrada - por tão alta personalidade* - a sua indesmentível carência do tal paradigmático bom senso e que, sem sombra de dúvida, para mais agravar a péssima impressão causada na privilegiada mente examinadora, se contempla na ridícula configuração do ridículo que, como acutilante arma de agressão, lhe foi lançado… Espero ter conseguido o amplo e reconfortante entendimento das minhas estimadas leitoras e dos meus caros leitores.
Fim

* Por não ter sido previamente solicitada a respectiva anuência da personalidade avaliadora e por motivos óbvios, não é identificada a fonte da avaliação.

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