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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

As capas dos jornais e as principais notícias de Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014.



Capa do Correio da Manhã Correio da Manhã

GNR reformado abusa de quatro crianças
Inspetora da PJ mata por herança milionária
‘Masterchef’: Chefs queimados em casting da TVI
Falta de vagas investigada
Perdem dois anos por erro da escola
Irina em biquíni apoia os Olímpicos de Inverno
Conheça a chave do Euromilhões desta terça-feira

Capa do Público Público

Sair pela porta da frente, ou pela porta dos fundos?
Visão holística da saúde é cada vez mais necessária
A ciência como investimento
Constrói-se um caso
Quadrilátero do Minho defende que fundos comunitários deviam ter sido discutidos com as regiões
Desunião das esquerdas: entre as elites desavindas e as eventuais soluções
As praias feias

Capa do Diário de Notícias Diário de Notícias

Veleiro com três polacos encalha junto à Praia do Castelejo
Cidadãos temem que nova face da Colina seja para "ricos"
Arquiteta alerta para "deslizamento de terras"
A esperança exige luta
Em defesa do trouxe-mouxe
Há alunos que prometem contar como são as praxes
Sete mil crimes prescreveram em cinco anos

Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

Morgan Stanley vai pagar 925 milhões por fraude
GNR internados após beberem detergente em vez de chá
Licenciados sem emprego há mais de um ano crescem até 81 mil
Chuva deverá continuar até ao dia 13
Trabalhadores da TV pública catalã bloqueiam direção em sala
Ator morto tinha 70 doses de heroína em casa
Queda de muro mata homem que passava na rua

Capa do i i

Polícias. Manifs encostam Miguel Macedo à parede
E zombies inspiram campanha de dádiva de sangue
Saúde. Tempos de espera inspiram publicidade no privado
Lisboa. Ferroviários invadem linha contra fim de regalias
Diário de uma das vítimas serve de apoio a investigação da PJ
Maioria formaliza excepções da CES para pensões de viuvez e militares deficientes
Bullying. Prática que acompanha gerações e não escolhe sexos

Capa do Diário Económico Diário Económico

Venda dos Miró cancelada deixa secretário de Estado da Cultura sob pressão
Bancos nacionais descem preço do crédito para mínimos de 2010
RTP, SIC e TVI disputam sorteio de automóveis do Fisco
Posição do Estado nos CTT valoriza mais de 50 milhões em dois meses
Divergências com Queiroz Pereira explicam saída de José Honório da Portucal
Governo obrigado a pôr mais 140 juízes no terreno para garantir reforma
Acções da Espírito Santo Saúde arriscam preço mínimo

Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

Reorganização da rede do ensino superior conhecida no final de Março
CDS apoia venda de Miró para aliviar o "fardo" do BPN sobre contribuintes
Governo recua na devolução de 30 milhões a universidades
Presidente do Eurogrupo abre a porta a nova ajuda à Grécia
Keynes ou competitividade?
As fúrias do Cáucaso
Muro de ilusão

Capa do Oje Oje

Vestas sai do vermelho pela 1.ª vez desde 2011
Fortum perde 15% com queda no industrial
Neste Oil ganha 230% com biocombustíveis
KPN recua 6,7% mas arrecada 293 milhões
70% dos interessados no imobiliário português são novos no mercado
C&W comercializa lojas do novo edifício Opera LX
B. Prime e Abacus Savills colocam Subsea 7 na Torre Zen

Capa do Destak Destak

Governo tailandês instou Comissão Eleitoral a concluir eleições
Detidos em Nova Iorque alegados fornecedores de droga a Philip Seymour Hoffman
Economia indonésia cresceu 5,78% em 2013, o menor crescimento em quatro anos
Pescador vai regressar a casa depois de 13 meses perdido no mar
Ministro da Defesa da Coreia do Norte pode ter sido despromovido no posto de general
Plano de pacificação na Venezuela arranca sábado, disse Nicolás Maduro
Coreias discutem encontros entre famílias separadas

Capa do A Bola A Bola

Mosquera já tem o certificado
Iniciados: Sérgio Segão (Paio Pires) está suspenso
Alvarinho vai jogar na Polónia
Oportunidade para Herrera
Jefferson um mês de fora
Jesus não poupa na Taça a pensar no derby
Ashley Cole pode voltar ao Arsenal

Capa do Record Record

Álvaro Figueira: «Querem tirar mérito à vitória»
Sem treinos bidiários na semana do dérbi
João Real: «Momento dá confiança e pode disfarçar cansaço»
Um aniversário diferente
Miguel Rosa reaparece e assume influência
Gémeos de Roriz juntos de novo
Taça Libertadores: resultados e classificações

Capa do O Jogo O Jogo

Capela pára um mês
Cotton quase morreu a superar McNamara
FPF dá os parabéns a Cristiano Ronaldo
Jornal alemão chama Einstein a Guardiola
Provocante! Irina apoia Sochi'2014
Outra camisola do Brasil para o Mundial
Estádio de Curitiba ainda "está" no Mundial

"OS MALEFÍCIOS DA BICICLETA"



O VIGARISMO POLÍTICO

Mário Soares, O Empacotador de Bancarrotas
Portugal, em 1976, escassos dois anos após o 25 de Abril estava na bancarrota. No mesmo ano em que aprovou uma Constituição que garantia o nosso caminho airoso para uma "sociedade sem classes" mas que não fez tossir demasiado os que, dois anos antes, ainda não falavam essa linguagem.
Sem as despesas brutas da guerra no Ultramar que passou a chamar-se de um dia para o outro, literalmente, "guerra colonial"; sem os encargos ainda vindouros do retorno dos portugueses que tinham ido para Angola e Moçambique, Portugal já devia as penas aos passarões dos nosso credores externos.



Entre o fim da loucura governativa que se sucedeu até Agosto de 1975 e ao V Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves,  militar convertido ao Comunismo em meia dúzia de meses, e o primeiro governo Constitucional, em Julho de 1976 e chefiado por Mário Soares e que durou até Janeiro de 1978, houve o VI Governo Provisório, chefiado por Pinheiro de Azevedo, mas recheado de personalidades de bloco central e marcadamente de esquerda moderada. Basta dizer que nesse governo o ministro das Finanças era Salgado Zenha.  E Rui Machete era o ministro dos "Assuntos Sociais". Fica tudo dito.
Portanto, desde 1975 que o destino de Portugal esteve entregue à esquerda, primeiro comunista e depois a socialista, democrática.  O resultado desta governação em tandem com um Conselho da Revolução esquerdizado e radical? A primeira bancarrota, empacotada devidamente pelo magnífico Mário Soares. Assim, como contam os "recortes" de jornais da época e que como o algodão da publicidade não deixam mentir:
Em 12 de Agosto de 1977 já estávamos com a corda na garganta e O Jornal perguntava o óbvio:


E explicava o óbvio na página oito:

Em 26 do mesmo mês, a capa fatal já aqui mostrada:


O que faltou explicar foram as circunstâncias desta primeira bancarrota. Nas páginas interiores escrevia-se o que Mário Soares e apaniguados agora não querem lembrar:
E como é que o Mário Soares, empacotador de bancarrotas, reagia a estas desgraças públicas? Ora... fazendo o contrário do que agora defende. Em 4 de Novembro de 1977 no O Jornal...a única solução que via era o "consenso", o acordo entre partidos do "arco governativo".  Os portugueses em geral, esses, andavam entretidos com as aventuras do coronel Jesuíno. Da telenovela Gabriela, entenda-se. Já ia no 123 episódio e era um lenitivo para estas misérias.
Não obstante estes esforços denodados para empacotar a bancarrota a verdade é que em Fevereiro de 1978 ainda não tínhamos acabado o calvário. E Medina Carreira que o diga porque deve lembrar-se do que então dizia ao O Jornal de 3 de Fevereiro de 1978. 

Claro, como muita gente diz, "isto agora não interessa para nada"... e de facto, pouco interessa, a quem se lembra. O problema é que há milhares e milhares e milhares que não se lembram, algumas centenas que não querem lembrar-se e outros milhares de milhares que nem sabem que foi assim.

É para esses que fica aqui o registo. Para memória futura. E para saberem quando começaram os "pacotes" que nos têm dizimado o progresso e onde começou verdadeiramente o nosso "empobrecimento".  E já agora quem foi verdadeiramente o empacotador. 
29 de Janeiro de 2014

SE NÃO FEZ FAÇA A MARCAÇÃO...

.... não deixe para amanhã o que pode fazer hoje!
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"OS AUTOMÓVEIS E OS TIOS PENICOS PORTUGUESES"

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Se não sabia fica a saber que os penicos são uma parte da vaidade dos portugueses/as e a glorificação do buraco defecatório.
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Clique na imagem para o resto

Fernanda Fernandes/Hermano Soares/Paulo Nunes
Compraram-se mais carros em Janeiro deste ano do que no mesmo mês do ano passado. O aumento das vendas pode estar na renovação das frotas das empresas. Para aumentar a procura por parte de particulares, a Associação Automóvel de Portugal defende agora o regresso aos incentivos para o abate dos veículos mais velhos.
A história verdadeira do Tio Penico
Tio Penico na minha aldeia no sopé da minha (orgulho de ser serrano) Serra da Estrela havia um pastor e dono de um rebanho de umas 30 ovelhas leiteiras que apascentavam nas terras do Aljão. 

Naquele tempo (1940) os homens serranos, como não tinham rádio e televisão, entretinham-se a fazer filhos às mulheres e o Ti Penico já ía no feito de embarrigar a mulher 17 vezes. 

Abençoado garanhão, serrano. porque toda a filharada vingou! Uma família feliz, mesmo assim, com seus filhinhos sujinhos e de ranho a saltar-lhe das narinas do nariz. 

Durante a II Guerra Mundial os campos das terras do Aljão foram devassados, pastagens do gado vandalizadas porque apareceu, a céu descoberto o minério "cassiterite" um granulado preto que seria exportado para a Alemanha e Reino Unido.

Numa das courelas do Ti Penico foi descoberto este minério e da noite para o dia o Ti Penico voltou rico. 

As ovelhas do Ti Penico foram comer para outras pastagens ou vendidas ao, oportunista, samarreiro que além de lhes vender as carne curtia as peles para golas de samarras e safões de agazalho das pernas. Riqueza de momento, felicidade na casa do Ti Penico. Quatro relógios dois acorrentados a ouro no bolso do colete e mais outros dois nos pulsos. 

Comida, farta, para casa uma das especialidades eram as pequenas barricas de enguias chegadas da Murtosa e compradas na taberna do Ti Manel da tia Lurdes. 

A guerra acabou e antes desta chegar ao fim o Ti Penico está na miséria porque o minério terminou na sua courela e o dinheiro também.   

Os portugueses (agora e antes)  hajam sido uns Tios Penicos!

José Martins

ADVOGADOS DO DEMÓNIO

 

Escritórios dos advogados do diabo - poder politico/económico


Os advogados do diabo

Em Portugal, os escritórios de advogados são activos propulsores da corrupção. 

- Nas maiores sociedades de advogados, cada advogado ganha cerca de 115 mil euros/ano. 

- Encontramos, entre estes advogados, figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria». 

- Possuem ligação, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e a executivos municipais.

- Os advogados com nomes sonantes têm sido nomeados para o Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado.

- São ainda eles que recebem por encomenda governamental, a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos (grandes negócios e grandes despesas onde o estado sai quase sempre lesado).

- Enquanto docentes universitários, conferencistas e comentadores têm poder sobre a opinião pública. 

- Possuem ainda ligações aos grandes grupos económicos capitalistas.

- Funcionam como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.

- Conclui-se que têm contribuído para a subordinação do poder político ao poder económico. 
Marinho Pinto denuncia... 
A contratação Pública.
Os pareceres.
Paulo Morais, denuncia.
60 milhões, em pareceres!

Os ganhos dos escritórios mais poderosos.

Segundo Paulo Morais, a forma como legislam, só é possível em Portugal e em África. Os advogados fabricam leis com buracos e erros e passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles fizeram mal.  Por exemplo, um escândalo... o código da contratação pública foi feito pelo escritório do Dr Sérvulo Correia, e só em pareceres para explicar o código que ele próprio fez, já facturou 7 milhões e meio de euros. Mas mais corrupto ainda é que estes escritórios intervêm de forma inconstitucional no processo legislativo, executivo e judicial o que viola a lei da separação dos poderes, o que requer intervenção do presidente da república.

Os mais poderosos 
Em Portugal marcam presença activa – as sociedades internacionais de advogados, algumas de âmbito mundial. Exemplo é o escritório Linklaters (remonta ao século XIX), sediado em Londres, que recentemente foi escolhido para prestar assessoria jurídica no processo de alienação de capital público existente na EDP e na REN e na oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR.
A nível nacional as sete maiores sociedades possuem, cada uma delas, mais de uma centena de advogados (entre sócios, associados e estagiários), sendo de salientar o escritório A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados, visto ultrapassar os duzentos advogados (ver Quadro 1).

Quadro 1
Sociedade de Advogados
Nº de advogados
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados
220
Miranda Correia Amendoeira & Associados
173
Abreu & Associados
165
Vieira de Almeida & Associados
164
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados
160
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira
140
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados
110
 
Fonte: In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet).
 
Abreu & Associados, informa ter um volume de negócios anual de 15 milhões de euros (1), Isso significa um volume de negócios anual médio de cerca de € 115.400,00 por advogado (excluindo do cálculo os advogados estagiários) (2). Em algumas destas sociedades de advogados, com destaque para as maiores, encontramos figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria» e personalidades claramente afectas a este leque partidário, com destaque para o PSD (ver Quadro 2).

Quadro 2

Sociedades de Advogados
Advogados
(sócios, associados ou consultores)
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados
Manuel Cavaleiro Brandão, Rui Machete, José Miguel Júdice
Abreu & Associados
Luís Marques Mendes, Paulo Teixeira Pinto
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados
José Manuel Galvão Teles, António Lobo Xavier
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira
André Gonçalves Pereira
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados
Pedro Rebelo de Sousa, Manuel Lopes Porto
Uría Menéndez-Proença de Carvalho
Daniel Proença de Carvalho
Rui Pena, Arnaut & Associados
Rui Pena
Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados
Fernando Seara, Júlio Castro Caldas
José Pedro Aguiar-Branco & Associados
José Pedro Aguiar-Branco
APORT – Advogados Portugueses em Consórcio
Sílvio Cervan
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

A ligação entre advogados e partidos políticos tem a sua continuidade na ligação daqueles aos órgãos do poder político. Efectivamente, basta atentar na quase totalidade dos nomes mencionados no Quadro 2 para reconhecer a ligação dos mesmos, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e a executivos municipais.
Como seria de esperar, as ligações supra estendem-se ao aparelho de Estado. 

Efectivamente, advogados com nomes sonantes têm sido alvo constante de nomeações para estruturas, permanentes ou temporárias, no âmbito do Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado. A título meramente exemplificativo, apresentamos os seguintes casos entre os nomes referidos no Quadro 2 (3):  Rui Machete foi administrador do Banco de Portugal e é vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;
 Manuel Lopes Porto foi membro da Comissão de Reforma Fiscal e é presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;
 Daniel Proença de Carvalho foi presidente do Conselho de Administração da RTP;
 Pedro Rebelo de Sousa é vogal do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.

A ligação das sociedades mencionadas aos órgãos do poder político e ao aparelho de Estado poderá ainda traduzir-se em trabalhos do foro jurídico por encomenda governamental, nomeadamente a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos.
Seria interessante averiguar, por exemplo, até que ponto os advogados integrantes destas entidades simultaneamente jurídicas e políticas têm contribuído para desconfigurar o quadro legislativo progressista saído da Revolução de Abril.

É igualmente visível a influência de membros das sociedades de advogados a nível do aparelho ideológico. A este respeito, sem prejuízo de considerações mais rebuscadas que se podem – e devem – tecer sobre o carácter ideológico da intervenção desses membros enquanto docentes universitários e conferencistas, resulta clara a sua intervenção conformadora da opinião pública na qualidade de comentadores, episódicos ou permanentes, nos órgãos de comunicação social. Por exemplo, quem não foi ainda confrontado com os comentários na comunicação social de José Miguel Júdice ou de António Lobo Xavier? 

Advogados, grupos económicos capitalistas e negócios
A teia completa-se com a ligação das sociedades de advogados aos grandes grupos económicos capitalistas. Procurámos demonstrar essa ligação averiguando qual a presença dos nomes enunciados no Quadro 2 nos órgãos sociais de um conjunto relevante de empresas e de grupos económicos referenciados no Quadro 3.
Quadro 3
Sector de Actividade
Empresas e Grupos Económicos
Fabricação de pasta celulósica, de papel e de cartão
PORTUCEL-SOPORCEL
Fabricação de cimento
CIMPOR
Produção e distribuição de energia
GALP Energia, EDP
Construção
Mota-Engil, Soares da Costa
Comércio
Jerónimo Martins
Transportes
BRISA
Informação e comunicação
Portugal Telecom, ZON, IMPRESA
Actividades financeiras e seguros
BES, Millennium/BCP, BPI, BANIF, Santander Totta, Tranquilidade, Millenniumbcp Ageas Grupo Segurador
Diversos
SONAE
 
A intersecção entre os dados obtidos nos quadros 2 e 3 revela a promiscuidade entre os grupos económicos e as sociedades de advogados, conforme se pode constatar no Quadro 4.

Quadro 4
Advogados
Empresas
Órgãos Sociais
Manuel Cavaleiro Brandão
SONAE, SGPS
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
BPI
Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral
Rui Machete (consultor)
Millenniumbcp, Ageas Grupo Segurador
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Daniel Proença de Carvalho
GALP Energia
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
ZON
Presidente do Conselho de Administração
BES
Vogal da Comissão de Remunerações
José Manuel Galvão Teles
EDP
Presidente da Comissão de Vencimentos
IMPRESA
Vogal do Conselho de Administração
Millennium/BCP
Vogal do Conselho de Remunerações e Previdência
António Lobo Xavier
Mota-Engil
Vogal do Conselho de Administração
SONAECOM
Vogal do Conselho de Administração
BPI
Vogal do Conselho de Administração + Vogal da Comissão de Governo
Rui Pena
EDP
Presidente da Mesa da Assembleia Geral + Vogal do Conselho Geral
Paulo Teixeira Pinto (consultor)
EDP
Vogal do Conselho Geral
José Pedro Aguiar Branco (4)
PORTUCEL- SOPORCEL
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
IMPRESA
Presidente da Mesa da Assembleia Geral + Presidente da Comissão de Remunerações
Júlio Castro Caldas
Soares da Costa
Presidente do Conselho Fiscal
ZON
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Fonte: Sítios das empresas na Internet, 2012.

A título de curiosidade justifica-se referir que, fora do universo empresarial aqui considerado, Daniel Proença de Carvalho tem a presidência da mesa da assembleia geral numa quantidade significativa de empresas, tudo indicando que seja o «recordista nacional» (ou próximo disso) neste tipo de actividade (5).

Em termos de áreas de negócio, merece destaque a participação dos escritórios mencionados no Quadro 2 nos processos de privatização daquilo que resta do Sector Empresarial do Estado. Considerando apenas exemplos recentes, as sociedades A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados e Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados prestaram assessoria nos processos de alienação do capital público existente na EDP e na REN. O segundo escritório mencionado prestou até dupla assessoria no processo da EDP: à administração desta empresa e ao Estado.

Negócios afins são os da fusão de empresas e da transacção de partes de capital de empresas, na gíria económica titulados como fusões & aquisições, onde também pontificam as sociedades de advogados na qualidade de assessores jurídicos. Note-se como na recente oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR o escritório Uría Menéndez-Proença de Carvalho surgiu como assessor de um potencial adquirente – o grupo económico brasileiro Camargo Corrêa. Outra área de negócio que os dirigentes dos escritórios parecem considerar promissora é a intervenção externa, nomeadamente por via da ligação a escritórios de advogados em países de língua oficial portuguesa. 

O Quadro 5 é revelador dessas ligações internacionais personalizadas.

Quadro 5
Sociedades
Países onde existem ligações personalizadas
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados
Angola, Moçambique, Brasil, República Popular da China
Abreu & Associados
Angola, Moçambique
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva& Associados
Angola, Moçambique, Brasil, República Popular da China
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira
O número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Gonçalves Pereira à sociedade de advogados espanhola Cuatrecasas
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados
Angola, Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Reino Unido
Uría Menéndez- Proença de Carvalho
O número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Proença de Carvalho à sociedade de advogados espanhola Uría Menéndez
Rui Pena, Arnaut & Associados
Angola, Timor, Brasil
Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados
Brasil
José Aguiar-Branco & Associados
Espanha, França
APORT – Advogados Portugueses em Consórcio
Espanha
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

Para além de outras considerações pertinentes de carácter imediato, é de salientar que qualquer dos negócios aqui referenciados permite aos escritórios de advogados funcionarem como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.

A associação de interesses entre sociedades de advogados e os grandes grupos económicos capitalistas permite-nos ainda incorporar, no âmbito do presente artigo, uma afirmação inequívoca sobre o estado actual da justiça portuguesa: o seu muito vincado carácter de classe, que se consubstancia no facto de a grande burguesia dispor de avultados meios para fazer valer os seus interesses no foro judicial, em claro detrimento da generalidade da população, seja esta encarada como trabalhadora ou como consumidora.

Conclusão
Com base no que acabou de ser escrito e exemplificado, constata-se a existência de escritórios de advogados que são instrumentos essenciais, directos ou indirectos, da expansão do domínio dos grandes grupos económicos capitalistas: instrumentos directos, devido à ligação entre ambos; instrumentos indirectos, por intermédio da relação escritórios de advogados → instituições da superestrutura política e ideológica (o que até constitui, em termos objectivos, uma porta aberta para o alastramento da corrupção).

Nesta qualidade, trata-se de entidades que têm contribuído activamente para a subordinação do poder político democrático ao poder económico; e, portanto, tais entidades constituem mais uma (entre tantas…) excrescência inconstitucional da sociedade portuguesa.
(...) Adaptação do Artigo original em - "O militante"

(1) http://www.bcsdportugal.org/abreu-e-associados---sociedade-de-advogados/1344.htm
(2) In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet).
(3) Dados obtidos a partir dos curricula e do sítio da CGD na Internet.
(4) José Pedro Aguiar-Branco declara no seu curriculum vitae ter terminado as funções mencionadas aquando da tomada de posse como Ministro.
(5) http://www.zon.pt/institucional/PT/Assembleia-Geral/2009April/Documents/Anexo%20Ponto%204_FINAL.pdf