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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Para Quem gosta do Porto....



Adorei esta estória que eu desconhecia.
O Porfírio do Cimbalino e a Balança Falante. . No ano 2000 editei um pequeno li­vro que recolhia textos de humor e sá­tira (ilustrado com desenhos publica­dos no Jornal de Notícias) a que dei o nome Cimbalino Curto, e o jornalista Via­le Moutinho atribuiu-lhe três estrelas (nu­ma escala de cinco) na recensão crítica que fez no jornal Diário de Notícias. . Um dia o telefone tocou no meu ateliê. Do outro lado, alguém me dizia que fa­lava de Lisboa... e eu a registar a força do seu sotaque tripeiro! - Olhe, eu mo­ro em Lisboa e estou farto de procurar o seu livro Cimbalino Curto, mas não o encontro nas livrarias.
. Fui ao Diário de Notícias para me darem o seu contac­to, mas também não sabiam quem vo­cê era. Tiveram que telefonar para a de­legação do Porto, e só assim pude che­gar à fala consigo. Sabe?

.

É que eu sou o inventor do cimbalino!... E disse-o com tanta convicção e entusiasmo que, de imediato, lhe propus um encontro pa­ra que me contasse essa sua invenção. Combinamos dia e local, meti-me no comboio, encontramo-nos junto ao ele­vador da Bica e fomos almoçar bacalhau com grão. . Bom conversador, o meu leitor even­tual chamava-se Porfírio. Rumou a Lis­boa em 1959 para chefiar a FAEMA, re­sidia em Oeiras, e nasceu no Porto (Fre­guesia de Santo Ildefonso) em 1928, ten­do vivido a meninice e juventude numa "ilha" da rua de S. Victor.
. Em miúdo este­ve, por um triz, para participar, como fi­gurante, no filme de Manoel Oliveira, Ani­ki Bobó. Só não o fez porque adoeceu e quando se iniciaram as filmagens esta­va internado nas Goelas de Pau (Hospi­tal Joaquim Urbano). A sua mãe, viúva, não queria vê-lo para­do.
. Por isso, aos sete anos, ajudava-a a carregar canastras de pão para a Calça­da de Monchique e, no Verão, ía para a praia da Foz vender copos de água com limão, de um regador forrado com he­ras. Carregou carvão e farinha, foi marçano, vendeu fruta aos trabalhadores que construíam o Coliseu do Porto, e aos do­mingos recebia gorjetas de viúvas por limpar jarras e floreiras no cemitério do Prado do Repouso.
. Aos 14 anos era aprendiz de serralhei­ro na Metalúrgica Henrique F. dos San­tos, no Largo do Corpo da Guarda. Entre os vários artigos fabricados nessa ofici­na contavam-se máquinas de café de sa­co, açucareiros, cafeteiras e leiteiras.
. Mas também se procedia a consertos e, nes­se sentido, às segundas-feiras, o Porfírio dava uma volta pelos cafés da baixa por­tuense recolhendo as peças com neces­sidade de arranjo.
. Dessas rondas profissionais recordava os cafés Java, Majestic, Águia D'Ouro, Palladium, Brasileira, Tivoli, Atneia, Arcá­dia, Sport, Central, Victoria, Astória e Bra­sil, e ainda a Confeitaria Palace, estabele­cimento de gabarito, que existia ao fun­do da rua 31 de Janeiro, na curva para Sá da Bandeira. No primeiro andar fun­cionava a redacção do jornal O Século.
. O Porfírio também arranjava fechadu­ras, e muitas vezes foi chamado a casas de prostituição onde, inexplicavelmente, as fechaduras avariavam muito!... Nes­sas andanças acabou por fazer amizade com muitas "mulheres da vida".

.

Na dé­cada de 1950 Salazar proibiu a prostitui­ção complicando a vida a muitas profis­sionais do sexo, e o Porfírio recorreu às amizades que fez com os proprietários dos cafés da baixa, conseguindo empre­go para muitas delas. . Uma das obras metalúrgicas que as suas mãos ajudaram a construir, e que recor­da pela sua imponência, é um candeei­ro de tecto que pode ser visto no hall do Teatro Rivoli. Um dia o Porfírio mudou de casa e de patrão. Instalou-se na rua de Santa Catarina, no número 630, e arran­jou emprego no número 610, na oficina metalúrgica de Manuel Ferraz, pegada à Casa NunÁlvares.
. Em 1948 veio a "co­queluche" das lâmpadas fluorescentes e o Porfírio especializou-se na nova técni­ca de iluminação. Também fez holofotes para a Tobis, máquinas de cortar fiambre e de medir azeite, cadeiras de barbeiro e balanças. Entretanto o serviço militar interrompeu-lhe a profissão numa altu­ra em que a guerra da Coreia obrigou o Estado Português a defender os territó­rios de Timor e Macau.
. O Porfírio só não foi mobilizado porque era considerado o amparo de família, por ser órfão de pai. Em 1950 a oficina mudou-se de Santa Catarina para a rua de Noeda (Campa­nhã), e uma nova especialização estava reservada ao Porfírio.
. La Cimbali e o cimbalino Em 1956 a boa fama profissional da ofi­cina de Manuel Ferraz levou a que fos­se escolhida para agente da marca La Cimbali, moderna máquina italiana de ti­rar cafés. Porfírio foi a Itália fazer uma es­pecialização para poder reparar as no­vas máquinas, cuja primeira foi montada no Café Central, em Anadia. . Seguiu-se a montagem de máquinas nos cafés Águia d'Ouro, Palladium, Âncora dOuro, Tropi­cal, Brasileira e Confeitaria Lobito (Largo do Padrão) no Porto, e nos cafés Sport e Pátria, em Matosinhos. O Porfírio era co­nhecido em todos os cafés, e o seu passa­do profissional merecia confiança.
. Hones­to, simpático, alegre e bom conversador, facilmente convenceu todos os indus­triais do ramo a deixarem montar uma das modernas máquinas nos seus esta­belecimentos, à experiência. Um engenheiro italiano, de nome Cam­po Nuovo, acompanhava o Porfírio e in­formava os donos dos cafés que só se procederia à venda da máquina se se comprovasse a eficácia do novo mo­do de servir café à italiana, se o interes­se dos clientes justificasse e se houves­se vontade de aquisição por parte do proprietário do estabelecimento.
. E foi a que começou o problema. Ninguém pe­dia café de máquina!... Passavam-se os dias e o café à italiana não tinha clien­tes. Aquilo parecia um fiasco e o italia­no Campo Nuovo começou a desani­mar e pensou regressar a Itália com as máquinas. Entendendo es­se desânimo, e cheio de boa vontade em ajudar, o Porfírio percebeu a fal­ta de informação que fa­zia o desconhecimento do produto pelos poten­ciais consumidores, e sugeriu ao italiano:
- Ó senhor engenheiro, porque é que o senhor não faz um cartaz a dizer assim: "Não peça café. Pe­ça um cimbalino e veja a diferen­ça". Campo Nuovo arregalou os olhosl De imediato viu que acaba­ra de nascer um nome para o no­vo produto que era o café da má­quina La Cimbali! . Aceitou a ideia, mandou tipografar car­tazes com a frase sugerida pelo Porfírio, distribuiu-os pelos cafés... e algum tem­po depois já pôde facturar as máquinas instaladas!
. Os bons apreciadores de café aderiram ao "cimbalino" que se tornou num êxito e numa marca do Porto, e o Porfírio re­cebeu um prémio de 5.000 escudos pe­la ideia!
A balança falante
. A Farmácia Estácio, pegada ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, era famosa por ter uma balança que falava! Recor­do o momento mágico em que a minha mãe me levou a pesar-me nela. Subi pa­ra o prato, o ponteiro movimentou-se no mostrador apontando para o meu peso e, ao mesmo tempo, uma voz metálica saiu da balança, informando: "Vossa Ex­celência pesa vinte e quatro quilos e du­zentos gramas"!... . Estávamos na década de 1950 e a técnica de gravação sono­ra não tinha a sofisticação necessária pa­ra explicar o fenómeno! O Porfírio fazia a manutenção da balança falante, e explicou-me o seu funcionamento. A balança, colocada na entrada da farmácia, nunca mudava de lu­gar. Nem podia!... Estava presa ao chão por parafusos.
. E na ca­ve, precisamente sob a balança, havia uma mesa sobre a qual se encontrava outro mostrador ligado por um veio ao tecto... ao prato da balança que esta­va na lojal Essa mesa era o pos­to de trabalho de uma funcio­nária que endereçava sobrescri­tos, empacotava comprimidos e rotulava xaropes, enquanto espe­rava que um cliente se fosse pesar.
. Quando tal sucedia, o mostra­dor da cave apontava o mesmo peso que o clien­te comprovava visual­mente, enquanto que acendia uma lâmpada vermelha, chamando a atenção da funcioná­ria. Esta, tinha um mi­crofone e um botão para o ligar, e dizia o peso que via no mos­trador que tinha à sua frente, e que o cliente ou­via na saída do som por de­trás do painel do ponteiro!
. Às vezes, momentanea­mente, a balança "avaria­va"... mostrava o peso, mas não falava. Isso acontecia quando a funcionária da cave... ia fazer um xi-xi...
Um abraço, Baganha.
. Nota: Mas eu também sou do tempo do Porfírio... e de quando, no Porto praticamente todas as pessoas se conheciam... Foi assim que eu vi o Porto de quando fui marçano (1945) na Casa Arcozelo na Rua do Loureiro.
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As capas dos jornais e as principais notícias de Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014.



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Capa do Público Público

Ciência, o que mudou?
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Quando a aparência apaga a essência
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Cartas à Directora
Absolutismos
O fim da justiça universal à espanhola

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O cardeal Clemente
Necessidade de preservar memória gera consenso
Fingiu ser da Interpol e só agora está a tirar 9º ano
Mais de 500 crimes por dia
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Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

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Hospital da Luz está "cheio" e vai expandir-se até 2018
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Capa do Diário Económico Diário Económico

Médicos na mira de Paulo Macedo
Comprar o futuro
Programa cautelar é cada vez mais desnecessário
Os bastidores da agência que gere 200 mil milhões
“Fui a uma Festa do Avante por causa do Chico Buarque”
Inquéritos a crimes de corrupção disparam 38% em três anos
Governo poderá eliminar hierarquia e um critério para despedir

Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

Limite ao endividamento suspenso até Março de 2015 nos EUA
As duas Chinas
Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza...
Minoria ruidosa
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Capa do Oje Oje

Ásia-Pacífico vai pedir 11 mil aviões até 2032
Michelin derrapa 28,3% com preços e euro
Lucro da TomTom desorienta-se em 84%
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Detidas 75 pessoas que preparavam saída de barco do Sri Lanka para a Nova Zelândia
APAV apoiou 8.733 vítimas diretas em 2013 e registou 20.62 crimes
Novas descobertas elevam para 21 os cadáveres em valas comuns no sul do México
Pelo menos nove pessoas abatidas no noroeste do Paquistão -- autoridades
Previsto aumento das temperaturas no sul e centro da Península Ibérica
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PM do Japão é tão impopular na Coreia do Sul como líder norte-coreano -- sondagem

Capa do A Bola A Bola

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Messi na cozinha por castigo
"Empate? No fim fazemos as contas"
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"Estar em primeiro é importante

A Frase


Porquê a rifa do carro "topo de gama"? Porque os jotas pensam que qualquer um pode ser comprado com um carro "topo de gama" porque qualquer um deles se venderia exactamente pelo mesmo preço. O carrito "topo de gama" é o alfa e o ómega da carreira de um jota que se preze, é o símbolo de quem triunfou na vida, de quem é "alguém", caraças! Pai, já sou ministro! Pai, tenho um carro "topo de gama"! Como os relógios e as marcas das camisas e os óculos "topo de gama" e tudo "topo de gama". Chegámos ao cume da governação rasca. Saiu-nos na rifa mesmo sem dar o NIF. É preciso ter azar.
José Vítor Malheiros, Público

"OBRA DA LAURINDINHA BORRADA E ARDIDA"


Gaspar atribui saída do Governo a guerra política travada com Portas


Gaspar atribui saída do Governo a guerra política travada com Portas
legenda da imagem 
“A saída de Paulo Portas e o impacto que teve nos mercados mostra a força e a relevância da política”, afirma Vítor Gaspar no novo livro de Maria João Avillez
Hugo Correia, Reuters
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É a evocar “uma guerra de políticas” travada com Paulo Portas no seio da coligação que Vítor Gaspar justifica agora o seu abandono da pasta das Finanças. Um bater de porta que o ex-ministro diz ter sido “profissionalmente” preparado, pelo que o “impacto foi muito pequeno nos mercados”. Ao contrário da posterior demissão do líder do CDS-PP, cujo “impacto que teve nos mercados mostra a força e a relevância da política”. Esta e outras leituras do trilho para a crise de 2012 constam da longa entrevista que compõe o livro Vítor Gaspar, de Maria João Avillez.

LUZ: O GALINHEIRO CAIU!


O galinheiro caiu: hihihihi...
O galinheiro está a desfazer-se!!! hihihi
Hei...não perderam tempo...já começaram as reparações!!!
Eis a solução!!! Emoji
Isto sim...é um ESTÁDIO!!! Emoji

OS MIRÓS E A REACÇÃO DO HITLER