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quarta-feira, 2 de abril de 2014

"A BORRADA, BADALHOCA, NÃO PÁRA DE VIAJAR"

A bicha flamejante, de momento, em mais uma viagem pela terras desertinas com empresários (!!!!) portugueses e a convidar ao investimento. Certamente a oferecer Gold Visto de que os sauditas o mandam à fava porque não necessitam de tal coisa para se movimentarem nos Estados Unidos e em toda a Europa. A borrada está a voltar numa figura ridícula no contexto internacional das nações.Mas pior que isto é o dinheiro que estafa, ao erário público, em viagens turística!

Portas convida Arábia Saudita a investir em Portugal em vários setores ent ...

Redação, 02 abr (Lusa) - O vice-primeiro-ministro, Paul Doors, desafiou hoje o Governo e os empresários da Arábia Saudita a investirem em ...

"HONRA VÃ OU O PODER DE UM BARDAMERDA"


"Tenho muita honra em ter participado na descolonização", diz Mário Soares

Clique em baixo para ler a honra

http://www.dw.de/tenho-muita-honra-em-ter-participado-na-descoloniza%C3%A7%C3%A3o-diz-

"ASSIM VÃO À DERIVA CONSULADOS E EMBAIXADAS DE PORTUGAL NO MUNDO"

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Portugueses queixam-se de esperar mais de um mês para ser atendidos no Consulado
CONTACT___Luxemburgo Publicado há 02.04.14 15:14
 
Eduardo Dias exige que o Consulado esteja de portas abertas para alguns actos consulares, em paralelo com o sistema de marcação
 
"Este Consulado é a vergonha dos imigrantes, vou pedir a nacionalidade ao Luxemburgo", pode ler-se no cartaz de Ana Augusta, há 36 anos no Luxemburgo
Fotos: Manuel Dias 
"Este Consulado é a vergonha dos imigrantes, vou pedir a nacionalidade ao Luxemburgo", pode ler-se no cartaz de Ana Augusta, há 36 anos no Luxemburgo
Fotos: Manuel Dias
 

As dificuldades em obter marcação para ser atendido no Consulado levaram hoje três dezenas de pessoas a participar na manifestação convocada pelo conselheiro das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, Eduardo Dias.
O sistema de marcação entrou em vigor a 25 de Março do ano passado para acabar com as filas de espera à porta do Consulado, mas os utentes queixam-se de dificuldades para conseguir ligar e obter resposta aos emails.   
"Aqueles que fizeram a experiência [de tentar obter marcação] às vezes estão uma semana para conseguir ligar, e mais de um mês à espera de resposta aos emails", acusa Eduardo Dias. 
"Uma senhora na semana passada tentou obter marcação para fazer o reconhecimento de uma assinatura e também só conseguiu marcação para 22 de Abril. Se para um reconhecimento de assinatura leva mais de um mês, imagine-se se for um acto mais complexo", disse ao CONTACTO. 
O conselheiro denuncia ainda os "preços exorbitantes" dos actos consulares em relação aos praticados na administração pública luxemburguesa. 
"Se eu for fazer o reconhecimento de uma assinatura no Luxemburgo, pago dois euros e demoro 30 segundos. No Consulado leva meia hora e levam-me 18 euros", acusa Eduardo Dias.  
"Pagamos serviços de luxo, temos serviços de segunda"
Entre os manifestantes, havia quem exibisse cartazes de protesto contra os problemas no atendimento no Consulado e os preços praticados. "Passos Coelho, até no Luxemburgo roubas os portugueses", podia ler-se num dos cartazes. "Estou há espera de resposta ao mail que enviei há um mês", lia-se noutro. "Pagamos serviços de luxo, temos serviços de segunda", e "Basta de sermos portugueses de segunda", eram frases que podiam ler-se noutros cartazes.  
Ana Augusta empunha um cartaz que diz "este Consulado é a vergonha dos imigrantes, vou pedir a nacionalidade ao Luxemburgo". Está há 36 anos no Grão-Ducado e há pouco tempo teve de registar um neto nascido no país. O problema, diz, foram as informações incompletas que lhe deram por telefone. 
"Fui obrigada a vir cá dois dias, e no fim queriam mandar-me embora sem fazer o registo, porque me indicaram mal os documentos que tinha de trazer e era sempre precisa mais uma coisa. É lamentável a maneira como tratam os portugueses. Os emigrantes  só são bons para mandar remessas para Portugal, para o resto já não servem", queixa-se ao CONTACTO. 
O atraso no registo de nascimentos é outro dos problemas denunciados pelo conselheiro das Comunidades. 
"No Luxemburgo nascem por ano mais de 1.200 crianças portuguesas, cem por mês, que têm de ser declaradas. Por lei, os pais têm dois dias de licença para registar os filhos, mas o Consulado demora até cinco dias a fazê-los", critica o conselheiro, que reclama mais funcionários para o atendimento, numa altura em que o número de imigrantes portugueses não pára de aumentar. 
"Quando existiam 60 mil portugueses, havia 19 funcionrios. Hoje há mais de 115 mil portugueses e o número de funcionários e vez de aumentar para 30 ou 40, baixou para 14", acusa.    
O conselheiro reclama ainda que o Consulado faça "atendimento de portas abertas" em paralelo com o sistema de marcação, até porque "boa parte dos portugueses no Luxemburgo não tem computador nem sabe trabalhar com email, e as estatísticas dizem que 15% da população é analfabeta". 
"Há determinados actos que o Consulado tem de estar aberto para fazer. Tem de haver um Consulado aberto e pode haver marcação para actos mais complexos", reclama Eduardo Dias, para quem as permanências consulares iniciadas em Janeiro do ano passado noutras localidades do país  não resolvem o problema do atendimento.
"Não são permanências, são presenças efémeras, só em algumas localidades", critica o conselheiro. "Desde que as permanências começaram, só foram atendidas 200 pessoas, e tiveram de pagar mais 15% pelos serviços, sem ter acesso a todos os actos consulares", diz.
Eduardo Dias tentou entregar um documento com as reinvindicações ao cônsul de Portugal no Luxemburgo, mas as portas do Consulado, à hora de almoço, estavam fechadas. O conselheiro acabaria por deixar o documento de três páginas debaixo da porta. 
Paula Telo Alves

Num dos cartazes, podia ler-se: "Basta de sermos portugueses de segunda"

Governo de Barroso foi o que mais subiu dívida antes do subprime


Durão Barroso e Paulo Portas
Durão Barroso e Paulo Portas
D.R.

28/02/2013 | 13:18 | Dinheiro Vivo
O ex-primeiro ministro português, José Durão Barroso, veio hoje dizer na qualidade de Presidente da Comissão Europeia que a crise atual do país deve-se, acima de tudo, a "escolhas económicas que foram prosseguidas que não conseguiram resolver os problemas estruturais da competitividade portuguesa" e que "levaram a uma acumulação de dívida pública que pura e simplesmente não era sustentável".
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As declarações do responsável, proferidas através de uma mensagem gravada na conferência da TSF/OTOC, contrastam com a dinâmica passada da dívida, que começou a ser mais desfavorável nos anos em que Durão esteve à frente do poder, em Portugal.
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Uma revisitação da série histórica do rácio da dívida pública permite constatar que, até rebentar a crise financeira (em 2007/2008), o agravamento do fardo do endividamento em percentagem do produto coincidiu com a liderança das coligações PSD/CDS de Durão Barroso (2002 a 2004) mais os oito meses de Pedro Santana Lopes à frente do Governo, uma vez que Durão deixou Portugal para ir para Bruxelas.
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Mais: de acordo com as bases de dados da Comissão Europeia, o rácio da dívida pública violou pela primeira vez a fasquia dos 60% do PIB, imposta pelo Pacto de Estabilidade, em 2004. Depois de ter oscilado na casa dos 50% entre 1990 e 2003, o rácio da dívida acabou por furar o teto dos Tratados em 2004.
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Assim, o período dos governos de Durão Barroso/Santana Lopes foi responsável por um agravamento do rácio da dívida de 8,1% do PIB, um valor que compara com os 4% mais do último Governo de Cavaco Silva (PSD, de 1991 a 1994), com a redução em menos 5,5% do PIB durante o primeiro Governo de António Guterres (PS, de 1995 a 1998) ou mesmo o aumento em mais 6,5% do PIB entre 2005 a 2007, ano em que rebentou a crise do subprime, que depois se tornou de crédito, bancária e das dívidas soberanas.
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Até meados de 2007, os mercados de crédito sempre funcionaram de forma normal já que os problemas dos bancos estavam disfarçados. O dos Estados também. Só em 2008, com a falência do Lehman Brothers, é que começaria a revelar a verdadeira situação do sistema financeiro. Os Estados tiveram de intervir nos anos seguintes. 
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Nestes três anos (2005 a 2007), o Governo em Portugal já era o de José Sócrates (PS). Em todo o caso, ele surge como o campeão da dívida num contexto de grande agravamento da crise financeira internacional, em que os contribuintes portugueses foram chamados a pagar as ajudas à estabilidade do sistema financeiro, sejam diretas (nacionalizações de bancos e programas de recapitalização), sejam indiretas.
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Assim, o primeiro Governo de Sócrates (2005 a 2008) somou 9,8% do PIB ao rácio da dívida, o segundo (2009 a 2010) somou 21,8% do PIB. As previsões da Comissão Europeia apontam para que o Governo de Passos (PSD/CDS, de 2011 a 2014, em princípio) seja o que mais engordará a dívida. Mais 31,2% do PIB, de 108% em 2011 para 124,7% em 2014.
Lançamento de quatro linhas de TGV
Foi também, pela mão de Durão Barroso, que foram lançadas quatro linhas de TGV. Segundo escreveu o DN, em 2008, "na cimeira luso-espanhola da Figueira da Foz em 2003, Durão Barroso e José Maria Aznar aprovaram as ligações Lisboa/Madrid e Porto/Vigo até 2010, Lisboa/Porto até 2013, e Aveiro/Salamanca até 2015".
"Condicionada a mais estudos ficava a quinta ligação, entre Faro e Huelva. O investimento totalizava nove mil milhões de euros, apenas em infra-estrutura, foi aprovado por proposta do então ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues. Na altura, Manuela Ferreira Leite era a ministra das Finanças e de Estado, considerada o número dois do Governo liderado por Durão Barroso, e não se lhe conhecem críticas públicas à decisão", explicava então o jornal.

Reenvio a msg......chocado & habituado!


Passos Coelho visitou cemitério de Lhanguene (foto LUSA)
Passos Coelho recorda o «Monstro Sagrado» em Maputo
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MILITAR - CHOCADO OU JÁ HABITUADO? Hoje o Sr. Barak Obama foi   Reenvio a msg......chocado & habituado!
Assunto: MILITAR - CHOCADO OU JÁ HABITUADO? Hoje o Sr. Barak Obama foi a Bruxelas e, entre outras coisas, deslocou-se a um cemitério depondo lá uma coroa de flores, prestando homenagem aos AMERICANOS mortos na 1ª Guerra Mundial!
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Hoje o Sr Passos Coelho foi a Maputo e, entre outras coisas, deslocou-se a um cemitério depondo lá uma coroa de flores, prestando homenagem a um Sr. de seu nome Coluna. (Quem é??) Naquele cemitério estão Militares Portugueses que deram a vida pela sua PÁTRIA (chamava-se assim, antigamente) Sem mais comentários.
António d'Almeida

Discurso do Professor Edward O. Wilson na Inauguração do Laboratório de Biodiversidade da Gorongosa


UMA JANELA PARA A ETERNIDADE

Edward O. Wilson
O desenvolvimento destas instalações maravilhosas, juntamente com a inclusão anterior da Serra da Gorongosa no Parque e a reconstrução da mega fauna para números  que se aproximam aos do período pré-guerra, são realidades que se devem a Greg Carr e ao governo de Moçambique. Tudo isto significa um avanço não só deste país e de África, mas de todo o movimento ambiental global.
Essencialmente, o que se conseguiu é dar um papel mais amplo no movimento global,  aos parques naturais do mundo e às outras reservas de história natural. Este desenvolvimento vai ajudar a trazer a vida de volta à consciência ambiental da humanidade. Por que é que eu digo isto? O mundo está a tornar-se “verde”. A consciência ambiental tem crescido dramaticamente durante as últimas décadas . No entanto, o foco incide cada vez mais na parte não-viva do mundo, ou seja, nas mudanças climáticas, na poluição e no esgotamento de recursos insubstituíveis . Ao mesmo tempo, a atenção tem-se afastado para longe da parte viva da Terra, a chamada biosfera, uma camada de organismos vivos tão fina que não pode ser vista a partir do lado de um veículo espacial em órbita. A biosfera ainda tem muita biomassa, ou seja, o peso do tecido vivo. A maior parte é nas fazendas e florestas que sustentam a espécie humana. O que está em declínio é a biodiversidade, a variedade dos organismos vivos. A biodiversidade existe em três níveis: em primeiro lugar, os ecossistemas, como os lagos, os fluxos de água, as savanas e  as florestas secas do Vale do Rift e do Planalto de Cheringoma; em seguida, as espécies de plantas, animais e micro-organismos que compõem os ecossistemas; e, finalmente, os genes que prescrevem as características que distinguem as espécies que compõem os ecossistemas. Os Parques Nacionais, como a Gorongosa desempenham um papel importante na preservação da biodiversidade do mundo, e agora, cada vez mais, na aprendizagem de como salvá-los noutros lugares do mundo.

Quanta biodiversidade existe? Até à data, dois milhões de espécies de plantas, animais e micro-organismos foram descobertos, com as descrições e os nomes formais dados por biólogos. As estimativas, no entanto, colocam o número real perto dos dez milhões. Quando as bactérias e outros micróbios forem adicionados, o número subirá enormemente. A humanidade, para colocar a questão da forma mais simples possível, vive num planeta pouco conhecido. Falta-nos uma ideia precisa do que as nossas actividades estão a causar nele.

Isso leva-me a um outro ponto importante e pertinente para este Parque. A Gorongosa é até agora, creio eu, o único parque em África, e um dos poucos em todo o mundo, a realizar um estudo completo para descobrir e identificar todas as espécies de plantas, animais e micróbios que compõem sua biodiversidade e não apenas os mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e vegetação, mas todos os insectos, aranhas e outros invertebrados também. Este projecto, liderado por Piotr Naskrecki, e utilizando a experiência de Marc Stalmans, possibilitou já que aparecessem muitas espécies novas, principalmente de insectos. À medida que ele se expande, o número de espécies animais e vegetais irá aumentar de forma dramática. A título de comparação, considerem o Smoky Mountains National Park, nos Estados Unidos, onde um esforço semelhante, trouxe à luz cerca de 18.000 espécies.

Devemos aprender o máximo que pudermos sobre essas criaturas menores que eu gosto de chamar de "as pequenas coisas que governam o mundo”. Os elefantes, os leões e os outros mamíferos, obviamente desempenham um papel vital na ecologia da Gorongosa, mas eles vivem em cima de um plataforma viva de outros seres, plantas e animais, geralmente negligenciados. Eu acredito fortemente que devemos estender o termo "fauna bravia" para abranger todos os animais, grandes e pequenos, que compõem os ecossistemas.

Há tanta coisa a aprender para os cientistas e os naturalistas amadores no Parque Nacional da Gorongosa em termos de ecologia, fisiologia, e outros aspectos da biologia e do ambiente físico do parque também. Este é um local ideal para ser pioneiro do conceito de parques naturais em todo o mundo como centros de investigação e educação. O centro será um trunfo não apenas para os visitantes, mas cada vez mais ao longo do tempo, de grande valor para o povo de Moçambique. Tenho muito orgulho de ser uma parte deste processo, e felicito aqueles que criaram o centro e agora estão prontos para fazer dele um exemplo para o resto do mundo replicar.

Inaugurado Laboratório de Biodiversidade no Parque Nacional da Gorongosa


O Professor Edward O. Wilson, aclamado pela National Geographic Society como "o maior naturalista de nosso tempo", emprestou o seu nome e a sua visão a um estabelecimento de alto nível concebido para investigação em biodiversidade em Moçambique. 
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O conceituado biólogo evolucionista foi um dos convidados de honra na cerimónia de abertura do "Laboratório de Biodiversidade Edward O. Wilson” no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, na quinta-feira 27 de Março de 2014. O Laboratório é o primeiro de género a abrir em Moçambique.

Em pé, da esq. para a dir: Beca Jofrisse (Comité de Supervisão do PNG), Greg Carr (Comité de Supervisão do PNG), Douglas Griffiths (Embaixador dos EUA em Moçambique), Edward O. Wilson (Cientista de Harvard, EUA), Abdala Mussa (Director Geral da ANAC), Anibal Nhampossa (Director Provincial do Turismo de Sofala) e Paulo Majacunene (Administrador do Distrito da Gorongosa); na primeira fila, Mateus Mutemba (Administrador do PNG)   
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O Director Geral da ANAC (Administração Nacional para as Áreas de Conservação), Abdala Mussa convidou o Professor Wilson para juntos descerrarem a capulana (este símbolo da cultura Moçambicana) que cobria a placa inaugural do Centro. A cerimónia contou também com a participação dentre outros, do Director Provincial do Turismo de Sofala, Anibal Nhampossa; do Administrador do Distrito da Gorongosa, Paulo Majacunene; do Embaixador dos EUA em Moçambique, Douglas Griffiths; do Chefe de Missão da USAID em Moçambique, Alexander Dickie. 
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Entre os convidados ao evento pontificaram também representantes de instituições nacionais e internacionais de ensino e pesquisa, líderes comunitários e trabalhadores do Parque. A abertura do centro começou com a realização de uma cerimónia de evocação dos antepassados, conduzida por membros da família Chitengo. O Professor Wilson dirigiu-se aos presentes relembrando a importância da conservação da biodiversidade e do papel crucial que esta desempenha na melhoria do desenvolvimento humano.
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"A consciência ambiental tem crescido exponencialmente durante as últimas décadas. No entanto, o enfoque tem sido cada vez colocado na parte não-viva do mundo, por outras palavras, nas mudanças climáticas, na poluição e no esgotar dos recursos insubstituíveis. Ao mesmo tempo, a atenção tem sido desviada da parte viva da Terra, chamada biosfera. A biosfera ainda tem muita biomassa, mas a maior parte dela está nas fazendas e plantações de árvores que sustentam a espécie humana. O que está em declínio é a biodiversidade, as variações dos organismos vivos ", disse o professor Wilson.
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Fruto duma parceria entre o Governo de Moçambique e a Fundação Carr dos EUA, o Parque Nacional da Gorongosa está em reabilitação há cerca de seis anos depois da destruição que sofreu como resultado do conflito armado de dezasseis anos que assolou Moçambique. A restauração em curso coloca hoje o Parque da Gorongosa no bom caminho para recuperar o seu estatuto de ícone. Desde o início do projecto, foram reabilitadas as suas infra-estruturas de gestão e turismo, e o número de animais de grande porte tem estado a aumentar, tendo algumas espécies registado uma recuperação em 40%.
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O Professor Wilson, biólogo norte-americano Professor Emérito da Universidade de Harvard, visitou o Parque da Gorongosa três vezes para realizar pesquisa e colaborar na estratégia da equipa de gestão do Parque para a restauração e gestão do mesmo. "O Professor Wilson é, desde há muito tempo, a força que lidera a conservação da biodiversidade, provando através de seu trabalho que a vida humana não só enriquece com as outras espécies que partilham o planeta connosco, mas também que a nossa própria existência depende da sobrevivência e preservação desses organismos. O laboratório que abrimos hoje irá ajudar a passar esta mensagem ao explorar e proteger a biodiversidade da Gorongosa ", disse Piotr Naskrecki, Director Associado do Laboratório.
Troca de cumprimentos entre Edward O. Wilson (Cientista de Harvard, EUA) e Abdala Mussa (Director Geral da ANAC) 

"Decidimos criar este laboratório porque reconhecemos que as acções de gestão que iremos tomar para restaurar e preservar a biodiversidade do Parque Nacional da Gorongosa devem ter por base um conhecimento científico sólido. Regozijamo-nos com o facto de que neste centro de pesquisa cientistas moçambicanos e cientistas internacionais irão trabalhar lado a lado, aprendendo uns com os outros", disse Mateus Mutemba, Administrador do Parque da Gorongosa.  
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O Laboratório irá coordenar uma ampla gama de projectos de pesquisa exploratória e projectos de restauração que vão desde o acompanhamento dos bandos de leões e manadas de elefantes, à medição da eficácia do esforço de reflorestação na Serra da Gorongosa. O Laboratório irá fornecer aos investigadores visitantes e residentes, bem como aos estudantes, ferramentas para processar, identificar e armazenar amostras biológicas, incluindo o armazenamento a longo prazo de tecidos e DNA; instalações para amplificação e extracção de DNA estarão também disponíveis no local. 
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Um componente importante do laboratório é a colecção sinóptica de espécies animais e vegetais presentes no Parque da Gorongosa, desenvolvidas em colaboração com Museu Nacional de História Natural de Moçambique em Maputo. O Museu alojará na sua colecção nacional, a réplica de todos os espécimes que forem identificados no Parque da Gorongosa.
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Um dos papéis mais importantes do Laboratório é providenciar formação à próxima geração de cientistas moçambicanos no Parque e também enviá-los para universidades de modo a tirarem diplomas avançados. "Esperamos poder ajudar a lançar as carreiras de uma geração de cientistas moçambicanos no laboratório de Biodiversidade E O Wilson", afirmou Mateus Mutemba. 
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Alguns jovens (provenientes das comunidades vizinhas do Parque ou das escolas técnicas da região centro), que recebem assistência financeira total ou parcial do Laboratório, já começaram a estudar em universidades e escolas de nível médio para futuras carreiras como veterinários, ecologistas e técnicos de laboratório. 
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O Laboratório atraiu a atenção nacional, regional e internacional. Cientistas de diversas instituições começaram a trabalhar no Parque: as Universidades Eduardo Mondlane e Universidade do Lúrio em Moçambique, a Universidade de Coimbra, em Portugal, e as universidades de Harvard e Princeton, nos EUA. Há também diálogo em curso entre o Parque e a Universidade Pedagógica, O Instituto Superior Politécnico de Manica, o Instituto Agrário de Chimoio, entre outras instituições, visando materializar ou sistematizar a colaboração no âmbito científico. 
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Em Junho de 2013, uma equipe de quinze especialistas moçambicanos e internacionais de renome completou o seu primeiro grande projecto, uma pesquisa abrangente sobre os animais e as plantas do Planalto de Cheringoma, no lado leste do Parque. A pesquisa registou mais de 1.200 espécies, incluindo várias espécies desconhecidas da ciência. Os cientistas irão em breve iniciar uma pesquisa similar na região praticamente inexplorada de Dingue-Dingue, focalizando, em particular, as zonas húmidas e os ecossistemas aquáticos.
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"Os Parques Nacionais como a Gorongosa desempenham um papel importante na preservação da biodiversidade do mundo. Indo para a frente, a investigação deste laboratório irá ajudar a disseminar conhecimento acerca de como salvar a vida em todo o lado ", disse o Professor Wilson.
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Um novo livro intitulado “Uma Janela para a Eternidade: A Caminhada de um Biólogo pelo Parque Nacional da Gorongosa”, será lançado em Abril pelo professor Wilson, autor galardoado duas vezes com o Prémio Pulitzer. Durante a cerimónia de lançamento alguns exemplares daquela obra foram oferecidos a participantes.

Acerca do Projecto de Restauração da Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa é a área protegida emblemática de Moçambique, localizada no extremo sul do Grande Vale do Rift da África Oriental. O ecossistema foi profundamente afectado durante os anos do conflito armado de 1977-1992 e nos anos de pós-guerra que se seguiram.
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Em 2004, o Governo de Moçambique convidou a Fundação Carr, uma organização americana sem fins lucrativos, para se juntar ao esforço de co-gestão visando a reabilitação do parque, no período de 20 anos, dando assim corpo ao "Gorongosa Restoration Project" (GRP ou Projecto de Restauração da Gorongosa). 
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O acordo promove objectivos integrados de protecção da biodiversidade e a melhoria do desenvolvimento humano das comunidades locais. Até agora, o GRP revitalizou o trabalho anti-caça furtiva; reconstruiu as infra-estruturas do Parque; conduziu o monitoramento biológico; reintroduziu herbívoros em massa: zebras, gnus, búfalos, elefantes, hipopótamos; apoiou em infra-estruturas (escola, centros de saúde, residências para professores e enfermeiros); e construiu um centro de educação comunitária no interior do Parque. 
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O GRP apoia agentes polivalentes elementares e parteiras tradicionais e promove clínicas móveis em colaboração com o Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Gorongosa. Em 2010, o Governo de Moçambique expandiu os limites do Parque para incluir a Serra da Gorongosa e definiu uma zona tampão de 3.300 km ² ao redor do Parque. 
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O GRP está a trabalhar com as autoridades Distritais e Provinciais para desenvolver um programa de agricultura para as comunidades bem como criar, na zona tampão do Parque, áreas de conservação tituladas e geridas pela comunidade. 
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O Projecto de Restauração da Gorongosa é beneficiário do apoio do Governo dos EUA através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Conta também com a parceria das Nações Unidas, através do Fundo Global para o Meio Ambiente nas actividades em curso na Serra da Gorongosa.

FOTO DO DIA