A inundação ainda não chegou à minha área.
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Há 13 dias diziam, por aqui, que no dia 27 estava, do mês passado, que iramos ter uns 60 centímetros a um metro de água. O boato correu célere e a vizinhança, em órbita, a construir barreiras, com sacos de areia, a tudo que fosse entrada ou buraco para a habitação.
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A minha "patroa" não parou enquanto não fosse entrada de casa e buracos tapados e foram com a ajuda de uns jovens vizinhos. Mas não foi só tapar as entradas de casa, os buracos e abastecer de água e comida, porque o dilúvio está à cabeça e a arca deve estar completa com latas de conservas, bolachas e biscoitos e sei lá mais o que a mulher atafulhou o armários de víveres.
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Tenho vivido todos os dias dentro da esperança que a água chega hoje, amanhã ou depois. Assim e como um "gajo" reformado (tenho vergonha de divulgar a merda do montante que me paga o Governo Português), sem nada que fazer, fui mais uma vez ver o que se passa dentro da minha zona se chega a água ou se evaparou pelo caminho.
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As fotos abaixo, legendadas, descrevem por onde andei há pouco mais de hora. Neste momento são 6 horas da tarde na Tailândia e 11 horas da manhá em Portugal. - José Martins
. Ainda não há sinal da chegada das águas vindas do norte em direcção ao Golfo da Tailândia
Largas comportas aguarda a chegada das águas. Fecham nas maré altas e abrem nas vazias. Assim é controlada a água nos milhares de canais em Banguecoque.Uma "ginga" (bicicleta em Moçambique) de todo o terreno
Milhares de cornos agarrados a caveiras de búfalos. Cada um que se decore como melhor lhe parecer. "Há quem diga por aí que um homem sem cornos é como um jardim sem flores."
Mais um Mercedes apodrecer no templo budista. Gente que foram comprando outros Mercedes e deixaram estes na sucata do templo.
Um Toyota sports da década sessenta do século passado. Vi um carro igual a este a correr no circuito da Beira (Moçambique) conduzido pelo Valdemar Faria que deu espetáculo com esta preciosidade, desportiva, por ali apodrecer...
Um clássico MG da década quarenta do século XX
O Mercedes clássico, para ali arrumado. Foi clamoroso, fez figura o seu dono para aí há meio século... Os Mercedes, como os donos, também morrem.
Lá vai, ladino, o monge budista do templo dos carros velhos e dos cornos búfalos.
Os primeiros sintomas e sinal que a inundação está a caminho... Poderá ou não chegar a minha casa...
O sacana alçou a perna para me provar que além de os não ter pretos mas encarnados que era sócio do Benfica.
O malandro invadiu a minha propriedade. Procurou, o filho de um macaco e de má criação a abrir a porta do anfíbio.
O macaco glorificado e eternizado, não muito longe do meu bairro, com uma estátua... Gostaria de ver estátuas erigidas de alguns macacos de políticos que conheci...
Imagem em baixo: Um meu vizinho do bairro onde moro pendurou o seu Mercedes em quatro apoios de meio metro de altura, acima do solo.