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domingo, 21 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA -QUINTA PERNA

Quinta Perna

Sábado dia 20.12.08, saí de Lampang em direcção a Ayuthaya. Uma manhã risonha e ao fim de cinco horas e meia percorri 500 quilómetros, a distância que separa Lampang a Ayuthaya.
Não houve necessidade de ligar o arcondiconado do Vitara e por isso a viagem foi mais económica a rondar os 10 litros de consumo aos 100 quilómetros.
Dado que o piso da via de um sentido, de boa qualidade, mantive uma velocidade de cruseiro entre os 100/120 quilómetros por hora.
Em Ayuthaya hospedei-me no "Grande Hotel", praticamente lotado a 100%.
Em Ayuthaya esperava-me uma jovem amiga tailandesa fotógrafa, Am que está convidada a participar com trabalhos seus numa bienal de Porto Santo (Madeira), patrocinada pela Fundação Oriente e integrada nas celebrações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Reino do Sião.
Ao princípio da noite, em companhia de minha amiga, procurei o restaurante da esplanada do hotel "River View", junto ao forte de Pom Phet, para jantarmos e disfrutarmos o cenário nocturno do rio.
Porém não havia lugar, estava o espaço ocupado na celebração de uma festa da quadra do Natal.
Fui em procura de outro que não encontrei todos ocupados e sem parque para estacionar a viatura.
As ruas da velha capital cheias de carros, festas ao ar livre em parques ao redor das ruínas.
Acabamos por jantar junto a uma tenda de comida na via pública pato cozido com arroz.
E que bem nos caíu!



A minha amiga, profissional, de fotógrafia, cujos certos trabalhos vai apresentar na ilha de Porto Santo, não são imagens relativas aos restos históricos, portugueses, mas precisamente motivos da Tailândia que poderão ser de templos ou outros que se inspire.
Um mês antes, mostrou interesse em conhecer o "Ban Portuguete", contactou-me por e-mail e, no sábado partiu de Banguecoque de comboio, com uma bolsa, lentes, flash e outro material próprio de um profissional de fotografia.
Esperei por ela na estação de caminho de ferro e hospedou-se no mesmo hotel onde me tinha acomodado.
Pelas 8 horas da manhã e para aproveitarmos a pouca luminosidade do sol, saímos em direcção ao "Forte de Pom Phet" e seria por ali que iniciaríamos o roteiro histórico do que ainda vive em Ayuthaya e deixado, há séculos, pelos portugueses.
Foi com imensa satisfação que vi o "Fine Arts Department" estar a dar vida ao forte, de construção genuina portuguesa e graças ao traço do missionário, jesuita, Frei Tomás de Valguarnera.
Ayuthaya possuia um sistema de defesa, obsoleto, junto às margens dos três rios de Ayuthaya: Chao Prya, Lopburi e Pasak e teria sido o conselho de Frei Tomás Valguarnera, ao Rei de Ayuthaya, que as margems dos três rios com o sistema, ancestral, de paliçadas não oferecia segurança nenhuma para defesa de Ayuthaya.
Ayuthaya desenvolvia-se, depois dos portugueses já instalados no "Ban Portuguete", como os únicos europeus havia 140 anos, com a chegada dos franceses, ingleses e holandeses e pouco haveria a confiar nas intenções destas nações.
Embora a presença dos inglesas e holandeses se reduziam a grupos de mercadores, o mesmo já não se poderia pensar dos franceses que chegaram em força ao Sião e com o propósito de aliciamentos, usando os missionários das Missões Estrangeiras de Paris, converterem o Rei Narai ao catolicismo e depois disto colonizarem o Sião.
O expansionisno de Luis XIV de França era imparável e a todo o custo e preço e manobras, políticas, pretendia chamar a França o Reino do Sião e com isto ser o pêndulo da balança entre a Inglatera que já dominava a Índia e a Holanda senhora das Índias Orientais (Indonésia).
O espaço está vedado, junto à estrada da circunvalação de Ayuthaya.
Um painel, em língua tailandesa, anuncia o custo da obra 21.800.000 milhões de bahts tailandeses (cerca de meio milhão de euros).
A obra será inaugurada em 9 de Abril do próximo ano e lá estarei no evento, até porque acontece nas festividades do "Songkran" e em anos anteriores tenho passado a festa da água na simpática cidade que por laços, históricos, estou ligado.


O forte de "Pom Phet", tem uma história muito especial para mim... Conheço o forte e possuo imagens de quando aquele espaço estava envolvido em matagal.
Já lá vão 24 anos!
O tempo passa demasiadamente depressa...
Junto à margem havia umas casas de madeira onde viviam pescadores e pesquisadores, usando velhos escafandros, mergulhavam na água barrenta ou clara, enquanto uma mulher dava a uma manivela para o escafandrista poder respirar e no fundo rio procurar peças de louça que já ali estavam adormecidas há séculos.
Peças que tinha fugido das mãos enquanto eram lavadas nas varandas de casas de madeira erguidas, na margem do rio, em estacas.
Mas pouco depois das escavações do "Ban Portuguet" o "Fine Arts Department" de Ayuthaya, dirigido por um jovem arqueológo, meu prezado amgo, Patipat que viria a efectuar uma grande obra no que se referia a escavações e conservação de ruínas que estava escorada por estacas.
Durante essa altura eu era uma visita constante a Ayuthaya e passava por lá fins de semana completos.
Vivia a Ayuthaya, o "Ban Portuguet" como se me pertencesse.
Principiou a limpesa do capim alto, as casas velhas, junto à margem desaparecem e começam as escavações (1991) junto aos muro que suportava as ameias.
Fiz uma notícia, dei-lhe o tom, que o caso me merecia e enviei-a para a "Agência Lusa" (Macau) e metida na linha.
Passado pouco tempo contactou-me uma senhora, portuguesa (jornalista da RTP), se poderia contar comigo na viagem que se tinha proposto fazer à Tailândia, em cima da notícia da Lusa.
A senhora chegou a Banguecoque, levei-a a Ayuthaya, fiz-lhe as imagens (slides) que lhe ofereci; regressou a Portugal e uma grande reportagem foi publicada no suplemento do semanário "Expresso".


O Dr. Carlos Monjardino, Presidente da Fundação Oriente leu o artigo, contactou a jornalista para que, a expensas da fundação, se deslocasse a Banguecoque onde se encontrariam, no seu regresso a Lisboa, dado que na ocasião se encontrava em Macau.
No meu carro transportei o Dr. Monjardino e a jornalista.
A jornalista trazia com ela uma fita métrica de uns 100 metros para medir o forte.
O Dr. Monjardino (penso que pretendia fazer alguma coisa em Ayuthaya e rivalizar com Fundação Calouste Gulbenkian que tinha financiado parte das escavações do "Ban Portuguete"), vinha com o propósito da Fundação Oriente reconstruir o forte.
Leveio-o à presença do director do "Fine Arts Department" em Ayuthaya (que já não era o meu amigo Patipat e este transferido para Kampang Phet, para inciar outras escavações); apresentou-se e informou-o que a sua fundação iria trazer à vida o Pom Phet.
Houve trocas de cartões de visitas e o Dr. Monjardino partiu para Lisboa.
Pelo correio enviei-lhe fotografias, do meu arquivo, de vários mapas antigos com o teria sido o forte.
Até hoje o Dr. Monjardino nunca mais deu uma resposta ao "Fine Arts Department" e a mim enviou-me uma boa remessa de bons livros, editatos pela Fundação Oriente, que lhe viria agradecer a sua generosidade.
Esquecia-me de mencionar entregou-me uma nota de 100 dólares para a ajudar a pagar o combustível porque o Ministério dos Negócios Estrangeiros pagava-me, o vergonhoso salário, de 500 dólares por mês!

Entretanto, não foram encontrados objectos nas escavações, nem tão-pouco canhões, cujo esta artilharia teria sido desmontada e trazida para Banguecoque para os siameses se defenderem a possíveis ataques do Reino do Pegu.
A minha versão é exacta porque em Banguecoque após o General Thaksin instalar o seu povo vindo de Ayuthaya, continuou a fundir canhões de bronze e ferro coado em Thomburi.
Prova isso porque no jardim do Ministério de Defesa, onde eu estive há uns meses a fotografar toda a artilharia, exposta, fui encontrar peças de fogo fundidas em Thomburi onde a primeira capital foi instalada e junto ao forte que ainda ali se encontra, nas proximidades do Wat Arun e não muito distante do bairro português de Santa Cruz.
As paredes do forte e as ameias não foram mexidas, mas o espaço para cá do muro foi arrelvado e aos fins de semana via-se por ali gente (muitos jovens) estendidos na relva, a comerem as suas merendas, a tomar a aragem fresca do rio e admirar o Porto Internacional de Pom Phet que foi de glória em tempos passados.
A margem, junto ao rio, não foi consolidada e chegou a sofrer os efeitos da cheia do Chao Praya.
Há três anos foi estacada com pilares de cimento e construído um muro de cimento que ficará protegido para sempre.
Como nota curiosa o muro que suporta as ameias, em toda a sua volta, foi travado com "gatos" de aço, atravessado com barras/vigas, torcidas, do mesmo material e apertadas com portas em cima de chapas de ferro. Depois de cheias com cimento o Forte Pom Phet estará ali erguido por séculos à frente e a recordar a presença dos soldados artilheiros portugueses no Reino do Sião.
Além de Portugal ter sido o primeiro país que introduziu as armas de fogo no Sião, os portugueses, serviram Reis como artilheiros e ensinaram o manejo das mesmas aos siameses.

Depois da visita ao Pom Phet agora há que partir para o "Ban Portuguete".
O sol começa a erguer-se e com luz de muita intensidade para a fotografia.
Mas antes, eu a a fotógrafa Am, demos um salto junto ao monumento erigido em honra da Rainha Suriyothai.
O dourado emite raios, quando o sol lhe bate no seu crescer no monumento que fascina qualquer um que tenha gosto pela recolha de boas imagens.
Vamos, pouco depois de bater alguns "bonecos", ao Campo Português, passamos em frente ao templo "Wat Chai Watthanaram" e fzemos mais umas imagens.
Um largo grupo de alunos, tailandeses, da escola primeira, saiem de um autocarro e ficam por ali à espera que os professores os levem para o interior das ruínas do majestoso templo.
Os alunos, cada um, vão munidos de um bloco e uma esferográfica. Dirigem-se para um painel um designa a história daquele monumento de várias torres cónicas.
Escrevem e lêm interessados e tomam apontamentos.
Não foi a primeira vez que vi estudantes a visitarem locais históricos por toda a Tailândia... Isto contribui para que esses jovens se orgulhem da história de seu país e, não só, a união entre todos e o fortalecimento e o desenvolvimento da nação.


Durante o percurso a caminho do "Ban Portuguete" dou com campos de arroz começar a tomar a cor amarela e mais umas semanas está pronto para ser ceifado.
A área de Ayuthya é famosa na abundância de arroz.
Uns quilómetros ao sul vamos encontrar enormes silos (Bang Sai) onde o arroz a granel é carregado em batelões para armazéns de Banguecoque e dali, em tapetes rolantes, para os porões de barcos que depois seguem o destino de países estrangeiros.
A Tailândia está no topo dos grandes produtores de arroz a nível mundial.
É certo que houve uma grande quebra na produção em Ayuthaya com a instalação de unidades fabris na área e investimentos japoneses.
Com a vinda dos japoneses para Ayuthaya, viria a criar um novo modo de vida da população e com isto o desenvolvimento económico.
Os camponeses, a maior parte deles, abandonaram o amanho da terra e seguiram para as fábricas de produção de material electrónico.
Talvez, devido à crise económica mundial, algumas fábricas venham a encerrar e a gente de Ayuthaya voltem novamente a produzir arroz e outros produtos da terra.
Mas, creio, que o problema desta gente não sejam por aí de maior, porque as terras ferteis estão lá a produzirem a característica abundância.
As cheias do rio Chao Prya contribuiem para essa fertilidade que estruma terras.
E não só o rio é abundante de peixe e mais um condimento, a juntar ao arroz, para alimentar o povo.

Estou no "Ban Portuguete", a área está protegida graças ao "Fine Arts Department" que antes das cheias do rio Chao Prya, coloca umas chapas de cimento num "chanfro", cavado no solo que depois foi cimentado a toda a largura do terreno da frontaria do edifício museu.
O edifício museu vou encontrá-lo caiado de branco, muito bonito e na altura pensei: "bonita obra do Embaixador Faria e Maya...!
É que pouco depois de Faria e Maya assentar em Banguecoque, visitei o Campo de São Domingos, escrevi um memorando ao senhor embaixador informando-o que as paredes do edifício museu estavam muito pobres de pintura e com pouco dinheiro se poderia, mandar caiar e até gente residente na área poderia fazer o serviço.
Nunca me deu resposta e não estranhei, porque em outros casos, procedeu da mesma maneira...
Mas quando me aproximei comecei a observar uma armadura de ferro em toda a volta do edifício que me dá a ideia de vir a ser um telheiro coberto a telhas ou de outro, qualquer, material.
Aquela obra incompleta intrigou-me...
Mas o que estarão aqui a fazer?
O desenho deste edifíco é obra do mestre arquitecto Viana de Lima (da Fundação Calouste Gulbenkian) que conheci em Banguecoque.
Andei por ali a "matutar", mas de quem de "raio" teria sido o da ideia? Tirei fotos ao descalabro que estava a ofender a memória de Viana de Lima que duas vezes se deslocou a Banguecoque, acompanhado do Dr. José Blanco.
Mas entretanto e depois de eu andar para ali a falar sózinho, apareceu um homem a quem a minha amiga Am pediu informações quem era quem que teria mandado fazer aquela obra...
O homem, simples, informou-a: "os franceses...."
Franceses?
Mais me intrigou...
Mas que têm a ver os franceses com a "Campo de S- Domingos?"
A minha amiga Am sabia lá dos franceses ou coisa que valha...
Mas lembrei-me à sim,sim os franceses é como a Igreja de S.José e os padres são conhecidos...
E junto ao homem de camisola amarela indiquei-lhe, com o dedo, a direcção da Igreja de S.José e respondeu-me que sim...
Aquela obra era obra da Santa Madre Igreja com sede no Vaticano.
Bem a Santa Madre Igreja com sede no Vaticano "pilhou" tudo que era dos portugueses no Reino do Sião, onde não escaparam, em Banguecoque, os cemitérios...
Agora mais uma pilhagem a Igreja de S.Domingos no "Ban Portuguete..." Bem é que quando o Campo de S. Domingos era matagal a Santa Madre Igreja com sede no Vaticano, nunca se interessou em escavar o terreno, nem tão pouco, se importou, da sagrada pia baptismal que lá estava envolvida no matagal...
Mas logo que as escavações tiveram início, o padre Pairin, da paróquia de S. José dos "franceses", foi desde logo lá celebrar missa campal.
E depois, no ano seguinte, teve as honras da presença de Sua Eminência o Cardeal Michael Michai Kitbunchu, com quem tive o prazer de almoçar; trocar algumas palavras e fumava, como um turco, a sua cigarrada.

Bem está visto e bem razão tinha o Cônsul Dr. Joaquim Campos que os bairros portugueses de Banguecoque, Senhora do Rosário, de Santa Cruz e da Imaculada Conceição, a igreja católica tinha-se assenhorado desssas parcelas.
Bem eu também tenho razão de estar para aqui a reclamar mas nada me vale estar a meter-me com uma organização poderosa...
Nem o Eça de Queirós iria, como eu, fazer alguma coisa que valha!
Mas apesar de estar aqui a contestar a "pilhagem" tenho sorte porque a Santa Inquisição chegou ao fim e livre de ser vestido de sarapilhareira, ter junto a mim um frade, a caminho da fogueira, a rezar os responsos para que Deus me livrasse do fogo do inferno depois de ter sido já tostado na praça pública com honras de presença de cardeais, bispos, frades, outra "padralhada", as santinhas (freirinhas) de pau de amieiro e os meninos do coro, de cabelo aos caracolinhos e vestidos de opas brancas.

Faz-me lembrar de quando o camartelo da igreja do Vaticano começou a destruir os túmulos do cemitério da Silom Road (já antes tinha feito o mesmo ao do Bairro de Santa Cruz), entrou de rampante e partiu masoléus de lusos descendentes (felizmente tenho fotos) e quando notei que dois cônsules portugueses que dormiam ali há muitos anos, os mausoléus também iriam sofrer os rudes golpes do facínora camartelo... Alertei o Embaixador Lima Pimentel (ele nem sabia que existiam) que a Santa Sé iria destruir parte da história de Portugal na Tailândia.
Enviou uma nota à Embaixada da Santa Sé, em Banguecoque e ao outro dia, um diplomata vestido de saia branca, deslocou-se à Embaixada de Portugal e informou Lima Pimentel que aqueles mausoléus iriam ser transferidos para o cemitério novo de Nakhon Pathon.
E foram só que embora construídos fielmente ninguém dá com eles... Dou eu porque depois de vasculhar fui encontrá-los arrumados a um canto (sem lugar, digno, que mereciam estar), juntamente com outros de gente que fizeram história na fundação de Banguecoque.
Este inocente homem informou: "São os franceses que mandaram fazer esta obra"!
Pois, pois, sempre os franceses aqueles que séculos atrás fizeram a vida negra, quando chegaram ao "Ban Portuguete" depois de meados do século XVII, aos humildes missionários do Padroado Português do Oriente...
O raio parta os franceses que nunca mais nos largam através de séculos e seculórum amen...
Mas agora depois da visita ao "Campo de S.Domingo" e sair de lá incomodado, vou ficar mal disposto nas ruínas da Igreja de S.Paulo que seria um dos marcos da celebração do 500 anos da chegada dos portugueses ao Reino do Sião.
Obra das escavações a cargo de um subsídio da Fundação de Calouste Gulbenkian.
Encontrei um painel que depois de lido e me traduziram que a obra tinha importado num milhão de bahts e terminado em Julho passado (2008)

Pelo trabalh0 encontrado não achei caro nem barato, dado que a mão de obra de agora não custa o preço da que custava há 26 anos, de quando se fizeram as escavações da Igreja de São Domingos.
Mas pelo que vi as escavações não representam nada nem nada me diz o que está escondido no subsolo.
Se vai ser este o marco das celebrações dos 500 anos tudo está a ir pelo mau caminho...
Só que tenho de dizer algo ao Senhor Embaixador Faria e Maya: "Mexa-se se quer que o seu sucessor tenha qualquer coisa para justificar os cinco séculos de Portugal na Tailândia".
Se não bulir em nada vai ser uma completa vergonha!
Será com um livro que irá (talvez) ser publicado que se salvará a honra do convento?
Ou com duas "tretas" numas conferências onde estão meia dúzia de pessoas e ao fim bebem uns copos?
Não dá!
Livros já foram editados muitos e todos que deveriam sê-lo.
Quanto a mim seja quem for (mesmo de joelhos) eu estarei fora de tudo quer na edição do livro ou fornecer material que seja para o ilustrar. Porque eu sei que já alguém anda, por aí, aguçar o bico para a edição do tal livro...!!!
Não alinho em grupos ou esquemas engendrados!
Por fim junto ao Campo de São Domingos há um painel a anunciar aquilo que deve ser visitado na área: A Igreja de São José (a dos franceses), o templo Wat Chai Watthanaram; uma mesquita muçulmana e o Campo de São Domingos não figura lá.
Não penso que tenha sido o "Fine Arts Department", o autor do painel, mas obra divina do espirito santo dos "franceses".
José Martins
P.S. Fim da viagem sem destino

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-QUARTA PERNA

Lampang 19.12.08
Quarta perna
Parti de Sukhothai para Lampang sob uma manhã radiante. O céu límpido sem uma núvem para dar outra beleza às fotografias.
Como já me referi o lugar onde se situa o Parque Histórico encontrava-se, praticamente despido de turístas não como, anos anteriores o tinha encontrado.
Não ouvi queixas de ninguém o falar-me dos incidentes políticos em Banguecoque, porque estes afinal não afectaram, em nada, a vida dos tailandeses.
A vida continuou...!!!
De Sukhothai, para Lampang segui a rota de Tak, guiando por uma auto-estrada moderna, de dois sentidos com uma coluna de cimento a dividir as duas vias que se poderá afirmar, sem ponta de dúvida, dar-se um acidente,só poderá suceder, no caso de condutor adormecer.
Encontrei duas brigadas de polícia de trânsito entre Sukhothai e a pequena cidade de Tak fazendo-me parar, perguntaram-me qual o meu destino sem contudo me solicitaram a carta de condução e os documentos do carro.
Simpaticamente e sorridentes mandaram-me seguir com uma boa viagem.
Curiosamente, como já tinha acontecido nos dias anteriores não encontrei uma "camisola vermelha", o que me deu a entender que a cor vermelha continua a não ter lugar na sociedade tailandesa, mas em vez desta a de cor amarela.
Como nota curiosa os que vestiram as camisolas vermelhas (alguns) são destas bandas e me parece mais ao norte em Chiang Mai.
No meu roupeiro, de casa, há por lá umas camisolas de cor vermelha e minha mulher teve o cuidado, antes de partir para viagem, de não colocar uma que fosse!
Por aí, inocentemente, vesti-la e quem me visse, de vermelho, poderiam-me julgar um suspeito.
Os duzentos e poucos quilómetros de Sukhothai a Lampang percorrem-se em cerca de 3 horas, sem grande correria e dar tempo para se admirar a paísagem, para além das margens da estrada, montanhosa.
Chegado a Lampang hospedei-me no hotel "Tipchang", pelo preço de 700 bates (uns 15 euros) com pequeno almoço.
A cidade de Lampang, depois de 10 anos a ter visitado, sofreu um enorme desenvolvimento, alargando-se urbanisticamente para fora da cidade.
A parte velha, encontra-se praticamente sem ser bulida.
Encontram-se muitas casas, centenárias, construídas de tabuínhas.
A gentes são laboriosas, a partir das 7 da manhã as ruas têm um intenso movimento de carros e motorizadas com as pessoas a deslocarem-se para suas ocupações.
As crianças e jovens em idade escolar dão um colorido, muito especial, com as roupas, bem "limpinhas" a caminho de suas escolas. Jovens ordenados, muito concentrados. Antes que as aulas tenham inicio, os alunos perfilam no parque ou relvado, ouvindos seus professores. Às 8 é transmitido o Hino de Sua Majestade o Rei da Tailândia e todos a queles estudantes o ouvem respeitosamente. Talvez a Tailândia seja um exemplo, no parte da educação dos seus jovens, para certos países da Europa, onde se incluiu Portugal, onde as autoridades, deste Reino, que regem a educação se preocupam em formar a sua juventude para o futuro. "Posters" gigantes com a fotografia de Suas Majestades os Reis da Tailândia encontram-se apostos em todos os locais da cidade. Seja como pretendam interpretar este facto, visto ou criticado pelos "farangues" (estrangeiro na Tailândia), o povo tailandês desde há muitos séculos tem vivido adorando os seus monarcas e, com isto, a contribuição para a união das gentes.
Apraz-me aqui relevar que desde o início da fundação, do Reino, nunca os tailandeses se guerrearam uns contra os outros.
A história não reza divergências entre eles, mas unidos nas guerras a que estiveram sujeitos com os vizinhos.
Porém não me parece que os acontecimentos, recentes, iria colocar os tailandeses a pelejarem ou até modificar o sistema político da Tailândia. É que 20 mil ou mesmo 100 mil vestidos de "vermelho" não seriam capazes de transformar a vida ou a política de 65 milhões de almas.
Os tailandeses continuarão, por muitos anos, a viver com os seus reis, com os seus templos, com os seus monges budistas e até com outras religiões, dado há tolerância de Reis, na Tailândia, nunca as religiões ocidentais ou asiáticas foram perseguidas.
Os tailandeses são submissos aos princípios que herdaram dos seus antepassados e esses irão continuar a viver.
O acidente político, de Banguecoque, acontecido há poucos meses, não é nem terá as consequências de um "Tsunami" como o classificou, creio, ao do Pukhet há 4 anos,
Nuno Caldeira da Silva (tolero-lhe a sua pouca experiência neste país), há dias num escrito que inseriu no seu blogue http://frombangkok.blogspot.com/ .



A realidade de um país não pode ser vista de "rabo" alapado no fundo de uma cadeira; abrir websites de jornais e revistas e cozinhar artigos, sacar fotografias e dar opiniões para impressionar...
Mas para que possam ser dadas, convictamente, terá vir-se ao terreno e ver com olhos de ver e isto que vou fazendo há muitos anos e continuarei a faze-lo por amor à causa.
Lampang possui o templo "Wat Prakew Suchadaram" que encerra muita história de outras eras.
O portugueses, passaram por Lampang servindo o Rei de Ayuthaya, nas lutas que travou com o Rei do Pegu.
Foi pelo bom serviço dos Portugueses, prestado ao Rei na conquista de Chiang Mai que no regresso a Ayuthaya que o monarca lhes concedeu privilégios que o Fernão Mendes Pinto relata na "Peregrinação": ««E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram senpre na guarda de minha pessoas, darão meio ano do tributo da rainha de Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por três anos, sem lhe levarem coisa alguma por suas fazendas, e seus sacerdotes poderão publicar nas cidades e vilas de todo o o meu reino, a lei que professam, do Deus feito homen para salvação dos nascidos como algumas vezes me têm afirmado.»»
Desde essa data o templo, que viria a servir de aquartelamento do rei e dos soldados portugueses, seus guardas, ficaram as espingardas e os canhões.
O templo que recomendo a visitar aos que viajarem a Lampang no complexo sagrado, encontram-se figuras, mitológicas, esquisitas onde por exemplo se animais, curvados, a adorarem o Lorde Buda.
Dentro de um edifício destinado a museu (que não pude visitar dado estar encerrado) existem algumas espingardas, portuguesas, e raras, nos tempos actuais, na Tailândia.
No interior de uma pequena capela está a imagem em estátua de soldado siamês com uma espingarda, com a bandoleira pendurada ao ombro, portuguesa e à frente, num pequeno relvado, duas bocas de fogo de pequeno calibre.
Nessa ocasião (1550) as armas e canhões que existiam no Reino do Sião foram introduzidas pelos portugueses.
Outros sinais da passagem dos soldados, lusos, por Lampang estão sinalizadas com as ameias à volta do Wat Prakew Suchadaram, embora mais rudimentares das que vamos encontrar em várias localizações e pontos estratégicos de defesa da cidade de Ayuthaya, estão ali bem patentes, em Lampang e a recordar a presença dos portugueses no Reino do Sião.
Como já referi, antes de iniciar esta viagem era para me deslocar ao templo "Wata Patan Khum Muang" onde os portugueses lutaram contra eles mesmos uns a favor do Reio de Ayuthya (Sião) e outros pelo lado do Rei do Pegu.
Dada a escassez de tempo não me foi permitido de ali me deslocar. Ficará para outra altura.
Não consegui localizar um pequeno fortim localizado na parte velha da cidade, onde estão dois canhões portugueses à frente à entrada. Posso afiançar com toda a convicção que em meados do século XVI não havia outras armas de fogo estrangeiras, no Reino do Sião, a não ser aquelas que os portugueses introduziram a partir de 1511 e de quando se fixaram em Ayuthaya.
E melhor certeza me dá que os filmes, épicos, "Rainha Suriyothai" e o "Rei Narasuen", realizados pelo príncipe Chatri Chalerm, sempre haja feito referência aos soldados portugueses e às armas de fogo.

À MARGEM
Bem razão tinha Fernão Mendes Pinto escrever na "Peregrinação": "Da muita fertilidade do reino Sião, e de outras particularidades dele..."


Durante o dia a cidade é calma.
A circulação de automóveis não é significativa. O trânsito automóvel para Chiang Mai passa ao lado de Lampang.
Os habitantes da cidade a grande maioria trabalha nas cerâmicas, sendo Lampang o maior centro industrial da Tailândia.
A noite aproxima-se e quatro ruas adjacentes à via principal é tascada de tendas onde tudo se vende desde comida confeccionada, roupas, electrónicos, frutas, doçaria regional, carne e muitos vegetais.


Esta gente habituou-se a comprar as suas refeições nessas tendas. A vida afadigada, do quotidiano, não lhes sobra tempo para cozinhar.
Até não sei lhes ficaria mais em conta dado que o preço da venda da mesma é baratíssimo.
Há comida para todos os gostos desde a espetadas de carne de porco a pato estufado com arroz.


A Tailândia produz demasiada comida, a preço baratíssimo. As terras tudo produzem e já assim era no tempo de Pinto e continuam a sê-lo. Povo com comida e barriga cheia é feliz...
Assim o tem sido e continuará a sê-lo. Mas o que mais surpreende é a simpatia desta gente e a tranquilidade que se disfruta e não menos a segurança no caminhar na rua.
José Martins

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PARABÉNS AO NOVO PRIMEIRO-MINISTRO DA TAILÂNDIA

Sukhothai 17-12-08
É com grande prazer que dou os parabéns ao novo Primeiro-Ministro da Tailândia ABHISIT VEJJAJIVA. Conheci este jovem líder há anos de quando se iniciou na carreira política. Ele e a esposa, começaram a recolher votos e simpatias perante os residentes â volta de sua casa. Foi me familiar de quando era o porta-voz do Primeiro-Ministro Chuan Leepkai. Um jovem inteligente e moderno. O Primeiro-Ministro à altura e acreditamos que uma nova era se aproxima para a Tailândia e para o futuro de minha filha Maria Martins. Naquilo que estiver ao meu alcance não me cansarei´de apregoar e de divulgar este país que é também meu.
Muitas felicidades Senhor Abhisit Vejjajiva
José Martins
Foto: Com a devida vénia, retirada, do canal de televisão 3 de Banguecoque

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-TERCEIRA PERNA

Terceira Perna
Saí de Lopburi cerca das 9 horas da manhã. Tomei o rumo nordeste em direcção de Pitsanulok.
Embrenhei-me por estradas rurais e perdi-me do rumo traçado.
O problema é que essas vias as tabuletas de orientação não estão designadas na língua inglesa.
No "tablier" do Vitara está colado, com um adesivo, um GPS, dos antigos, que é uma pequena bússula, cujo custo não vai mais além de dois euros.
Funciona perfeitamente e indica-me os quatro pontos cardeais só que lê as direcções com margens de erro.
Eu sei que Pitsanuloko se situa no norte nordeste e será o rumo a tomar. O problema viria a surgir-me a 70 quilómetros de Pitsanulok quando numa pequena localidade onde passava a estrada principal, um grupo uns 6 agentes da autoridade estavam a desviar o trânsito desta via de quatro linhas para outras secundárias.
Qual o motivo não cheguei a compreender se seriam excursões dos "camisolas vermelhas" em direcção a Banguecoque para protestarem, junto ao Governo, por qualquer coisa.
Desviado da rota andei po ali em palpos-de-aranha, em estradas de pouco trânsito e com as esperança de encontrar uma tableta que me indicasse Pitsanuloko.
Estou absolutamente perdido.
A bússula agora indica-me que estou a rodar para sudeste e para trás da destinação do meu caminho.
Áreas pouco habitadas ao norte uma cordilheira de montanhas altas, que pelo mapa segue para o Laos.
A estrada foi apertando e encontro uma família, junto, a sua casa de madeira a tomar uma refeição.
Saio do carro para lhes solicitar a informação para onde deveria seguir para Pitsanulok.
Perante a família, surpresa, a olhar para mim como se eu fosse um animal do jardim zoológico.
Claro era mesmo para isso um "farangue" (estrangeiro na Tailândia), naquelas bandas onde certamente não teria passado, antes, um só que fosse...
No meio daquela família, rural, saiu uma rapariga e num inglês entendível e orientou-me que o remédio seria o de voltar para trás.
Estava fora da rota de Pitsanulok cerca de 1oo quilómetros.
O manómetro do combustível já tinha passado o sinal de meio tanque. Estações de abastecimento não há por aquelas bandas onde podesse encher o tanque, só uns bidons de duzentes litros, à porta, de umas pequenas vendas, para os tractores e motorizadas.
Porém facultou-me, mais uma vez, que as gentes tailandesas são de paz e acolhedora.
Vivem entre a abundância, a religiosidade e o seu Rei, onde em todas os lugares encontrei a sua imagem, em poster grandes ou pequenos.
E, não só...
Há um festival de bandeiras da Tailândia espetadas nas bermas das estradas ou nas casas sejam estas de madeira ou de tijolos.
Isto me dá-me a entender que o sentido da nacionalidade dos tailandeses está bem vinculada em suas suas almas.
Não vi ninguém vestindo o tão famoso "t-shirt" de cor vermelha, o que dá a entender aquela camisola só se usa na cidade de Banguecoque e não nas províncias.
Também não vi ninguém interessado, na política, mas cada um a esgaravatar para a sua subsistência amanhando os campos, uns já lavrados para receberem os pequenos caules da planta de arroz e aguardarem que as chuvas lá para o mês de Abril.
Não deixarei de aqui salientar que a Tailândia suportará a crise económica, que os entendidos dizem estar, mundialmente, à porta bem melhor que outro país.
As terras deste país são demasiadamente fértiles e, como poderá acontecer, a escassez de poder compra de comida, em certas nações, a população da Tailândia não estará sujeita ao rigor da alimentação e muita terá,ainda, para exportar.
O país está provido de excelentes estradas, onde vamos encontrar muitas delas duplas de quatro linhas para cada sentido.
Poder-se-à percorrer uma distância de 600 quilómetros em pouco mais de seis horas.
Não deixo de salientar que durante os 700 quilómetros já percorridos não encontrei brigadas de polícia de trânsito a fazer-me parar e só apenas uma para desviar o meu curso.
Não há radares e a velocidade é como: "presunção e água benta, cada um um toma a quer..."
Não vi acidentes de estrada e a inexistência, sem dúvida alguma, contribui o excelente piso e a sinalização.
Em, Pitsanulok, encontrando a cidade com bastante tráfego automóvel preferi não ficar optar por Sukhothai à distância de uns escassos 60 quilómetros e uma via rápida que demorei cerca de 40 minutos.
Passei pela cidade e a 10 quilómetros situa-se o parque histórico e, como em anos anteriores hospedei-me num pequeno, confortável hotel, o "Old City".
A acomodação custa 400 bates (cerca de 8 euros), no rés do chão, parque para estacionar o carro, junto ao quarto.
O pessoal em simpatia é o melhor que se pode encontrar.
Aliás á assim em toda a Tailândia. Estou localizado a 100 metros do parque histórico, que o percorri, hoje, a partir das 8 horas da manhã. Dormir uma noite em Sukhothai é uma experiência única...
Acorda-se ao cantar dos galos e o silêncio durante a noite é abismal. Nota-se de momento uma certa escassez de turistas e não como nas últimas vezes onde estes nas bicicletas, alugadas a dois euros por dia percorriam o parque histórico e as redondezas.
Há bastantes, pequenos hoteis, nas imediações do parque acessíveis a todas as bolsas desde 10o bates (pouco mais de dois euros). Igualmente restaurantes que confeccionam comida europeia; um pequeno almoço por cerca de três euro e uma outra refeição, durante o dia, ou noite, com uma cerveja e um café não vai além de 5 euros.
O lugar é absolutamente seguro sem molestar turista que seja ou o seu caminhar ser interrompido por esta ou aquela oferta de produto, como normalmente, acontece em Banguecoque com os motoristas de táxi ou os dos "tuk-tuk".
Mas não é só em Sukhothai, igualmente, em todas as pequenas cidades da província.
Descrevendo a história de Sukhothai esta foi a primeira capital do Reino do Sião.
Os thais são oriundos do sul da China e uma etnia, minoritária,expulsa que como todas as outras, seguem o curso dos rios em direcção ao mar. Históricamente não se conhece a data que os thais se fixaram nas terras em redor a Sukhothai e vão vivendo na condição de nómados.
Calcula-se que a população não seria mais do que umas 5 mil almas e estão sob a jurisdição do Império Khmer.
Na proximidade do final do século XIII dois líderes thais, revoltaram-se contra a subjugação dos Khmers, tomam conta da cidade e identificam-se um povo como nação.
Por durante 120 anos os thais, em redor da que se pode considerar a cidade real, cultivam as terras; criam gado bovino e cavalar e negoceiam-no nos pequenos países seus vizinhos.
Durante a curta existência do reino de Sukhothai, de 120 anos, é entronizado o Rei Ramkhamahaeng, o Grande, que continua na mente dos tailandeses heroi nacional, criou o primeiro alfabeto da língua tailandesa.
Alguns historiadores aventam a hipótese que os thais teriam saído de Sukhothai e estabelecerem-se em Ayuthaya em 1350, dado a conflitos com os seus vizinhos, despótas e usurpadores que constantemente os disturbavam.
Porém eu não sou da mesma opinião dado que já por algumas vezes exploramos, como hoje o fizemos, as terras adjacentes à cidade real.
As terras, embora, de fertilidade não têm um rio na proximidade onde lhes seja fácil obter água para a necessidade da população assim como para a rega.
Os thais, no meu parecer, não estiveram livre de grandes secas (tudo indica que sim) e o povo ter passado grandes sacrifícos nessas estiagens. Ora é normal ainda hoje se observar, junto às casa rurais que pouco mais são do que a construção da era de Sukhothai, junto aos telhados largos potes de terracota,para recolherem a água no tempo das chuvas. Aliás, ainda hoje, numa estrada, observamos o transporte de uma dessas vasilhas de grande armazenamento de água.
As terras de cultivo não são por aí além de grande dimensão para a toda a população e os thais não se poderiam deslocar para grandes distâncias da sede do Reino pelo facto de poder ser molestados.
Seriam um dos factos que o Rei Utong ordenou a seus homens de confiança que fossem procurar outra terra para onde podesse deslocar o seu povo.
De volta os seus emissários informam o Rei que tinham encontrado uma ilha cercada por três rios e de muita fertilidade.
Esse território descoberto era não mais nem menos que Ayuthaya que na altura, se já era habitada, seria de pouca gente.
Rei Utong traz o seu povo, os seus haveres; o gado onde se incluem uns milhares de elefantes e instala-o em Ayuthaya e funda o novo Reino de Ayuthaya em 1350.
A instalação dos thais em Ayuthaya dá-lhes uma nova forma de viver e muita abundância.
Até 1511 os tailandeses viverem sob o signo da fartura, iniciaram a construção de novos templos budistas, idênticos aos que tinham deixado em Sukhothai onde o estilo da arquitectura khmer está bem patente.
Porém com a chegada dos portugueses Ayuthaya toma outra dimensão e o caminho da riqueza.
Nos dias de hoje ainda se vai ao encontro de muito que teria existido no tempo da fixação dos thais, em Sukhothai, e este se nota no meio rural circundante às ruínas da cidade real.
A pastorícia, o cultivo ancestral das terras e a construção de casa de madeira que pouco ou nada mesmo, diferem dos tempos remotos.
Nota-se entretanto, pelas ruínas de templos, espalhadas pelas pequenas montanhas ao redor das terras de cultivo que para os thais a religiosidade era uma parte importante no seu viver.
A cidade real está toda, à sua volta, vedada com um muro de terra batida e logo a seguir um cana.
A porta da cidade é em tijoleira.
Quanto ao canal para cá do muro este além de servir de obstácu-lo para a penetração do inimigo serviria, ao mesmo tempo, de cisterna de recolha das águas, cujas estas seriam consumidas na estação fora de chuvas.
Outra forma de recolha de água e vamos encontrar, hoje, muitos lagos, que deveriam ter sido abertos pelo poder dos braços dos thais, junto a ruínas dos seus ídolos, que serviam para o armazenamento de água na época das chuvas.
Para os portugueses, interessados, em visitar Sukhothia, um experiência que lhes ficará para sempre na memória, poderão consultar o balcão de turimo do hotel onde se hospedam.
Para os jovens pouco endinheirados, de Banguecoque há transportes de autocarros e de comboio.
Em Sukhothai há acomodação para todos os preços.
José Martins