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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-QUARTA PERNA

Lampang 19.12.08
Quarta perna
Parti de Sukhothai para Lampang sob uma manhã radiante. O céu límpido sem uma núvem para dar outra beleza às fotografias.
Como já me referi o lugar onde se situa o Parque Histórico encontrava-se, praticamente despido de turístas não como, anos anteriores o tinha encontrado.
Não ouvi queixas de ninguém o falar-me dos incidentes políticos em Banguecoque, porque estes afinal não afectaram, em nada, a vida dos tailandeses.
A vida continuou...!!!
De Sukhothai, para Lampang segui a rota de Tak, guiando por uma auto-estrada moderna, de dois sentidos com uma coluna de cimento a dividir as duas vias que se poderá afirmar, sem ponta de dúvida, dar-se um acidente,só poderá suceder, no caso de condutor adormecer.
Encontrei duas brigadas de polícia de trânsito entre Sukhothai e a pequena cidade de Tak fazendo-me parar, perguntaram-me qual o meu destino sem contudo me solicitaram a carta de condução e os documentos do carro.
Simpaticamente e sorridentes mandaram-me seguir com uma boa viagem.
Curiosamente, como já tinha acontecido nos dias anteriores não encontrei uma "camisola vermelha", o que me deu a entender que a cor vermelha continua a não ter lugar na sociedade tailandesa, mas em vez desta a de cor amarela.
Como nota curiosa os que vestiram as camisolas vermelhas (alguns) são destas bandas e me parece mais ao norte em Chiang Mai.
No meu roupeiro, de casa, há por lá umas camisolas de cor vermelha e minha mulher teve o cuidado, antes de partir para viagem, de não colocar uma que fosse!
Por aí, inocentemente, vesti-la e quem me visse, de vermelho, poderiam-me julgar um suspeito.
Os duzentos e poucos quilómetros de Sukhothai a Lampang percorrem-se em cerca de 3 horas, sem grande correria e dar tempo para se admirar a paísagem, para além das margens da estrada, montanhosa.
Chegado a Lampang hospedei-me no hotel "Tipchang", pelo preço de 700 bates (uns 15 euros) com pequeno almoço.
A cidade de Lampang, depois de 10 anos a ter visitado, sofreu um enorme desenvolvimento, alargando-se urbanisticamente para fora da cidade.
A parte velha, encontra-se praticamente sem ser bulida.
Encontram-se muitas casas, centenárias, construídas de tabuínhas.
A gentes são laboriosas, a partir das 7 da manhã as ruas têm um intenso movimento de carros e motorizadas com as pessoas a deslocarem-se para suas ocupações.
As crianças e jovens em idade escolar dão um colorido, muito especial, com as roupas, bem "limpinhas" a caminho de suas escolas. Jovens ordenados, muito concentrados. Antes que as aulas tenham inicio, os alunos perfilam no parque ou relvado, ouvindos seus professores. Às 8 é transmitido o Hino de Sua Majestade o Rei da Tailândia e todos a queles estudantes o ouvem respeitosamente. Talvez a Tailândia seja um exemplo, no parte da educação dos seus jovens, para certos países da Europa, onde se incluiu Portugal, onde as autoridades, deste Reino, que regem a educação se preocupam em formar a sua juventude para o futuro. "Posters" gigantes com a fotografia de Suas Majestades os Reis da Tailândia encontram-se apostos em todos os locais da cidade. Seja como pretendam interpretar este facto, visto ou criticado pelos "farangues" (estrangeiro na Tailândia), o povo tailandês desde há muitos séculos tem vivido adorando os seus monarcas e, com isto, a contribuição para a união das gentes.
Apraz-me aqui relevar que desde o início da fundação, do Reino, nunca os tailandeses se guerrearam uns contra os outros.
A história não reza divergências entre eles, mas unidos nas guerras a que estiveram sujeitos com os vizinhos.
Porém não me parece que os acontecimentos, recentes, iria colocar os tailandeses a pelejarem ou até modificar o sistema político da Tailândia. É que 20 mil ou mesmo 100 mil vestidos de "vermelho" não seriam capazes de transformar a vida ou a política de 65 milhões de almas.
Os tailandeses continuarão, por muitos anos, a viver com os seus reis, com os seus templos, com os seus monges budistas e até com outras religiões, dado há tolerância de Reis, na Tailândia, nunca as religiões ocidentais ou asiáticas foram perseguidas.
Os tailandeses são submissos aos princípios que herdaram dos seus antepassados e esses irão continuar a viver.
O acidente político, de Banguecoque, acontecido há poucos meses, não é nem terá as consequências de um "Tsunami" como o classificou, creio, ao do Pukhet há 4 anos,
Nuno Caldeira da Silva (tolero-lhe a sua pouca experiência neste país), há dias num escrito que inseriu no seu blogue http://frombangkok.blogspot.com/ .



A realidade de um país não pode ser vista de "rabo" alapado no fundo de uma cadeira; abrir websites de jornais e revistas e cozinhar artigos, sacar fotografias e dar opiniões para impressionar...
Mas para que possam ser dadas, convictamente, terá vir-se ao terreno e ver com olhos de ver e isto que vou fazendo há muitos anos e continuarei a faze-lo por amor à causa.
Lampang possui o templo "Wat Prakew Suchadaram" que encerra muita história de outras eras.
O portugueses, passaram por Lampang servindo o Rei de Ayuthaya, nas lutas que travou com o Rei do Pegu.
Foi pelo bom serviço dos Portugueses, prestado ao Rei na conquista de Chiang Mai que no regresso a Ayuthaya que o monarca lhes concedeu privilégios que o Fernão Mendes Pinto relata na "Peregrinação": ««E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram senpre na guarda de minha pessoas, darão meio ano do tributo da rainha de Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por três anos, sem lhe levarem coisa alguma por suas fazendas, e seus sacerdotes poderão publicar nas cidades e vilas de todo o o meu reino, a lei que professam, do Deus feito homen para salvação dos nascidos como algumas vezes me têm afirmado.»»
Desde essa data o templo, que viria a servir de aquartelamento do rei e dos soldados portugueses, seus guardas, ficaram as espingardas e os canhões.
O templo que recomendo a visitar aos que viajarem a Lampang no complexo sagrado, encontram-se figuras, mitológicas, esquisitas onde por exemplo se animais, curvados, a adorarem o Lorde Buda.
Dentro de um edifício destinado a museu (que não pude visitar dado estar encerrado) existem algumas espingardas, portuguesas, e raras, nos tempos actuais, na Tailândia.
No interior de uma pequena capela está a imagem em estátua de soldado siamês com uma espingarda, com a bandoleira pendurada ao ombro, portuguesa e à frente, num pequeno relvado, duas bocas de fogo de pequeno calibre.
Nessa ocasião (1550) as armas e canhões que existiam no Reino do Sião foram introduzidas pelos portugueses.
Outros sinais da passagem dos soldados, lusos, por Lampang estão sinalizadas com as ameias à volta do Wat Prakew Suchadaram, embora mais rudimentares das que vamos encontrar em várias localizações e pontos estratégicos de defesa da cidade de Ayuthaya, estão ali bem patentes, em Lampang e a recordar a presença dos portugueses no Reino do Sião.
Como já referi, antes de iniciar esta viagem era para me deslocar ao templo "Wata Patan Khum Muang" onde os portugueses lutaram contra eles mesmos uns a favor do Reio de Ayuthya (Sião) e outros pelo lado do Rei do Pegu.
Dada a escassez de tempo não me foi permitido de ali me deslocar. Ficará para outra altura.
Não consegui localizar um pequeno fortim localizado na parte velha da cidade, onde estão dois canhões portugueses à frente à entrada. Posso afiançar com toda a convicção que em meados do século XVI não havia outras armas de fogo estrangeiras, no Reino do Sião, a não ser aquelas que os portugueses introduziram a partir de 1511 e de quando se fixaram em Ayuthaya.
E melhor certeza me dá que os filmes, épicos, "Rainha Suriyothai" e o "Rei Narasuen", realizados pelo príncipe Chatri Chalerm, sempre haja feito referência aos soldados portugueses e às armas de fogo.

À MARGEM
Bem razão tinha Fernão Mendes Pinto escrever na "Peregrinação": "Da muita fertilidade do reino Sião, e de outras particularidades dele..."


Durante o dia a cidade é calma.
A circulação de automóveis não é significativa. O trânsito automóvel para Chiang Mai passa ao lado de Lampang.
Os habitantes da cidade a grande maioria trabalha nas cerâmicas, sendo Lampang o maior centro industrial da Tailândia.
A noite aproxima-se e quatro ruas adjacentes à via principal é tascada de tendas onde tudo se vende desde comida confeccionada, roupas, electrónicos, frutas, doçaria regional, carne e muitos vegetais.


Esta gente habituou-se a comprar as suas refeições nessas tendas. A vida afadigada, do quotidiano, não lhes sobra tempo para cozinhar.
Até não sei lhes ficaria mais em conta dado que o preço da venda da mesma é baratíssimo.
Há comida para todos os gostos desde a espetadas de carne de porco a pato estufado com arroz.


A Tailândia produz demasiada comida, a preço baratíssimo. As terras tudo produzem e já assim era no tempo de Pinto e continuam a sê-lo. Povo com comida e barriga cheia é feliz...
Assim o tem sido e continuará a sê-lo. Mas o que mais surpreende é a simpatia desta gente e a tranquilidade que se disfruta e não menos a segurança no caminhar na rua.
José Martins

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

PARABÉNS AO NOVO PRIMEIRO-MINISTRO DA TAILÂNDIA

Sukhothai 17-12-08
É com grande prazer que dou os parabéns ao novo Primeiro-Ministro da Tailândia ABHISIT VEJJAJIVA. Conheci este jovem líder há anos de quando se iniciou na carreira política. Ele e a esposa, começaram a recolher votos e simpatias perante os residentes â volta de sua casa. Foi me familiar de quando era o porta-voz do Primeiro-Ministro Chuan Leepkai. Um jovem inteligente e moderno. O Primeiro-Ministro à altura e acreditamos que uma nova era se aproxima para a Tailândia e para o futuro de minha filha Maria Martins. Naquilo que estiver ao meu alcance não me cansarei´de apregoar e de divulgar este país que é também meu.
Muitas felicidades Senhor Abhisit Vejjajiva
José Martins
Foto: Com a devida vénia, retirada, do canal de televisão 3 de Banguecoque

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA-TERCEIRA PERNA

Terceira Perna
Saí de Lopburi cerca das 9 horas da manhã. Tomei o rumo nordeste em direcção de Pitsanulok.
Embrenhei-me por estradas rurais e perdi-me do rumo traçado.
O problema é que essas vias as tabuletas de orientação não estão designadas na língua inglesa.
No "tablier" do Vitara está colado, com um adesivo, um GPS, dos antigos, que é uma pequena bússula, cujo custo não vai mais além de dois euros.
Funciona perfeitamente e indica-me os quatro pontos cardeais só que lê as direcções com margens de erro.
Eu sei que Pitsanuloko se situa no norte nordeste e será o rumo a tomar. O problema viria a surgir-me a 70 quilómetros de Pitsanulok quando numa pequena localidade onde passava a estrada principal, um grupo uns 6 agentes da autoridade estavam a desviar o trânsito desta via de quatro linhas para outras secundárias.
Qual o motivo não cheguei a compreender se seriam excursões dos "camisolas vermelhas" em direcção a Banguecoque para protestarem, junto ao Governo, por qualquer coisa.
Desviado da rota andei po ali em palpos-de-aranha, em estradas de pouco trânsito e com as esperança de encontrar uma tableta que me indicasse Pitsanuloko.
Estou absolutamente perdido.
A bússula agora indica-me que estou a rodar para sudeste e para trás da destinação do meu caminho.
Áreas pouco habitadas ao norte uma cordilheira de montanhas altas, que pelo mapa segue para o Laos.
A estrada foi apertando e encontro uma família, junto, a sua casa de madeira a tomar uma refeição.
Saio do carro para lhes solicitar a informação para onde deveria seguir para Pitsanulok.
Perante a família, surpresa, a olhar para mim como se eu fosse um animal do jardim zoológico.
Claro era mesmo para isso um "farangue" (estrangeiro na Tailândia), naquelas bandas onde certamente não teria passado, antes, um só que fosse...
No meio daquela família, rural, saiu uma rapariga e num inglês entendível e orientou-me que o remédio seria o de voltar para trás.
Estava fora da rota de Pitsanulok cerca de 1oo quilómetros.
O manómetro do combustível já tinha passado o sinal de meio tanque. Estações de abastecimento não há por aquelas bandas onde podesse encher o tanque, só uns bidons de duzentes litros, à porta, de umas pequenas vendas, para os tractores e motorizadas.
Porém facultou-me, mais uma vez, que as gentes tailandesas são de paz e acolhedora.
Vivem entre a abundância, a religiosidade e o seu Rei, onde em todas os lugares encontrei a sua imagem, em poster grandes ou pequenos.
E, não só...
Há um festival de bandeiras da Tailândia espetadas nas bermas das estradas ou nas casas sejam estas de madeira ou de tijolos.
Isto me dá-me a entender que o sentido da nacionalidade dos tailandeses está bem vinculada em suas suas almas.
Não vi ninguém vestindo o tão famoso "t-shirt" de cor vermelha, o que dá a entender aquela camisola só se usa na cidade de Banguecoque e não nas províncias.
Também não vi ninguém interessado, na política, mas cada um a esgaravatar para a sua subsistência amanhando os campos, uns já lavrados para receberem os pequenos caules da planta de arroz e aguardarem que as chuvas lá para o mês de Abril.
Não deixarei de aqui salientar que a Tailândia suportará a crise económica, que os entendidos dizem estar, mundialmente, à porta bem melhor que outro país.
As terras deste país são demasiadamente fértiles e, como poderá acontecer, a escassez de poder compra de comida, em certas nações, a população da Tailândia não estará sujeita ao rigor da alimentação e muita terá,ainda, para exportar.
O país está provido de excelentes estradas, onde vamos encontrar muitas delas duplas de quatro linhas para cada sentido.
Poder-se-à percorrer uma distância de 600 quilómetros em pouco mais de seis horas.
Não deixo de salientar que durante os 700 quilómetros já percorridos não encontrei brigadas de polícia de trânsito a fazer-me parar e só apenas uma para desviar o meu curso.
Não há radares e a velocidade é como: "presunção e água benta, cada um um toma a quer..."
Não vi acidentes de estrada e a inexistência, sem dúvida alguma, contribui o excelente piso e a sinalização.
Em, Pitsanulok, encontrando a cidade com bastante tráfego automóvel preferi não ficar optar por Sukhothai à distância de uns escassos 60 quilómetros e uma via rápida que demorei cerca de 40 minutos.
Passei pela cidade e a 10 quilómetros situa-se o parque histórico e, como em anos anteriores hospedei-me num pequeno, confortável hotel, o "Old City".
A acomodação custa 400 bates (cerca de 8 euros), no rés do chão, parque para estacionar o carro, junto ao quarto.
O pessoal em simpatia é o melhor que se pode encontrar.
Aliás á assim em toda a Tailândia. Estou localizado a 100 metros do parque histórico, que o percorri, hoje, a partir das 8 horas da manhã. Dormir uma noite em Sukhothai é uma experiência única...
Acorda-se ao cantar dos galos e o silêncio durante a noite é abismal. Nota-se de momento uma certa escassez de turistas e não como nas últimas vezes onde estes nas bicicletas, alugadas a dois euros por dia percorriam o parque histórico e as redondezas.
Há bastantes, pequenos hoteis, nas imediações do parque acessíveis a todas as bolsas desde 10o bates (pouco mais de dois euros). Igualmente restaurantes que confeccionam comida europeia; um pequeno almoço por cerca de três euro e uma outra refeição, durante o dia, ou noite, com uma cerveja e um café não vai além de 5 euros.
O lugar é absolutamente seguro sem molestar turista que seja ou o seu caminhar ser interrompido por esta ou aquela oferta de produto, como normalmente, acontece em Banguecoque com os motoristas de táxi ou os dos "tuk-tuk".
Mas não é só em Sukhothai, igualmente, em todas as pequenas cidades da província.
Descrevendo a história de Sukhothai esta foi a primeira capital do Reino do Sião.
Os thais são oriundos do sul da China e uma etnia, minoritária,expulsa que como todas as outras, seguem o curso dos rios em direcção ao mar. Históricamente não se conhece a data que os thais se fixaram nas terras em redor a Sukhothai e vão vivendo na condição de nómados.
Calcula-se que a população não seria mais do que umas 5 mil almas e estão sob a jurisdição do Império Khmer.
Na proximidade do final do século XIII dois líderes thais, revoltaram-se contra a subjugação dos Khmers, tomam conta da cidade e identificam-se um povo como nação.
Por durante 120 anos os thais, em redor da que se pode considerar a cidade real, cultivam as terras; criam gado bovino e cavalar e negoceiam-no nos pequenos países seus vizinhos.
Durante a curta existência do reino de Sukhothai, de 120 anos, é entronizado o Rei Ramkhamahaeng, o Grande, que continua na mente dos tailandeses heroi nacional, criou o primeiro alfabeto da língua tailandesa.
Alguns historiadores aventam a hipótese que os thais teriam saído de Sukhothai e estabelecerem-se em Ayuthaya em 1350, dado a conflitos com os seus vizinhos, despótas e usurpadores que constantemente os disturbavam.
Porém eu não sou da mesma opinião dado que já por algumas vezes exploramos, como hoje o fizemos, as terras adjacentes à cidade real.
As terras, embora, de fertilidade não têm um rio na proximidade onde lhes seja fácil obter água para a necessidade da população assim como para a rega.
Os thais, no meu parecer, não estiveram livre de grandes secas (tudo indica que sim) e o povo ter passado grandes sacrifícos nessas estiagens. Ora é normal ainda hoje se observar, junto às casa rurais que pouco mais são do que a construção da era de Sukhothai, junto aos telhados largos potes de terracota,para recolherem a água no tempo das chuvas. Aliás, ainda hoje, numa estrada, observamos o transporte de uma dessas vasilhas de grande armazenamento de água.
As terras de cultivo não são por aí além de grande dimensão para a toda a população e os thais não se poderiam deslocar para grandes distâncias da sede do Reino pelo facto de poder ser molestados.
Seriam um dos factos que o Rei Utong ordenou a seus homens de confiança que fossem procurar outra terra para onde podesse deslocar o seu povo.
De volta os seus emissários informam o Rei que tinham encontrado uma ilha cercada por três rios e de muita fertilidade.
Esse território descoberto era não mais nem menos que Ayuthaya que na altura, se já era habitada, seria de pouca gente.
Rei Utong traz o seu povo, os seus haveres; o gado onde se incluem uns milhares de elefantes e instala-o em Ayuthaya e funda o novo Reino de Ayuthaya em 1350.
A instalação dos thais em Ayuthaya dá-lhes uma nova forma de viver e muita abundância.
Até 1511 os tailandeses viverem sob o signo da fartura, iniciaram a construção de novos templos budistas, idênticos aos que tinham deixado em Sukhothai onde o estilo da arquitectura khmer está bem patente.
Porém com a chegada dos portugueses Ayuthaya toma outra dimensão e o caminho da riqueza.
Nos dias de hoje ainda se vai ao encontro de muito que teria existido no tempo da fixação dos thais, em Sukhothai, e este se nota no meio rural circundante às ruínas da cidade real.
A pastorícia, o cultivo ancestral das terras e a construção de casa de madeira que pouco ou nada mesmo, diferem dos tempos remotos.
Nota-se entretanto, pelas ruínas de templos, espalhadas pelas pequenas montanhas ao redor das terras de cultivo que para os thais a religiosidade era uma parte importante no seu viver.
A cidade real está toda, à sua volta, vedada com um muro de terra batida e logo a seguir um cana.
A porta da cidade é em tijoleira.
Quanto ao canal para cá do muro este além de servir de obstácu-lo para a penetração do inimigo serviria, ao mesmo tempo, de cisterna de recolha das águas, cujas estas seriam consumidas na estação fora de chuvas.
Outra forma de recolha de água e vamos encontrar, hoje, muitos lagos, que deveriam ter sido abertos pelo poder dos braços dos thais, junto a ruínas dos seus ídolos, que serviam para o armazenamento de água na época das chuvas.
Para os portugueses, interessados, em visitar Sukhothia, um experiência que lhes ficará para sempre na memória, poderão consultar o balcão de turimo do hotel onde se hospedam.
Para os jovens pouco endinheirados, de Banguecoque há transportes de autocarros e de comboio.
Em Sukhothai há acomodação para todos os preços.
José Martins

domingo, 14 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA -SEGUNDA PERNA

Segunda Perna
Noites frescas em Lopburi e sem necessidade de usar o arcondicionado durante o sono do justo.

O "Lop Buri Inn" (o hotel dos macacos) uma unidade hoteleira de 3 estrelas, com excelente serviço, a preço convidativo, de 700 baht, a diária (uns 15 euros), incluindo breakfast.
Hospedo-me neste hotel há uns 16 anos e, por isto, favoreço de um desconto especial.

No salão da recepção vamos encontrar, umas escadas que subindo-as, no primeiro andar situa-se a "Sala de Maria Pina de Guiomar, nome de uma lusa japonesa que viveu dias felizes e trágicos, em Lop Buri de quando esposa do grego Constantino Falcão, chegando, este, a assumir a pasta de primeiro ministro no reinado do Rai Narai.

Recomendo: um clique http://aquitailandia.blogspot.com/2007/01/maria-de-guiomar.html onde se encontra a história da infeliz senhora que viria acabar os seus dias no "Ban Portuguete" (Ayuthaya Aldeia dos Portugueses) e ali sepultada.

Nesta viagem não vim para escrever nada relacionado com a história, do passado, desta simpática cidade, Lop Buri, onde se abraçaram duas religiões a hindu e a budista e até à data, presente, têm vivido em perfeita harmonia.

O meu propósito é o de inserir nesta parte a descrição do "Mosteiro Thamkrabok", a 20 quilómetros de Lopburi e situado no sopé dos contrafortes de cordilheiras de altas montanhas de pedra calcária.

Visitei o mosteiro, pela primeira vez, há 14 anos e ali fiz uma reportagem que foi inserida no semanário "Noticias de Gouveia" e uma texto que envei para a Agência Lusa que seguiria para linha noticiosa.

Mercê dessa notícia um jornalista da SIC, acompanhado de operador de imagens, pelas informações que lhe forneci em Banguecoque, deslocou-se ao local e fez uma reportagem relativa ao que se passava no "Mosteiro Thamkrabok".

Templos/mosteiros budistas na Tailândia há uns milhares largos erigidos do Sul ao Norte.

Todos praticam as boas obras em favor das populações, desde ao ensino das primeiras letras; o conforto espiritual; o remédio para aliviar um male que os afecte; a reunião de pessoas em festas religiosas;a cremação dos defuntos; a pessoa que se despediu do mundo, material e fica por ali, sem ser em clausura, o resto da sua vida, onde há sempre um prato de arroz para se alimentar e uma cama para dormir.

O mundo interceiro deixa de existir naquelas casa e a humildade, a fraternidade e o amor toma-lhe o lugar.

O "Mosterio Thmakrabok" é bem um exemplo disto, porque naquele santuário aos pés de picos de montanhas, forradas de vegetação, pratica-se a solidariedade sem escolher credos, cores ou etnias.

Desde há mais de uma vintena de anos neste mosteiro, se pratica a desintoxicação de jovems e pessoas de meia idade vitímas da toxicodependência que já em artigos antes lhe dei o nome: "Templo dos Drogados".

Hoje verifico que o genérico foi designado, erradamente, mas deveria ser: "Templo da Solidariedade".

Este templo nasceu por alturas do conflito a guerra do Vietname e numa cave natural, de um dos picos, se abrigou um monge nascido no Laos e, certamente a sonhar que que no pequeno vale havia de construir um templo.

O lugar na altura que o monge ali se isolou, na década sessenta do século passado, do mundo e da sociedade o local é extremamente isolado com alguns aldeões em redor que viviam entre a fertilidade das terras.

Dá-se o início da guerra do Vietname e a CIA americana usa e incita os laocianos, da etnia Hmong, das montanhas a dedicarem-se à plantação da papoila, para produzir o ópio e depois refinada em heroína.

O objectivo da CIA seria o de vencer a guerra drogando os soldados vietnamitas e as populações com o fumo do ópio.

Pequenas aeronaves da CIA transportam do Laos para o Vietname a terrivel droga, que embora provocando algum efeito, na população e tropas vietnamitas, não foi o esperado quando projectado. Milhares de soldados americanos viriam a ficar toxicodependentes e uma herança de fracas recordações para os americanos.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro, além dos soldados americanos; as próprias populaçoes da etnia Hmong, das montanhas, incluindo as crianças, viriam a ficar toxicodependentes do fumo do ópio.

São perseguidas pelo Governo do Laos, porque estiveram ao lado dos americanos, ajudandando-os na guerra.

Começa essa gente, uns largos milhares, a fugir das montanhas do Laos e a refugiar-se na Tailândia.

Na área do templo "Thamkrabok" refugiam-se mais de 20 mil sob a protecção do monge, fundador, Luang Paw.

Esta população, perseguida, pelo regime de linha dura do Laos chegam nas condições mais miseráveis que se possam imagiar, que testemunhamos, em 1995 de quando ali estivemos numa das habituais visitas.

Consegui depois de muito pedir a Luang Paw que me autorizasse a visitar o campo onde se instalava essa gente.

Foi uma das minhas várias, experiências, a mais chocantes que viria deparar as pessoas fugiam de mim e as crianças corriam apavoradas à minha presença.

Gente atemorizada do passado vivido e a barbárie presenciada no Laos a que a todo custo pretendem salvar suas vidas do rancor que ficou depois de terminar a guerra.

Depois do drama da pobreza dos refugiados havia outro que era o de ter chegado: adultos, jovens e crianças toxicodependentes.

As crianças, desde tenra idade tinha enalado o fumo do ópio que se dispersava pela atmosfera e estão assim uma população de cerca de 20 mil opiómana.

Luang Paw está a braços não só acolher estes milhares de refugiados (onde o Governo tailandês contribuiu com a juda financeira com a doação de milhões de baht), como desintoxicá-los da droga que traziam no corpo.

Recorreu ao medicamento herbal, cultivado nas redondezas do templo e produzir num laboratório, rústico, uma "mezinha" que limpasse, a sujidade do fumo do ópio, no corpo a gente da sua etnia e a regenerasse para a vida.

Conseguiu-o com o remédio caseira e muitos banhos de sauna, montada numa barraca, para fazer transpirar os corpos e a droga sair-lhe pelos poros da pele.

Outra história aconteceu antes dos refugiados chegarem e instalados nas redondezas do "Mosteiro Thamkrob o aparecimento de um jovem negro, mercenário, que aparece junto a Luang Paw a pedir-lhe auxilío.

Não era espiritual, porque um soldado da fortuna, vendeu a alma ao diabo e é pago para matar.

Uma história fantástica e dá a entender que os homens não nasceram maus nem sequer soldados mercenários.

Um soldado da fortuna no "adeus às armas" e este o Monge Gordon. Nasceu em Nova Iorque, na década quarenta do século passado, deambulou pela grande cidade, roubou para sobreviver, como qualquer negro da sua época; fez biscates a 100 dólares por dia.

Aos 17 anos alistou-se como mercenário nas forças do famoso líder, mercenário, o francês, Coronel Denard.

Com mais 11 camaradas são lançados de paraquedas de diferentes nacionalidades no Vietname; todos morreram e escapou o Gordon.

Fugiu do Vietname e pretende abandonar a profissão de soldado da fortuna.

Não lhe foi fácil adaptar-se a outra profissão e volta novamente alistar-se numa força de mercenários que se anexa à SWAP, da África do Sul, que lutava contra o regime do Governo branco.

Uma das missões de Gordon, na Africa do Sul, eram as de sabotagem que poderia deitar uma ponte para o curso do rio, como plantar uma mina numa estrada.

Terminou o contrato, regressa aos Estados Unidos, com os bolsos cheios de dinheiro, foi-o gastando, com os amigos, bebendo litros e mais litros de cervejas nos bares de Nova Iorque.

O dinheiro acabou-se ao mercenário Gordon e, mercenário desempregado há que procurar novo trabalho.

Agora está contratado pelo presidente Jean Claude do Haiti (Baby Doc), trabalho que lhe duraria pouco dado que os americanos terminaram com os genocídios do Baby Doc bombardenado o Haiti.

Sem trabalho o Gordon, consegue mais um o de soldado no Líbano e chega ao fim mais uma missão cumprida e a sorte de não ter sido varado pelas balas do inimigo.

O Gordon ganhou rios de dinheiro e como a um mercenário não custa a ganhar, mesmo que o soldo seja para matar, já não pretende mudar de rumo.

Todo o soldado da fortuna é um homem de guerra e de zaragatas e respeito por ele quando se encontra num bar, junto a outros camaradas bebem uns copos se algum dos clientes que por ali está levantando o "bico" sai de certeza a voar para a rua.

Claro que o Gordon também esteve envolvido em cenas de pancadaria daquelas de "criar bicho"...

Mais uma ves o Gordon, na sua carreira de soldado da fortuna, encontra-se de cotão nos bolsos e há que procurar novo trabalho.

Sabia que não lhe seria difícil...

Era mais a procura que a oferta até porque se estava na época das independências dos novos países de África e, outros movimentos revolucionários, esporádicos, no globo, necessitavam dessses homens para se oporem às autodeterminações ou ajudarem os que procuravam obtê-la.

Temos novamente o Gordon a firmar um contrato com uma agência de mercenários e agora deslocar-se-á para junto da fronteira do Laos.

A missáo seria o de se infiltrar, através deste país, no Vietnam e por lá sabotar pontes e mais aquilo que lhe fosse incumbido.

Numa manhã de um dia do ano de 1971, o Gordon saiu da cidade de Banguecoque, a guiar um pequeno camião carregado de armas de munições cujo o destino seria a fronteira entre a Tailândia e o Laos.

Recebe um mapa com o itinerário e este seria: Ayuthaya, Lop Buri, Saraburi, Korat e depois desta cidade a 400 quilómetros está no campo/base, junto à fronteira, onde ali alguém o esperaria.

As estradas na Tailândia em 1971, não as de hoje, muito más e em alguns percursos de terra.

Para perorrer 170 quilómetros a distância que separa Banguecoque ao "Mosteiro Thamkrabok" demorou um dia e chegou ao princípio da noite.

Em frente ao caminho, entre capim alto e outra vegetação, os quatro pneus do pequeno camião estão rebentados.

O Gordon não pode prosseguir viagem; não sabe o que fazer à sua vida, até porque na altura o local é deserto inabitável.

Abandona o camião, carregado de armas e munições, segue pela pequena estrada de terra que o leva ao "Mosteiro de Thamkrabok" para pedir auxílio.

Chegado lá encontra, levantado, Luang Paw e diz-lhe: "Eu esperava por ti..."

O soldado da fortuna Gordon, abandonou o camião, não mais quis saber das munições e das armas e no mosteiro, até hoje, nunca mais dali saiu.

Uma história fantástica que até daria uma longa metragem de um homem, talvez vítima da sociedade que o rodeava, que nasceu num país onde a cor era segregada.

O monge Gordon tem a seu cargo a sauna e a ligação, de estrangeiros (public relations) com o mosteiro.

O "Mosteiro Thamkrabok" acolhe gente de todo mundo , são de várias nacionalidades.

Muitos cansados da sociedade que os rodeiam e recolhem-se para sempre no santuário da montanha, onde ali vão ao encontro da paz de espírito do sossego e por lá ficam para sempre.

Vivem entre as altas montanhas e conforme as profissões que haja tido durante suas suas vidas aplica-nas ali aumentando a grandeza do mosteiro.

Construem templos, deuses de altura descomunal e até a estátua em cimento de sua Majestade o Rei da Tailândia.

Vi, ontem, um monge budista empoleirado entre a armadura de ferros que irá ser o pórtivo de um novo templo.

Outros num caminho da uma encosta a moldar santos e outras decorações que irão ornamentar, mais um templo aos pés do pico da montanha.

Toda esta gente que se recolheu no mosteiro e abandonou o mundo, servem a sociedade, o seu Deus o Lorde Buda por absolutamente nada. Junto ao templo em construção dou com um homem, de meia idade a dirigir os outros monges a calcetarem a entrada que vai seguir às escadas que do novo templo.

Naturalmente travei conversa com ele e perguntei-lhe a sua nacionalidade e o nome. O Steve de nacionalidade australiana, calculo de uns 45 anos, viveu dias felizes na Tailândia, casou com uma senhora tailandesa que lhe deu duas filhas. Mas o Steve meteu-se na heroína, perdeu a mulher, mas não perdeu os filhas, porque com poucos anos levou-as para a Austrália.

Contou-me toda a sua vida, não colocou qualquer reserva e deixou-se totografar.

Nunca mais soube de sua mulher tailandesa, mas puxou da carteira do bolso das calças e dela retirou uma fotografia e mostrou-me orgulhoso a fotografia de sua filha de 22 anos, uma jovem bonita que vive ma Austrália, sem nunca ter voltado à Tailandia.

Após as primeiras desintoxicações levadas a efeito, com éxito, na população Hmong, com curas a 100 por cento o mosteiro ganha fama e os doentes que se seguem são os tailandeses aditivos da heroína.

Depois de 1975 e ainda por anos, que se seguiram, Banguecoque era um dos pontos principais do tráfico de heroína, chegada do Triângulo Dourado (fronteiras da Birmânia, Laos e Tailândia).

Plantar a planta da papoila era corrente entre as montanhas das terras altas onde o ópio era destilado e convertido em pó branco, de alta pureza, a heroina.

Entre os pequenos vales encravados nas montanhas, mesmo com a repressão das autoridades, continuavam a progredir.

Porém na parte da Tailândia e graças à intervenção de Sua Majestade o Rei da Tailândia a cultura da papoila foi substituída pela plantação de vegetais e uma outra forma de sobrevivências das populações, tribais, do território tailandês.

Em 1992 não existiam plantações de ópio no norte da Tailândia enquanto estas continuavam a ser cultivadas na Birmânia, protegidas por um exército, privado, sob as ordens de Khun Sa.

Os toxicodependentes tailandeses começaram a ser tratados em Thamkrabok e a fama chegou ao estrangeiro.

Começa a receber doentes de vários países onde ali vão em procura do alívio de uma toxicodependência que lhes mina o ser, a personalidade e a vontade de viver.

Ao longo de duas dezenas de anos uns milhares de jovens estrangeiros foram recuperadas e devolvidos à sociedade.

Hoje um toxicodependente, Gary Devine, ainda em tratamento, dedica-se, como samaritano a incentivar jovens, europeus adictivos de drogas, a tratarem-se no templo.

Presta-lhe toda a assistência na Tailândia.

Conversei com o Dave e informou-me estar a preparar-se, espititualmente para seguir a religião budista e ficar, para sempre no mosteiro.

Aqui fica o seu contacto para os interessados: Gary Devine - Facilitor - Telefone 66 (o)87-7884613 - e-mail gdevine16@yahoo.ic website http://www.thamkrabok-monastery.org/ A cura de desintoxicação não é fácil e até violenta para quem assiste à tomada de um pequeno copo do medicamento herbal, que as paredes do estômago no ápice o absorvem e caldeia-se de imediato ao sangue que corre pelas veias e o leva a todas as partes do corpo incluindo o cérebro. O líquido no estômago conserva-se uns escassos segundos e a seguir o paciente é acometido de grandes convulsões e chegam-lhe os vómitos que pela boça lhe saiem largos esguichos do medicamento que tinha tomado. Alguem tem que ajudar esses doentes, segurando-os pelos ombros e batendo-lhe nas costas.

Antes do tratamento dos internados, para uma cura que pode durar um mês, estipulado para as quatro horas e meia da tarde, o grupo de uma meia centena de toxicodependentes, chega junto ao espaço onde será ministrado o medicamento herbal, e cada um com uma vassora na mão varrem as folhas caídas das árvores. Cheguei a uma jovem rapariga irlandesa, bonita, e falei com ela, de vassora na mão, uns minutos. Franca nas palavras, mas com marcas no rosto já envelhecido prematuramente.

Não lhe falei em drogas nem no tratamento a que estava submitida, mas perguntei-lhe se gostava de estar no mosteiro e respondei-me: yes,yes very much I like it!

Lembrei-me do sofrimento a que estariam sujeitos os seus pais bem longe e à espera que a filha regressasse ao seio completamente curada...

Mas, alguns, de facto saiem do mosteiro curados, mas uma percentagem de 20 a 30 por cento volta ao hábito e mais uma vez em procura da cura no mosteiro.

Noutro lado dou com dois homens entre a idade dos 22 a 25 anos e perguntei-lhe de onde vinham; de Inglaterra.

Um já quase de barriga e peito colados às costas e a cota da mão com duas cicratizes de queimaduras que deveriam ter sido feitas no aquecimento da cocaína antes de a injectarem ou ingerirem.
Havia por lá outros, europeus e australianos de vassora na mão que não me valeria a pena contactá-los porque a histórias seriam as mesmas.
Todos os toxicodependentes entrarem para um parque, com um telheiro de zinco e um palco ao fundo onde os joveñs doentes levam a cabo espectáculos de música, cujo os artistas são eles.

Uma biblioteca bem recheada de livros para os ajudar a passar o tempo melhor.

Um grupo colaca-se ao lado esquerdo com pequenos pratos de metal e um tambor conprido ao meio da ala.

Do outro lado estão em fila aqueles a quem um monge budista lhe vai dar um copinho com o líquido que irão ingerir.

Há ordem para que todos o bebam ao mesmo tempo. Daí a pouco a ala, quase em simultâneo, começa a vomitar, fortes esguichos para o balde que está a frente de cada um. Contorcem-se, vergam o corpo.

Alguns choram pelas convulsões a que estão sujeitos pelo efeito da droga. Os cantos do grupo continuam e o som do tambolirar tambor.

Depois dos vómitos, os que foram tratados bebem muita água. Familiares de alguns doentes, certamente pais e irmãos assistem, sentados, ao tratamento.

Por mais estranho que possa parecer o tratamento dos toxicodependentes é absolutamente gratuito e não só a acomodação, a roupa que irão usar durante a permanência no "Mosteiro Thmakrabok", assim como a alimentação.
José Martins

sábado, 13 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA -PRIMEIRA PERNA

A cidade de Banguecoque amanheceu sorridente com o azul do céu.
As chuvas foram-se com a monção. Para meados de Abril, no Songkran a Festa da Água voltarão.
Estamos na Primavera na Tailândia com uma temperatura amena e até, da parte da manhã, se veste uma roupa por cima da camisa.
Saí de casa por volta das 10 da manhã (13.12.08) e iniciar a minha viagem sem destino e de tempo, de regresso, incerto pelas terras do centro e norte da Tailândia.
Um reformado deixou de ter horas a cumprir, voltou independente, mandou colher urtigas aos "chefes" e se fiquem a coçar da comichão.
Me parece que na Tailândia só há dois reformados portugueses, um sou eu e o outro o senhor Campos, que embora more para os meus lados raramente nos vemos.
Com a recente, criada "mafia portuguesa" em Banguecoque (apesar de não ser violenta), não me vou ligar de certeza.
Se ainda por aqui houvessem uns quatro nos entreteríamos, montando banca num jardim e, ali, passaríamos o tempo jogando uma "suecada" e a "lerpa" nem que fosse a amendoins.
E, quem sabe, entre outras coisas que os portugueses deixaram na Tailândia, bem poderíamos, nós os reformados, contemporâneos lusos, deixar o jogo da "sueca", o mata-máguas, dos "dois-dois", das rabugices dos velhos, a cair aos bocados, de Portugal.
Como não tenho mais três parceiros para jogarmos uma "suecada" tenho que arranjar forma de matar o tempo; colocar a rabugices e os "doi-dois" de lado e fazer alguma coisa.
Viajo pela Tailândia...
E como para o mês de Dezembro, a Caixa Geral de Pensões, teve a generosidade de me pagar mais um mês, as boroas, do Natal, venho estafar umas fatias sentado no "cockpit" do tracção às quatro rodas Vitara japonês, rodando pelas boas estradas deste Reino, o da Tailândia, onde por estranho que pareça não se paga nada e ter aquela chatice, de Portugal, a perda de tempo nos quiosques montados à entrada das vias.
Nunca me largou a taradice de me armar em correspondente e ser um "tipo" famoso, nem que seja o teclar "José Martins", no fim do texto e vos peço perdão pela chatice e alguma paciência, que hajam tido, em ler o que escrevo.
Ora um funcionário (manga de alpaca) reformado, do Ministério dos Negócios dos Estrangeiro não se pode dar a luxos, de alargar-se em cavalarias altas, como aquela rapaziada, muito bem arranjadinha que nunca fez "porrinha" que valesse, ao país e lauteiam-se com reformas num mês aquela que recebo em três anos...
Haverá de facto globalização na democracia em Portugal?
Uma ova!
Nada disso...
Cada um avia-se o mais que pode e que se lixe o parceiro do lado.
Vejam lá, os meus leitores, que afinal aquele ditado bem antigo continua a viver: "A sopa não é para quem a miga, mas para quem a come"!
Pois foi por causa disso que a Maria, a cozinheira do senhor visconde das "Terras Frias", se vingou!
Quando mandava a canja para a mesa do visconde, que andava a cavalgar, à sucapa, a rapariga na casa da lenha, seguia condimentada com umas cuspidelas.
Os homens da política na Tailândia, depois da tempestade estão acomodar-se na harmonia, mas este assunto não são contas do meu rosário e não me meto em quezílias de casa que não é minha.
Deixo isso para o Nuno Caldeira da Silva http://frombangkok.blogspot.com/ que não perde "pitada" das ocorrentes, manobras "politiqueiras".
O Nuno Caldeira da Silva, um romântico bronzeado, noutras eras, nas praias do Algarve, a fazer concorrências aos "engates" do Zé-Zé Camarinha, optou pelas de água, mais morna, da Tailândia.
O Nuno depois de tanto se tenha revelado como homem dos "sete instrumentos" pelo correr de sua vida, bem vivida e melhor "benzida", viria, agora, a iniciar a sua carreira jornalística e analista das recentes contendas entre dois partidos tailandeses.
Portugal que precisa tanto de homens "porreirinhos" como o Nuno, para indireitar a nação, foi mais um cérebro de valor ("drain brain") perdido a juntar, ao Durão Barroso, a "botar" figura na Europa; o Eng. António Guterres, homem do mundo e dos refugiados a beijar criancinhas, nos campos de acolhimento; o Dr. Jorge Sampaio, o da irradicação, no mundo, da tuberculose e o "paizinho" discursador que os seus "falatórios" até embalam e dão aso para dormir, aos que o ouvem.
Tanto, estes homens, ofereceram à Pátria Portuguesa e quando mais necessitava destes valores lusitanos rasparam-se...!!!
Quando começo a descrever as tão proeminentes e honradas figuras da minha pátria, envaideço-me tanto que gostaria de continuar a descrição destes "ditosos" homens, paradigmas da Grei, que um dia serão contemplados com uma estátua de bronze, assente num pedestal do melhor mármore numa das praças centrais de Lisboa.
E para que estas gradas figuras, produto da democracia portuguesa e monstros sagrados, não sejam "cagadas" as suas esfinges de bronze, pelos pombos do Rossio e da outra banda do Tejo, deverão ser protegidas.
Não vou falar no nosso (mais bom) PM José Sócrates, pelo facto de ser meia-noite, na próximidade de ir dormir, e posso vir a ter umas indesejáveis insónias!
E como são horas de dormir, vou embrenhar-me num sono profundo, no hotel dos "macacos" em Lop Buri (Lopburi Inn), onde me hospedei, a 150 quilómetros de Banguecoque.
Um bom domingo para aí.
Amanhã há mais para contar.
José Martins

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

VIAGEM SEM DESTINO RODANDO PELO CENTRO NORTE DA TAILÂNDIA

Lá vou eu desaparecer, por 10 dias, de Banguecoque seguindo, parte, do caminho que percorreu o Fernão Mendes Pinto.
Viajo só entre estradas excelentes e outras menos. A minha curiosidade leva-me, muitas vezes, a enfiar-me em caminhos e atalhos.
Mas se da estrada observo um templo erigido na montanha lá estou eu a ver lá do cimo as terras, verdes, planas,
Não percorro os habituais roteiros turísticos, mas aqueles que poucos "farangues" (estrangeiros) conhecem.
Viajar pelo interior da Tailàndia é um prazer que vale a pena experimentar para quem nunca o tenha feito e a oportunidade.
Não viajo com pressas, mas com velocidade moderada para observar o cenário para além das bermas da estradas.
O tráfego automóvel é pouco nessas vias rurais.
Porém agora vale a pena viajar de automóvel porque a gasolina baixou de preço e custa a que o meu carro consome o litro 16.3 bates (pouco mais de um terço do que custa aos portugueses!)
Ninguém me molesta e viajo na máxima tranquilidade,
As gentes, tailandesas, dos meios rurais, são simples e até me distribuem sorrisos no meu correr, quantas vezes, sem destino.
Vou chegar a Lampang, tomando o caminho de Sokhothai, pelas estradas, tortuosas das montanhas que separam o primeiro Reino do Sião e desço para uma pequena cidade da Tailândia e a mais sossegada que conheço.
Lampang está carregada de história e onde os portugueses, uns pelo lado do Reino do Pegú e outros pelo do Sião lutaram contra os outros.
Há 10 anos que não viajo para aquelas bandas e confesso que tenho saudades...
Lá irei ao local, a 15 quilómetros da cidade, onde os portugueses pelejaram e reportar aquilo que o meus olhos vão ver depois de 21 anos ali ter estado.
Talves já tudo diferente...
Pouco me importa, o que me interessa é estar lá.
Comigo segue a biblía, que sempre me tem acompanhado nas minhas viagens pela Tailândia, a "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto. Algumas vezes meto na pele a personagem desse "vagabundo", português que descreveu o Reino do Sião como ninguém.
A "Peregrinação" tem sido a fonte ( a minha também) onde historiadores, portugueses e estrangeiros, mergulham nela e saciam a sua sede, cozinhando, depois, os seus escritos partir dessa genial obra.
Vão na minha bagagem as novas tecnologias de comunicação para de qualquer ponto me encontre possa escrever e inserir na internet.
Espero que a "modem - wireless" não pife como a última vez aconteceu.
Mas suceder a minha viagem, com desgosto, será encurtada, porque nunca me adaptei às lojas da internet.
José Martins