Ter
ror em Bucareste aconteceu há 23 anos e no dia 15 de Junho de 1985. De facto já lá vão muitos anos... E só por ser um daqueles maduros/cóca-bichinhos que gosta de guardar papeis porque todos eles têm uma história a contar, posso descrever esta de terror.
Os papelinhos que guardei à 23 anos estiveram adormecidos a um canto na minha biblioteca e sala onde trabalho.
Porém e dado à notícia que, foi hoje, inserida no jornal "Sol", aposta ao lado esquerdo, avivou-me a memória e escrever a história a seguir.
Nós enquanto andamos pelo mundo que dizem ser de Cristo temos muitas histórias para contar.
Uma boas outras menos boas e ainda outras que se podem considerar de terror.
Como já em outras peças revelei por cerca de 10 anos fui "oilman" ao serviço de uma empresa americana.
Fui enviado para vários países e entre eles para a Turquia na área do Curdistão.
Num habituais descansos de duas semanas por cada seis de trabalho, resolvi (porque era mais em conta o bilhete, e no fito de economizar a verba que me era destinada pela companhia) viajar na "Taron Airlines" a linha da Roménia. Banguecoque/Bucareste/ Istambul.
Em Bucareste teria que ficar desde as seis da manhã até às 11 da noite.
A Roménia há 23 anos o regime era o da linha dura comunista e com o Causescos "o carrasco" (aquele que foi abatido a tiro com mulher) a dirigir os destinos do país.
Estrangeiros não vi nenhuns, além de uns "grandalhões" (não sou racista entenda-se) africanos acompanhados ou sentados nas mesas das esplanadas a beber canecas de litro de cerveja, com jovens lindíssimas!
Parece-me que seriam estudantes, de países africanos, com bolsas de estudos...
Durante a viagem, sentou-se um romeno, que me disse ser o gerente da "Taron" em Banguecoque.
Os aviões eram os obsoletos Boeing747 e a refeição, durante a viagem, umas pernas de galinha fritas há uns dias.
O 747 já vinha da Austrália e a tripulação, revesada, durante a viagem e não poderia sair do avião na escala em Banguecoque.
Junto ao "cockpit", umas cortinas faziam um compartimento onde os pilotos, substituídos, descansavam.
O romeno durante a viagem pintou-me o país como um paraíso onde poderia comprar cristais em conta, etc.etc..
Quanto à visa para sair do aeroporto e ir descansar num hotel não ha
via problema 10 minutos e um dólar! Cheguei ao aeroporto, na varanda da sala de chegada 4 verdugos, um em cada esquina de metralhadora pronta a dar tiros se alguém levantasse a grimpa... Andava por ali de um lado para o outro e ninguém me atendia.
Aproximava-me dos "guichés" e respondiam-me: wait,wait, wait!
Várias vezes passava por mim um funcionário do aeroporto que nem sequer me olhava...
Filhos da mãe dizia para os meus botões!
Mas depois de umas duas horas de espera, o "gajo" que passava por mim pediu-me o passaporte e diz-me: fifteen dólares (15).
Dei-lhas e saí para apanhar um taxi para me levar à cidade.
O motorista que guiava um Renault, made in Roménia, um daqueles gajos desenrascados a falar um inglês, muito bom, falou-me de tudo menos (como habitualmente de outros países, Lisboa também) se queria "meninas".
Aquilo por lá parece-me que não "dava" o negócio de meninas...
Levou-me ao hotel "NEGOIU" (foto ao lado) e um tipo "gorila" atendeu-me na recepção.
Pergunto-lhe: "do you have a room for take a rest for few hours".
Mas em vez de dizer que tinha mandou-me sentar numa cadeira.
Não ou me arranja quarto ou vou procurar outro hotel.
De imediato pede-me 30 dólares, deu-me a chave do quarto (cubícolo) 314.
Mas confiando no "gorila" não lhe pedi o recibo.
Fui descansar umas 4 horas e saí de
tarde para ver à volta, do hotel, Bucareste. Tive apetite e coloquei-me numa bicha para comprar um sandes.
Na primeira quando cheguei ao vendedor já tinham terminado.
Fui para outra e comprei uma sandes que nunca cheguei a saber que carne seria aquela, mas deveria ser de um burro cego de algum cigano, fora de poder puxar a carroça.
Cheguei a uma esplanada, sentei-me e pedi uma caneca de cerveja.
Era Junho e o tempo estava lindo!
Daí a pouco sentou-se ao pé de mim um jovem, aí de uns 25 anos com uma saca na mão.
Pediu licença para sentar ao pé de mim.
Sentou-se, abriu a saca e tirou de lá cerejas, de tal tamanho, que nunca as tinha visto igual.
Não aceitei.
Perguntou-me de onde vinha e para onde ía e o que fazia...
O jovem (o filho da puta) deveria ser dos serviços secretos romenos.
Eu era mais ou menos um "tigre numa jaula".
O sol a esconder-se preparei-m para ir buscar o saco da roupa ao hotel.
Pedi a chave, do quarto, ao "gorila", subi no elevador e desci com a bagagem.
O ciníco diz-me: "you check out"?
Yes, respondi-lhe.
Give me 30 dólares.
Respondi-lhe: mas eu paguei-te de manhã...
O cínico: show me the receipt, show me receipt...
Retorqui: I pay you already I cannot pay you second time!.
Preparei para sair do hotel e o "gorila" saltou do balcão agarrou-se a mim em tom ameaçador e de agressor: you pay right now!
Paguei-lhe mais 30 dólares...
Enquanto uma mulher da limpeza que andava por ali a sacudir o pó abanava, disfarçadamente, com a cabeça, em reprovação.
Os 100 dólares que levava comigo chegaram ao fim...
Tinha os cartões de crédito que levantava dinheiro em todos os lados por onde passava.
Na Roménia nem o popular "America Express" passava.
Agora humildemente pedi-lhe qual era o autocarro que me levaria ao aeroporto.
Na Roménia os autocarros, eléctricos, enormes e de fole não cobravam dinheiro aos passageiros.
Ele in
dicou-me o número do autocarro que me levaria ao aeroporto, só que o "filho da puta" mandou-me para um aeroporto doméstico e militar que não ligava ao internacional. Escurecia num sitio ermo e não sabia para que lado deveria seguir... Passou junto a mim um homem dos seus 70 a anos e pedi-lhe ajuda.
Era um emigrante, romeno reformado, americano e aquela alma caridosa guiou-me e num outro autocarro levou-me ao internacional.
Já noite dentro e pouco mais de uma hora me restava para embarcar para Istambul.
Nos serviços de alfândega o meu saco de viagem foi aberto à frente de mim por sete polícias, um da cada vez.
Viam os meus cigarros "Malboro" e pediam-me um "cigar" e eu dáva-lhes um maço de 20.
Queria ver-me livre daqueles "gajos"...
Cheguei a Istambul, recolhi o saco de viagem e....os três volumes de cigarros (60 maços de 20) tinham desaparecido... e não só o material para fazer a barba, e os frascos de perfume da marca "Alain Dellon".
Tinha o bilhete de volta a Banguecoque deitei-o ao lixo e que se lixasse a Roménia!
Moral da história: "quizeram-os no club dos 27?
Agora aguentai-os porque eu por engano aguentei-os há 23 anos e NUNCA MAIS!
Deus me livre!
José Martins