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Não há mal de pobreza de bacalhau que dure nem riqueza que ature.
Já algumas vezes me referi que por muitos anos me quedei um "pobre" de bacalhau na Tailândia.
Neste Reino e porque não há comunidade portuguesa, os centros comerciais não importam o "fiel amigo".
Está assim o bacalhau arreigado, desde há vários séculos, à cultura dos portugueses.
Sem um prato de bacalhau e uma batatas cozidas, regadas com azeite, a ceia de consoada de um português no mundo, mesmo que a mesa seja farta das mehores iguarias, a tristeza, invade o português e com esta as lembranças das ceias, em família, antes de emigrar para o outro lado do mundo.
Na minha mesa de ceia de Natal, desde que vivo na Tailândia há três décadas nunca me haja faltado o fiel amigo que amigos, que ainda felizmente tenho, me enviam de Macau e de Portugal.
Estas, consideradas pessoas, sempre se lembraram de mim pela quadra do Natal.
Este ano três, meus velhos amigos, invadiram-me a minha dispensa de bacalhau: O jornalista Fernando Correia de Macau, o António Pedroso Lima e o Fernando Oliveira de Portugal.
Mas hoje, um dia antes da ceia de consoada, recebi, de Macau, mais um volume com bacalhau e outras lembranças da minha estimada amiga de há 20 anos (os meus amigos são amigos de duas décadas), Drª Leonor Seabra, uma proeminente historiadora das "coisas" históricas entre Portugal e a Tailândia.
Mas amanhã, logo cedo chega a minha a casa, um velho residente na Tailândia, o Manuel Campos, que vai preparar a ceia de consoada para um grupo de patrícios, portugueses, que comigo e minha família se juntarão, à minha mesa e cearmos a verdadeira, consoada, à portuguesa.
Durante a ceia aventarei a hispótese de fundarmos a "Academia do Bacalhau" da Tailândia.
Uma boa ceia de consoada e que sejam muitos felizes no ano 2010 que se aproxima.
José Martins