-
Não é fácil lidar-se com a morte.
Ontem eu, minha mulher e filha Maria, infelizmente, tivemos lidar com ela.
Morreu-nos uma cadela, que viviam connosc
o e mais outros dois cães, há 12 anos.
Foi baptizada com o nome de Juree.
Os caninos de minha casa, são considerados família e damos-lhe o nome de humanos. O Maico, um canzarrão de 12 anos “Golden Retrieve” e o Bebé de três.
Tenho, desde há muito, a mania de adoptar e reabilitar os cães de rua.
Em 20 anos asilei dois.
O primeiro apareceu-me, há uns 19 anos, ao portão de minha casa, todo escanzelado e por ali ficou uns dias, abrigado, porque lhe fui colocando comida.
Quando viu que eu lhe merecia confiança entrou e ficou comigo mais de uma dúzia anos.
Baptizei-o com o nome de “Lost” (perdido).
Este animal era da raça “Bangkéu”, mas já o seu sangue, misturado, com o cão tailandês que se pode considerar o animal mais inteligente que apareceu ao cimo da terra.
O cão de raça “Bangkéu”, selvagem e originário da província de Lopo Buri (160 quilómetros de Banguecoque) encontra-se no caminho da extensão, pelo facto d
o seu sangue se ter caldeado com o cão, doméstico, tailandês.
Um animal de tamanho médio, de uma nobreza impressionante que só mais tarde viria a conhecer este dote de quando uma “cadelita” veio parir uma ninhada, de cinco cachorritos, junto ao pequeno pântano, pegado a minha casa.
Quando lhe dava a ração de comida, ao fim da tarde, comia à pressa, engolia , saía o portão e voltava, outra vez para dentro. Isso intrigava-me.
O Lost (Perdido) enchia o estômago, vomitava a comida para alimentar os cachorritos. Mais ou menos como os pássaros levam a comida no bico, aos seus filhotes, ao ninho.
Mas a ninhada de cachorros não eram filhos dele, mas a sua nobreza era tal, que os alimentava.
O Lost finou-se, devido à idade e foi para a cova qu
e lhe fiz no jardim de minha casa.
Deixou, como herdeira a Juree que ficou como o pai Lost, sepultada, ontem, a seu lado. A Juree foi sempre saudável, vacinada para que os mosquitos não a picasse e as carraças não se lhe pegassem à pele.
Morreu nova com 12 anos e de um mal dos rins.
Quando se notaram os sintomas da doença, há duas semanas, foi levada ao veterinário que olhou pela sua saúde.
Medicada, alimentada a soro em casa, a Juree não experimentava melhoras.
Há três dias foi novamente levada ao veterinário e, desenganou mais ou menos minha mulher que a Juree estava perdida para mais uns anos de vida.
Aconselhou-a que fosse levada ao centro de veterenária da Universidade de Chulalongkorn e lá com outros meios científicos poderam salvar a Juree.
O centro de veterenária da Universidade de Chulalongkorn, de Banguecoque, tem formado milhares de jovens, veterinários que depois partem para as diversos pontos da Tailândia onde irão exercer a sua profissão, em clínicas privadas ou ao serviço do Estado do Reino.
Volta
ndo ao estado de saúde da cadela Juree, pouco depois da última consulta no seu veterinário de família, piorou. Sentado à minha mesa de trabalho, dou com minha mulher e mais minha filha Maria, junto às 10 horas da noite, preparadas para sair.
Perguntei-lhes onde iam aquela hora. Iriam levar a cadela Juree ao centro de veterinária da Universidade de Chulalongkorn.
- A esta hora perguntei?
- Responderam-me: "o centro está aberto 24 horas para acudir aos animais enfermos".
Lá partiram e as duas noites, passaram no centro para as análises e a operarem. Não resistiu e morreu pelo caminho.
Chamou-se, um jovem, vizinho para lhe abrir uma sepultura, no jardim e enterrada com toda a dignidade.
Porém de relevo que um centro de veterinária a expensas do Governo e uma faculdade se mantenha, 24 horas do ponteiro do relógio, aberta para atender os animais, doentes.
Deixo aqui destacado que os animais da raça canina no Reino da Tailândia têm protecção e respeitados, sejam eles vadios ou os que têm dono.
Sua Majestade o Rei da Tailândia é o principal protector destes animais.
Não raras as vezes apareceu em fotografias com a sua cadela de estimação a Tongdaeng, que de animal vadia, passou a ser uma companhia inseparável de Sua Majestade.
José Martins
-
P.S. Gostei de lidar com os cães e menos com alguns homens.