Uma das razões pelas quais a União Europeia não pode ter o upgrade
político que os engenheiros utópicos do europeísmo desejam é porque,
como velho continente, - muita guerra geopolítica, nacional, e civil
durante muitos séculos, muitas raças, culturas, tradições “história” hard,
- só com muita prudência se pode avançar sem retirar debaixo do tapete
um dos múltiplos conflitos nacionais que lá estão escondidos.
Um desses,
o “rochedo” inglês em território espanhol, está de novo a aquecer os
ânimos entre o Reino Unido e a Espanha, motivando uma florida retórica
bélica do Presidente da Câmara de Londres. Espanha que, por sua vez, têm
umas possessões em Marrocos, de que também não quer ouvir falar que não
são “espanholas”.
Se começarmos por Portugal, estamos em perfeita
felicidade, porque Olivença se bem que não inteiramente “resolvida”, não
excita ninguém a não ser o seu Grupo de Amigos. Mas, caminhando para
dentro da Europa, temos as “nacionalidades” espanholas, em particular o
País Basco e Catalunha, depois a Córsega, o Reino Unido às voltas com a
independência da Escócia e com a ferida do Ulster, a Itália com o
pequeno problema do Trentino- Alto-Ádige e o grande problema da Lega
Nord. Quanto mais para o centro leste da Europa, pior.
Temos a pilha
explosiva das Balcãs, de que nem vale a pena falar, a fronteira
greco-turca no Mar Egeu, o Epiro entre a Grécia e a Albânia e a
Macedónia (perdão FYROM, “antiga república jugoslava da Macedónia”, nome
oficial), a Moldávia dividida, as múltiplas leis que após a II Guerra
limitaram os direitos de propriedade alemães na República Checa, na
Dinamarca, na Polónia, toda a complicada fronteira da Federação Russa,
não sustentada em acordos internacionais mas apenas acordos temporários,
de Spitzberg no Ártico, passando pelo enclave de Kaliningrado, à
Ossétia na Geórgia.
Com excepção habitual dos Balcãs e do Cáucaso, a maioria dos conflitos
estão naquilo que se chama “baixa intensidade”, mas estão lá. Nenhum
desapareceu, alguns estão em crescendo, como se vê com o “rochedo”, ou
com a rejeição da Alemanha na Grécia, que vai buscar as memórias da
guerra e da ocupação.
A União Europeia e a OSCE têm tido um papel
positivo em evitar muita conflitualidade, mas esta situação devia ser
sempre um sinal de prudência para as aventuras da criação utópica de uns
“Estados Unidos da Europa”, que meia dúzia de burocratas e governantes,
mais bruxelenses do que nacionais, pensam que se pode fazer escrevendo
bonitas palavras num papel.
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Fonte: Abrupto








