Bob Geldof sem papas na língua há uns anos
O termo lusofonia nunca foi do agrado dos angolanos porque faz
lembrar a “francofonia”, um instrumento fundamental para perpetuar os
interesses de França nas suas antigas colónias.
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Mas não havendo melhor,
foi aceite como plataforma de suporte à Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa, um bloco muito importante que permitiu congregar afectos,
boas vontades e políticas capazes de cimentar os laços entre todos os
que falam a língua de Agostinho Neto, José Craveirinha, Eugénio Tavares,
Alda do Espírito Santo ou Camões.
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A CPLP foi fundada há 17 anos, altura em que Angola estava em guerra,
mas foi fruto da vontade dos Governos dos povos que falam a Língua
Portuguesa. Os avanços têm sido muitos e Angola está na primeira linha
dos esforços para consolidar a organização.
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O secretário executivo da CPLP, Murade Murargy, está em Luanda e a
primeira coisa que disse no aeroporto foi que conta com Angola “como
suporte fundamental” na consolidação da organização. Brasil, Moçambique,
Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste compreendem
esta realidade e agem em conformidade. Só Portugal diverge
perigosamente.
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E não venham desculpar-se com a situação de protectorado,
porque já antes a sua cúpula tinha um comportamento que em muitos casos
se assemelhava a relações pouco ou nada amistosas.
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A crise social e económica em Portugal retirou a políticos e
comentadores algum discernimento e perspicácia. O Presidente da
República de Angola, José Eduardo dos Santos, anunciou que a parceria
estratégica com Portugal, que estava a ser construída laboriosamente
pelos dois Estados, não pode avançar nas actuais condições. Porque a
cúpula portuguesas está a ser desleal em relação aos entendimentos que
tem com Angola.
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A postura actual do Estado português representa uma verdadeira agressão a
Angola. A agressão mediática de Portugal vem de alto a baixo, de
representantes de órgãos de soberania, de políticos, deputados,
magistrados, partidos políticos portugueses.
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É evidente que damos um
desconto quando alguns se comportam como crianças tratando de assuntos
sérios e dizem que a democracia deles é melhor do que a nossa. Ou que os
portugueses respeitam a separação de poderes e os angolanos não.
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Afirmar que os angolanos querem acabar com a liberdade de imprensa em
Portugal, é mais do que criancice. Entra no domínio da enfabulação
infantil.
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Em Angola, o Ministério Público informou que está a investigar vários
casos de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem cidadãos
portugueses.
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Nunca os Procuradores responsáveis por esses processos
deram aos jornalistas angolanos informações que lhes permitissem fazer
manchetes, assassinando na praça pública cidadãos que gozam da presunção
de inocência e só podem ser julgados nos Tribunais.
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Não somos melhores
que ninguém. Mas também não somos os piores do mundo, como dizem
dirariamnete elites portuguesas ignorantes e corruptas.
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Na democracia portuguesa, o antigo Primeiro-Ministro José Sócrates viu o
seu nome referido na comunicação social como corrupto, a propósito do
licenciamento da Freeport em Alcochete.
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O Ministério Público, durante
sete anos, andou a julgá-lo na praça pública, com manchetes e notícias
falsas. Depois o processo foi arquivado sem que alguma vez tivesse sido
acusado nem constituído arguido.
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O mesmo Ministério Público quer fazer o
mesmo a cidadãos angolanos e todos os titulares dos órgãos de soberania
de Portugal consentem isso.
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Usando os impérios mediáticos que
sobreviveram aos diamantes de sangue de Jonas Savimbi, os Procuradores
vão julgando honrados cidadãos angolanos na praça pública e os
comentadores dizem que querem vingança com um “Angolagate à Portuguesa”.
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A democracia deles não respeita o direito à inviolabilidade pessoal. E
assim, de nada serve a separação de poderes. O “Angolagate” em França
foi um autêntico fiasco, como se viu.
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Esta situação configura uma agressão intolerável. A cúpula em Portugal,
Presidência da República, Assembleia da República, Governo, Tribunais,
tem pesadas responsabilidades no actual clima de agressão a Angola, que
recrudesceu nas últimas semanas e atingiu níveis inaceitáveis.
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Enquanto persistir a onda de deslealdade e agressão que vem de Lisboa
não são aconselháveis cimeiras. E é um rotundo erro desvalorizar a
posição tomada pelo nosso Chefe de Estado. Com isso, estão a enganar as
pessoas.
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Dizem cinicamente que já está tudo bem, enquanto ao mesmo tempo
o Ministério Público faz mais manchetes nos jornais e são violados os
entendimentos feitos com Angola. Portugal já não está nas grandes obras
públicas no nosso país. Não está no petróleo. Não está na transferência
de tecnologias.
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Aí estão a China e o Brasil. Portugal parece estar
apenas reduzido à chantagem e à falta de respeito. Está tudo mal e a
CPLP é altamente prejudicada com isso. Assim, estão a dizer adeus à
lusofonia. (jornaldeangola.com)