Editorial - Inadmissível
As elites
portuguesas ignorantes e corruptas continuam no registo que sempre usaram
contra os Angolanos. Para eles, Angola é um país de corruptos, analfabetos e
ladrões. O verbo utilizado vai do suave ao grosseiro. Das falinhas mansas aos
gritos de ódio. Das palmadinhas nas costas à punhalada brutal e assumida.
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A comunicação
social portuguesa é transformada em Tribunal do Santo Ofício por magistrados do
Ministério Público, ciosos da sua independência mas estranhamente irmãos
siameses dos que mais se distinguem nas calúnias e ataques à honra de cidadãos
angolanos que nenhum Tribunal julgou ou condenou.
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A justiça
popular, os processos de intenções, os preconceitos substituem o Estado de
Direito. Se as vítimas reagem, dizem que em Portugal as coisas são mesmo assim,
ninguém respeita ninguém e que a democracia é isto.
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As autoridades
portuguesas são incapazes de obrigar o Poder Judicial a guardar o segredo de
justiça. Os patrões dos órgãos de comunicação social esfregam as mãos de
contentes quando os seus empregados disparam sobre os angolanos. Pode ser que
isso lhes dê vantagens nos negócios.
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Os jornalistas
usam a carteira profissional como licença para assassinar o carácter das suas
vítimas angolanas na praça pública. Altas figuras do Estado Angolano são os
seus alvos.
Se houver reclamação, dizem que altas figuras do
Estado Português são também vítimas dos mesmos crimes. Como se isso transforme
crimes em virtudes. Ou o Estado de Direito aguente semelhantes atentados,
protagonizados por magistrados e jornalistas que em rigor deviam ser os seus
principais defensores.
O Ministério
Público Português faz manchetes na comunicação social quando abre um inquérito
a uma alta figura do Estado Angolano. Devidamente acusado, julgado e condenado
na praça pública, os criminosos partem para outra.
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Quando os
inquéritos são arquivados, é segredo. Até para as vítimas. Um ano depois de ver
o seu nome e a sua honra violados, o Procurador-Geral da República de Angola
soube que afinal apenas estavam em causa umas informações bancárias que são
sigilosas e por isso, não podem ser bases de notícias.
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Para manter a chama acesa, o Ministério Público deu de manhã a um jornal uma
“informação” preciosa: o inquérito ao Vice-Presidente da República, Manuel
Vicente, foi arquivado.
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Na noite do
mesmo dia, num comunicado oficial, a Procuradoria-Geral da República Portuguesa
vem esclarecer que a “notícia” não tem fundamento porque a vítima das violações
do segredo de justiça afinal “não consta como arguido, nem foi suspeito, no
inquérito em apreciação”.
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Se não é ele,
são os seus enteados! Mas nada de especial: o problema é com uma empresa e se
for cumprido o que os arguidos aceitaram perante a Justiça, fica tudo
resolvido. É claro que o
juiz de instrução tem que dar despacho.
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O comunicado da Procuradoria-Geral da República Portuguesa tem como título
“Vice-Presidente de Angola - Manuel Vicente”. Que não é arguido nem suspeito.
Devia lá estar o nome da empresa em causa mas não está.
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E o documento
oficial refere apenas “os seus enteados”. Cumprimentamos os magistrados do
Ministério Público por resguardarem os nomes de cidadãos que até ver, são
inocentes. Assim é que deve ser sempre. Mas não tiveram o mesmo cuidado com
altas figuras do Estado Angolano. Pelo contrário, julgaram-nas e condenaram-nas
na praça pública de uma forma infame.
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É
contra isso
que os angolanos decentes estão. É isso que consideramos inaceitável.
Se o Ministério Público em Portugal abrisse um inquérito ao
Vice-Presidente de
um país da União Europeia ou dos EUA temos a certeza de que os seus
nomes não
iam fazer manchete nos noticiários dos barões da droga em que se
transformou a
comunicação social portuguesa.
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As elites
portuguesas ignorantes e corruptas estacionaram no colonialismo mais
retrógrado. Continuam a achar que os negros são seres inferiores e se têm uma
camisa lavada é porque a roubaram.
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Quem tem amigos
assim, o melhor é virar-lhes as costas e negociar até com o diabo ou dialogar
com os inimigos. É muito difícil dialogar com um país em que parece que ninguém
se entende e estão todos virados para o tornar ingovernável.
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Dizem que o
investimento é bem-vindo, mas atacam os investidores angolanos. O mesmo fizeram
com Ângela Merkel e a Alemanha que meteram rios de dinheiro para salvar
Portugal da bancarrota.
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Se não
soubessem o que fazem, eram perdoados. O que fazem é tentar intimidar os
angolanos para estes deixarem de gerir com toda a soberania e independência o
seu país. Mas compreendemos muito bem porque fazem antos ataques a Angola,
quando nos chamam seus irmãos.
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Ainda que lhes
custe têm de compreender que jamais nos deixaremos intimidar. Antes a morte que
tal sorte! Assim falava Camões.