Nos próximos seis meses, o governo, geneticamente anticonstitucional,
vai dizer que o "programa de assistência" que se adivinha a partir de
Junho, senão mesmo um segundo resgate, foi obra das "forças de bloqueio à
mudança", nomeadamente o TC. Será mais um dos embustes em que este
governo é pródigo. Conduziu-nos até aqui, a um empobrecimento
desnecessário, a desigualdades crescentes e a um endividamento externo
que se irá perpetuar, por muitas décadas, porque errou em tudo.
Tomás Vasques, i
Somos aquilo que sempre hajamos sido. Não mudaremos mesmo com o ladrar dos cães.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
BELAS "RAGAZAS" (COMO DIRIAM OS ITALIANOS)
Advogadas de corpo e alma
por João Pinto Bastos, em 21.12.13
Caríssimos amigos blogueiros, em vez de
escreverem rios e rios de linhas e palavras furibundas contra as pulcras
senhoras advogadas que linda e veneravelmente expuseram os seus
serviços jurídicos na web, que tal perguntarem aos nossos responsáveis
governativos o porquê de a liberalização das profissões protegidas,
docemente prometida por Álvaro Santos Pereira, ainda não ter visto a luz
do dia? É que respostas
deste jaez só continuam a vir ao de cima devido, unicamente, à inacção
registada pelo executivo na consecução definitiva da reforma
liberalizadora das ordens corporativas, que, se bem se recordam, foi
contratualizada com a troika. Depois não se queixem, pois, no fundo, a
culpa não é do bastonário nem das sociedades de advogados que
virulentamente protestam contra as esbeltas senhoritas. Culpem, isso
sim, os rapazolas do Governo que dão guarida aos gritos corporativos
pseudo-viris dos poderosíssimos machos ibéricos que ainda povoam a
advocacia portuguesa.
DO COLEGA "PORTUGAL DOS PEQUENINOS"
A gala dos emigrantes famosos
Algumas "elites" e os nababos do costume
promovem amanhã, sob o altíssimo patrocínio do regime (PR, Governo e,
se bem entendi, com o dr. Seguro a título de correcção política
ornamental), um "conselho da diáspora" para a glória exterior do egrégio
portugalório.
Pessoas estimáveis que se safaram lá fora - desde o actor
Joaquim de Almeida a um familiar Espírito Santo, passando por
"brilhantes" executivos anódinos que, pelos vistos, para o serem tiveram
de sair da paróquia - constituem a coisa e juntam-se, um dia antes do
horrível natal, para nos mostrar (e ao mundo que incompreensivelmente
nos ignora) que há portugueses "bons" que dilatam brilhantemente este
lugar deletério junto dos países que os acolheram (ou que eles, muito
adequadamente, escolheram para se verem livres disto).
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Mas esta conversa
- a da boa "diáspora" contentinha consigo mesma - é uma léria que
funciona em circuito fechado e porventura a despropósito.
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Porque se o
senhor a ou a senhora b são bem sucedidos e, nesse
sentido, exemplares e susceptíveis de poderem ser exibidos como troféus
dos novos lusíadas para efeitos "gold import-export" tão ao gosto das mistificações patrioteiras do senhor vice PM, é
preciso não esquecer os cem a cento e vinte mil "forçados" recentemente
à saída e que, decerto, não cabem num evento glamoroso como este,
estilo "gala dos emigrantes famosos".
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Só para "estudar"
estes 120 mil era preciso, pelo menos, um semestre e não é certo que os
presentes na "gala" oficiosa apreciassem o convívio ou as conclusões.
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Como escreve Vasco Pulido Valente, «o Conselho da Diáspora está
ansioso por impingir Portugal como uma colónia de primeira classe. Resta
saber como se fará essa subtil operação de charme. Londres tem o Big
Ben a City e a vida fascinante da família real; Paris tem o Louvre e a
Torre Eiffel; e Roma tem o Coliseu.
Mas nós só temos o pénis de João
Cutileiro, entre duas colunas triunfais que não significam nada e alguns
metros do Algarve, que a construção civil ainda não arruinou de todo:
para emblema, não parece grande coisa.
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Nem a nossa vida do dia-a-dia,
mesmo no Porto e em Lisboa, é especialmente convidativa. A velha Lisboa,
por exemplo, já não existe e a nova Lisboa não passa de uma
mediocridade sem ordem ou alegria. A cozinha tradicional caiu a pique
com a falência das pequenas tascas da Baixa e do Bairro Alto.
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Claro que
um investidor não vem cá por prazer. Vem pela estabilidade do poder
político; pela solidez do regime fiscal; pelo equilíbrio financeiro,
pelas leis laborais ("flexíveis", evidentemente); e pelo funcionamento
regular e rápido da justiça; e pela ausência de burocracia.
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Mas basta
abrir um jornal ou ligar a televisão para se perceber que nesta base o
"produto" Portugal ou, como explicam algumas notabilidades da Diáspora, a
"marca" Portugal não irá provavelmente pôr o mundo em delírio.
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O
respeito dos que nos conhecem (e dos que não nos conhecem) depende da
ordem, da eficiência e da sensatez com que soubermos tratar dos nossos
problemas. Não depende de vagas conversinhas de "iluminados".
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O que
Portugal é não muda com um bocadinho de public relations, por boas que
sejam.»
João Gonçalves | link do post | comentar
