Este Natal veio para nos mostrar que a justiça não é algo que nos vá
ser oferecido e que tem de ser arrebatada das mãos daqueles que a
sequestram. E a única esperança que ele permite consiste em acreditar
que haverá cada vez menos pessoas a pensar como escravos e a compreender
que há, lá fora, um mundo a conquistar.
José Vítor Malheiros, Público
Somos aquilo que sempre hajamos sido. Não mudaremos mesmo com o ladrar dos cães.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
RICARDO ARAÚJO PEREIRA, PASSOS E OS VELHOTES
Ricardo Araújo Pereira escreve ao primeiro-ministro
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O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário.
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Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente.Em 2015, ano das
próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para
votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é
falecer.
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É uma espécie de
passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes
cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente
defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da
democracia bastante descurada por vários governos, mas não só pelo seu.
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Por outro lado,
mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os
velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma. O
grande problema das sociedades modernas são os velhos.
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Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. .
Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. .
A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois ou três anos repimpados a desfrutar das suas pensões.
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A esperança de
vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro
gasto em pensões poderia estar a ser aplicado onde realmente interessa,
como os swaps, as PPP e o BPN. Se me permite, gostaria de acrescentar
algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na
sociedade portuguesa:
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1. Aumento da
idade de reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que
se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da
reforma é muito.
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Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a
queixar-se de que a vida passa a correr e que 20 anos não são nada. É
verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é
neles que está a sabedoria.
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2. Exportação dos
velhos. O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter
aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para
enfeitar um alpendre, um jardim.
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3.
Convencer a artista Joana Vasconcelos a assinar 2.500 velhos e pô-los
em exposição no MoMa de Nova Iorque. Creio que são propostas valiosas
para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito
humanista que tem norteado as políticas das últimas décadas.
Cordialmente,
Nicolau Maquiavel
FILHÓS DE NATAL
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Os “sinais
positivos” dados pela economia portuguesa em 2013 ainda não são suficientes
para “podermos dizer que vencemos esta crise”, afirma o primeiro-ministro,
Pedro Passos Coelho.
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Na tradicional
mensagem de Natal, difundida através da RTP, Passos Coelho alerta para algumas
incertezas e obstáculos que o país vai ter de enfrentar em 2014. Sublinha que
“dada a complexidade dos problemas que herdámos”, não há soluções fáceis, o que
significa que ainda há “muito para fazer neste ano de 2014”, que será um ano
“cheio de desafios”.
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A menos de
cinco meses do fim do programa de assistência, o chefe do Governo afirma que
esta é uma etapa decisiva da nossa recuperação e que “precisaremos de todos os
instrumentos que mobilizámos para concluir sem perturbações o programa”.
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Pedro Passos
Coelho considera que o fecho do plano da “troika” está ao nosso alcance, “desde
que não hesitemos, desde que percebamos todos o que está em causa”.
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A mensagem de
Natal, divulgada esta noite ao país, descreve ainda 2013 como “um ano muito
exigente” e muito difícil, “sobretudo para os desempregados e para os membros
mais vulneráveis da nossa sociedade”, que não devem ser esquecidos.
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Este foi
também, acrescenta Passos Coelho, o ano em que a economia nacional “começou a
dar a volta”, com destaque para os indicadores das exportações, dos excedentes
comerciais e financeiros, para a diminuição do desemprego “mês após mês” e para
os primeiros sinais de crescimento económico.
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Apesar dos
avisos para as dificuldades que permanecem, o primeiro-ministro diz querer
“fechar esta página da nossa história” e afirma que é preciso dirigir todas as
energias para “combater a pobreza, reduzir mais rapidamente o desemprego,
aumentar o investimento e reduzir as desigualdades sociais”.
A mensagem faz
ainda referência ao sentido do Natal, “festa da esperança”, com Passos Coelho a
desejar que seja aproveitado para recuperar “forças e o sentido de propósito
comum que nos define como povo”.
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Um povo orgulhoso, diz, “e que sabe que, do
alto de quase 900 anos de história, os seus melhores anos ainda estão para vir”.
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Fonte: TSF
"TSUNAMI NA ÁSIA - RECORDADO 9 ANOS DEPOIS"
MAIS UMA DO RICARDO ARAÚJO PEREIRA
Os Venezuelanos anteciparam o Natal, Passos Coelho prolonga a Quaresma. Anos de privações.
O presidente da Venezuela antecipou o Natal para Novembro e a notícia foi recebida aqui com uma certa superioridade gozona. .
Portugal, que é um pequeno e pobre país africano, às vezes comporta-se como se
pertencesse à Europa rica.
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Vai uma distância assim tão grande entre as loucuras do governo
venezuelano e as do nosso? Vou buscar a fita métrica e já voltamos a
falar.
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O governo da Venezuela é dirigido por Nicolás Maduro; o governo de
Portugal está, ao mesmo tempo, podre e verde.
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Dos três estádios de
evolução da fruta, calharam-nos os dois que não interessam. Uns
ministros estão a cair de podres, outros estão verdes para o cargo, e Rui Machete está ambas as coisas: a cada declaração pública, revela ser ao mesmo tempo inexperiente e ultrapassado.
1-0 para Portugal.
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1-0 para Portugal.
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Maduro veste-se com as cores da bandeira da Venezuela, envergando
garrido um fato de treino que o habilita simultaneamente a governar o
país e a treinar o Paços de Ferreira; Passos Coelho veste-se com as
cores da bandeira portuguesa, envergando um pin. É patriotismo bacoco na
mesma, mas ligeiramente mais discreto. A Venezuela empata: 1-1.
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Nicolás Maduro vê Hugo Chávez em todo o lado. Primeiro, ouviu a sua voz
no canto de um passarinho, agora viu o seu rosto numas escavações do
metro. Passos Coelho vê a retoma económica em todo o lado. A economia
portuguesa está tão morta como Hugo Chávez, mas tanto o governo
português como o venezuelano garantem que eles ainda vivem. Julgo que é um empate: 2-2.
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Na Venezuela, Maduro pediu ao parlamento para governar por decreto, isto
é, dirigir o país sem precisar do aval da assembleia. Trata-se, diz
ele, de fazer face a um período de guerra económica.
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Nenhum dirigente
internacional minimamente prestigiado o apoia. Em Portugal, Passos
Coelho quer governar à margem da constituição.
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O presidente da comissão
europeia, Durão Barroso, concorda com ele. Ou seja, felizmente, também
nenhum dirigente internacional minimamente prestigiado o apoia.
Novo empate, que coloca o resultado num renhido 3-3.
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Novo empate, que coloca o resultado num renhido 3-3.
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O presidente venezuelano resolveu antecipar o Natal, para
proporcionar uma alegria ao povo; Passos Coelho decidiu prolongar a
Quaresma, para proporcionar uma alegria à troika.
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Em vez de durar 40 dias, a nossa Quaresma promete durar 40 anos. Os
venezuelanos têm dois meses de cânticos, festas familiares e trocas de
presentes; nós temos quatro décadas de jejuns, penitências e
sacrifícios.
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Portugal recoloca-se em vantagem: 4-3.
Não sei bem de que é que estamos a rir.
RICARDO ARAÚJO PEREIRA em "Don't cry for me, Venezuela"
Não sei bem de que é que estamos a rir.
RICARDO ARAÚJO PEREIRA em "Don't cry for me, Venezuela"

























